O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que o país enfrenta uma nova etapa de confronto, marcada por pressões econômicas e campanhas midiáticas destinadas a minar a coesão nacional.
Em mensagem à população iraniana, ele apontou que adversários buscam enfraquecer o Irã por meio de estratégias voltadas à desestabilização interna. A resistência nacional, segundo Ghalibaf, é a resposta central a essa ofensiva.
De acordo com o parlamentar, os Estados Unidos concentram suas ações na região do Estreito de Ormuz e do Golfo Pérsico, utilizando táticas econômicas fundamentadas em cálculos errôneos. Ele advertiu que tais equívocos podem trazer consequências não apenas para o Irã, mas também para o próprio povo americano, que poderá enfrentar aumento nos custos de vida.
Ghalibaf destacou a capacidade do povo iraniano de resistir às adversidades impostas por sanções e outras medidas externas. Mesmo diante dos desafios, a sociedade iraniana mantém firme seu compromisso com a independência e os valores nacionais.
O parlamentar também alertou para o risco de ações militares, incluindo possíveis ataques, reforçando que o objetivo central dos adversários é criar instabilidade interna. Suas declarações refletem um momento de atritos geopolíticos na região, com o Irã posicionando-se contra o que considera uma campanha ampla de agressão externa.
O Estreito de Ormuz, ponto crucial para o transporte de petróleo global, permanece no centro das disputas estratégicas entre o Irã e os EUA. As movimentações americanas na área são interpretadas como tentativas de ampliar a pressão sobre Teerã, com potenciais reflexos no mercado internacional de energia.
Conforme reportado pela agência Mehr News, o governo iraniano mantém sua determinação em enfrentar essas pressões. A postura de Ghalibaf reforça a narrativa de resistência do país frente às estratégias externas que buscam limitar sua influência regional.
O líder parlamentar criticou ainda a hipocrisia de potências ocidentais que justificam suas ações com discursos de democracia e estabilidade global. Na prática, tais políticas intensificam crises humanitárias e econômicas no Irã, enquanto ignoram suas próprias contradições internas.
A mensagem de Ghalibaf serve como um chamado à unidade nacional diante de sanções prolongadas e rivalidades estratégicas. O Irã busca caminhos para mitigar os impactos das pressões externas e afirmar sua posição no tabuleiro geopolítico.
Leia também: Ghalibaf afirma que Irã resistirá até o fim à pressão dos EUA sobre Ormuz
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Carlos Rocha
06/05/2026
Parem de tratar sanção como se fosse tragédia natural. Irã gasta bilhões financiando milícia no Líbano e no Iêmen, mas quando o Ocidente aperta o cerco econômico viram vítimas. Se o regime não tivesse escolhido o isolamento e o terrorismo como projeto de poder, talvez hoje tivesse uma economia que não dependesse de retórica antiamericana para sobreviver.
Carlos A. Mendes
06/05/2026
Pois é, Bia, a real é que os dois lados jogam esse jogo sujo de sempre. Sanção econômica é arma pesada, sim, mas o Irã também não ajuda quando financia grupo que mete bomba em mercado em Jerusalém. Fico naquela: queria ver um mundo onde ninguém precisasse escolher entre dois times de hipócritas.
Bia Carioca
06/05/2026
Beatriz, você foi cirúrgica. Sanção econômica não é castigo divino, é arma de guerra declarada. O Irã erra em muita coisa, mas a hipocrisia de Washington sancionar país por país enquanto mantém bases militares em meio mundo é de cair o cu da bunda. Aqui no Rio a gente sabe bem o que é sofrer com decisão tomada de longe sem consultar quem vive o caos todo dia.
Beatriz Lima
06/05/2026
O discurso do Ghalibaf é tão previsível quanto o manual de respostas automáticas de Washington. Claro que os EUA usam sanções como ferramenta de desestabilização — eles mesmos já admitiram isso em documentos oficiais e declarações de ex-diplomatas. A novidade zero aqui é que um líder iraniano resolveu falar abertamente sobre o óbvio. Mas o que me incomoda nessa narrativa é a conveniente amnésia seletiva: o Irã não é vítima indefesa, é um ator racional que há décadas joga o jogo geopolítico com maestria, financiando proxies, testando limites de acordos nucleares e usando o discurso anti-imperialista para consolidar poder interno. Sanções não caem do céu, elas são resposta a escolhas concretas — inclusive a escolha de não cumprir compromissos assumidos no JCPOA.
O Carlos Mendes ali em cima fez um comentário raso ao reduzir tudo a “terrorismo e teocracia”, mas a Ana Karine foi certeira ao apontar que a definição de terrorismo é política e muda conforme o interlocutor. O Hezbollah é terrorista para os EUA e parte da Europa, mas é força política legítima no Líbano e parte do governo iraniano. Não estou defendendo nem condenando ninguém, só constatando que classificar grupos como terroristas ou resistência depende de qual potência está falando. O Irã financia o Hamas? Financia. Os EUA financiam Israel com bilhões anuais e vendem armas para a Arábia Saudita bombardear o Iêmen? Também. O problema é quando um lado monopoliza o moral high ground enquanto o outro é demonizado sem contexto histórico.
Agora, o que realmente me tira do sério nessa thread é a ausência total de dados sobre a economia iraniana. Sanções funcionam? Parcialmente. O rial despencou, a inflação está na casa dos 40% ao ano, e o povo iraniano médio sofre com escassez de medicamentos importados. Só que o regime também aprendeu a contornar sanções via triangulação com China, Rússia e mercados paralelos no Golfo Pérsico. O problema maior não é sanção americana, é a corrupção endêmica e a má gestão econômica interna — que o governo adora culpar no “inimigo externo” para desviar atenção. Se o Irã fosse uma economia minimamente diversificada e transparente, as sanções doeriam bem menos. Mas enquanto a elite da Guarda Revolucionária controla setores inteiros da economia com mão de ferro, qualquer alívio de sanção vira moeda de troca política, não benefício real à população.
No fim das contas, o alerta do Ghalibaf é um tiro no pé retórico: quanto mais ele grita que os EUA querem desestabilizar o Irã, mais ele admite que o regime se sente vulnerável. E regimes que se sentem vulneráveis tendem a reagir com repressão interna e aventuras externas — vide a repressão aos protestos de 2022 e o envio de drones para a Rússia. Se a coesão nacional iraniana depende de um inimigo externo para se manter, então o problema não está nas sanções, está na falta de legitimidade doméstica. Mas isso, claro, nenhum parlamentar iraniano vai admitir em discurso público.
Eduardo C.
06/05/2026
Ana Karine, você tocou no ponto central: a definição de terrorismo muda conforme o formulador de políticas. O Irã tem um histórico de financiar grupos que os EUA classificam como terroristas, mas também sofre com grupos apoiados por potências rivais. A questão é que sanções econômicas são uma ferramenta de guerra híbrida – e o Ghalibaf tem razão em alertar que isso desestabiliza o país. Mas ele deveria apresentar números concretos do impacto real dessas sanções na economia iraniana, em vez de apenas discurso político.
Ana Karine Xavante
06/05/2026
Carlos, seu comentário reproduz exatamente o script que o Departamento de Estado americano escreveu para consumo externo há décadas. Chamar o Irã de “regime teocrático que bancou o terrorismo” é repetir a cartilha sem se perguntar quem define o que é terrorismo e quem lucra com essa definição. Os EUA armaram a ditadura do Xá por 25 anos, derrubaram um governo democraticamente eleito em 1953, impuseram sanções que mataram civis por falta de medicamentos durante a pandemia e ainda têm a ousadia de falar em “desestabilização”. O Irã comete erros graves, sim, sua teocracia é autoritária e reprime minorias, mas reduzir a história a “eles merecem as sanções” é apagar o colonialismo estrutural que moldou o Oriente Médio.
João Batista, você tocou num ponto que me atravessa como indígena: a lógica das sanções é a mesma lógica do cerco contra nossos territórios. Quando bloqueiam a economia de um país inteiro, não estão punindo líderes – estão punindo o povo que precisa de comida, remédio e infraestrutura. É a mesma violência que corta recursos de aldeias sob o pretexto de “combater o garimpo ilegal”, mas fecha os olhos para o agronegócio que envenena nossos rios. A diferença é que aqui a arma é a caneta do Ibama e a caneta do Banco Mundial; lá é o Tesouro americano. O resultado é o mesmo: corpos precarizados, soberania violada e a narrativa de que “eles merecem” porque são diferentes de “nós”.
O que me assusta nessa thread é a ausência de qualquer menção ao papel da mídia hegemônica. Ghalibaf denunciou “campanhas midiáticas destinadas a minar a coesão nacional” e vocês dois passaram reto por isso. A mesma grande imprensa que pintou o Irã como o grande vilão enquanto a Arábia Saudita, aliada dos EUA, bombardeava crianças no Iêmen com bombas americanas. A mesma mídia que chama de “protestos legítimos” quando acontecem em Teerã e de “tentativa de golpe” quando acontecem em Brasília. O colonialismo não opera só com tanques e sanções; opera com manchetes que definem quem merece ser ouvido e quem merece ser sancionado até a morte.
Eu, como mulher indígena de Mato Grosso, sei o que é ter sua existência reduzida a uma pauta de “direitos humanos” que só aparece quando interessa à agenda externa. O Irã hoje é o bode expiatório da vez, assim como a Venezuela, como Cuba, como os povos originários da Amazônia. Enquanto não entendermos que a geopolítica é um jogo de xadrez onde as peças são corpos racializados e territórios saqueados, vamos continuar repetindo o discurso do opressor achando que estamos sendo “críticos”. A pergunta que fica é: quem realmente se beneficia com o Irã sangrando?
Carlos Mendes
06/05/2026
Mais um regime teocrático que coleciona sanções por bancar o terrorismo e agora chora perseguição econômica. Se o Irã gastasse metade da energia que dedica a desestabilizar o Oriente Médio em gerar riqueza para seu povo, não precisaria implorar por alívio de sanções. Livre mercado e Estado mínimo funcionam, senhor Ghalibaf; o senhor que experimente.
João Batista
06/05/2026
Carlos, meu irmão, o profeta Amós já denunciava os que vendem o justo por prata e o pobre por um par de sandálias. Estado mínimo e livre mercado não alimentam quem passa fome nem curam as feridas de um povo sancionado até na importação de remédios.