O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia e ex-presidente do país, Dmitry Medvedev, lançou um duro alerta contra o que classificou como a acelerada militarização da União Europeia. Em artigo de opinião, Medvedev sustentou que Moscou precisa instilar um ‘medo animal’ nas lideranças europeias como única forma de dissuadir uma futura agressão vinda da Alemanha e do bloco que ele apelidou de ‘Europa Unida’.
Segundo o ex-presidente russo, a doutrina ocidental de ‘paz através da força’ deve ser respondida com uma fórmula simétrica baseada na certeza de perdas inaceitáveis para qualquer agressor. Conforme publicou o portal RT, Medvedev defende que apenas a percepção concreta de devastação pode conter o que enxerga como impulsos belicistas históricos no continente europeu.
O alvo central da artilharia retórica de Medvedev é o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, que assumiu com a promessa de transformar a Bundeswehr na força militar mais poderosa da Europa até 2039. O Ministério da Defesa alemão já divulgou um plano para elevar o efetivo das Forças Armadas a 460 mil militares, marca que coincidiria simbolicamente com o centenário da invasão nazista da Polônia, ordenada por Adolf Hitler em 1939.
Para o político russo, esse paralelo histórico não é casual e expõe a continuidade de um projeto de poder que jamais foi inteiramente desmontado no pós-guerra. Medvedev argumenta que palavras diplomáticas e boas intenções jamais foram suficientes para evitar massacres no continente. É necessário, portanto, que Bruxelas e Berlim compreendam fisicamente o custo de qualquer aventura militar contra a Federação Russa.
O texto se insere na escalada de tensão entre Moscou e o bloco europeu, que tem ampliado encomendas de armamentos, acelerado a indústria bélica continental e discutido a criação de uma força conjunta sob coordenação reforçada da OTAN. Medvedev tem se notabilizado, desde o início da operação militar especial na Ucrânia, por ser a voz mais incendiária do Kremlin, frequentemente verbalizando aquilo que a diplomacia formal russa prefere apresentar em tom mais contido.
O ex-presidente também ridicularizou a tese, propagada por chancelarias europeias, de que a Rússia planejaria atacar países da OTAN nos próximos anos. Para ele, essa narrativa serve como pretexto conveniente para justificar orçamentos militares recordes em economias europeias que enfrentam estagnação industrial, crise energética e desgaste político interno após o rompimento dos laços com o gás russo.
Medvedev sustenta ainda que a Alemanha contemporânea repete padrões de comportamento estratégico observados em momentos críticos do século XX, quando o rearmamento foi apresentado à opinião pública como medida puramente defensiva. O ex-mandatário russo cobra que o Kremlin trate o avanço da indústria bélica alemã como ameaça existencial concreta, e não como mero ruído retórico de Berlim e Bruxelas.
A reação europeia tende a classificar declarações como essas de provocação calculada, ainda que os números do rearmamento confirmem a tendência denunciada por Moscou. O orçamento de defesa da Alemanha já ultrapassou a meta de 2% do PIB exigida pela OTAN, com fundo especial de 100 bilhões de euros aprovado para modernização das Forças Armadas e aquisição de caças, blindados e sistemas antiaéreos.
Medvedev encerra seu raciocínio sustentando que a única linguagem compreendida pelas potências europeias historicamente foi a da força material concreta. Para o ex-presidente, cabe à Rússia garantir que essa linguagem seja falada com clareza suficiente para que nenhuma capital europeia volte a calcular que uma guerra contra Moscou possa ser vencida a custo aceitável.
Com informações de RT.
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Tiago Mendes
06/05/2026
Tonho Patriota, chamar Medvedev de “comunista de araque” é até engraçado vindo de quem bota fé num discurso de força bruta. O problema é que essa lógica do “olho por olho” só enterra a gente num ciclo de violência que os pobres sempre pagam a conta. Enquanto a Europa brinca de rearmamento, cadê a verba pra acolher refugiados ou combater a fome?
Tonho Patriota
06/05/2026
Esse Medvedev é um comunista de araque, igual o Lula, querendo meter medo na Europa com papinho de guerra. Alemanha se armar é o certo, senão vira bagunça. Faz o L, seus esquerdistas!
Caio Vieira
06/05/2026
Caro Tonho Patriota, sua redução do debate geopolítico a um mero “papinho de guerra” ignora a complexa tessitura da hegemonia global. A rearmamentização alemã, longe de ser uma resposta natural, insere-se na lógica do que poderíamos chamar de militarização preventiva do capitalismo central, um movimento que, em vez de pacificar, tende a aprofundar as contradições interimperialistas. Solidarizo-me com a luta do povo europeu por soberania, mas é preciso desconfiar das narrativas que transformam tanques em sinônimo de defesa, quando historicamente eles sempre serviram à expansão de mercados.
Paulo Ribeiro
06/05/2026
Caro Marcos Andrade Niterói, você toca num ponto que merece um desdobramento teórico mais cuidadoso. O problema não é apenas o rearmamento alemão em si, mas o que ele representa dentro da dinâmica do capitalismo tardio e da geopolítica imperialista. Quando Gramsci analisava a hegemonia, ele nos alertava que as crises orgânicas do sistema levam a soluções autoritárias e militaristas. O que vemos hoje é exatamente isso: a União Europeia, incapaz de resolver suas contradições internas — desindustrialização, austeridade, crise migratória —, busca no keynesianismo bélico uma saída falsa. Medvedev, com sua retórica stalinista de “medo animal”, é o sintoma de um regime que precisa da ameaça externa para justificar sua própria autocracia. Mas a Alemanha de Merz não é inocente: ao acelerar o rearmamento, ela joga o jogo da OTAN e aprofunda a subordinação europeia aos interesses do complexo militar-industrial estadunidense.
O erro histórico que cometemos, e que Althusser denunciaria como um desvio ideológico, é acreditar que a solução para a agressão russa é mais armas. A URSS, em seus melhores momentos, entendia que a paz só viria com o desarmamento multilateral e a autodeterminação dos povos. Hoje, a Rússia de Putin e Medvedev não representa nenhum projeto emancipatório — é um capitalismo de Estado oligárquico que usa o nacionalismo como cortina de fumaça. Mas a resposta europeia, bancando a militarização cega, só alimenta a espiral de violência. É a velha lógica da “paz armada” que precedeu 1914, como bem analisou Lênin em “O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”.
Quanto à sua menção às obras em Niterói, permita-me uma provocação: enquanto celebramos túneis e metrôs, precisamos perguntar a que custo social e ecológico. A gestão municipal de Rodrigo Neves, que você elogia, está inserida no mesmo modelo de desenvolvimento que prioriza o concreto sobre o humano. Mariátegui nos ensinou que o verdadeiro desenvolvimento não se mede em quilômetros de asfalto, mas na capacidade de um povo de controlar seus meios de produção e decidir seu destino. O metrô sob a Baía de Guanabara, se vier, será para servir a quem? Aos especuladores imobiliários da Zona Sul ou ao trabalhador que precisa de transporte digno para chegar ao emprego?
Precisamos, como intelectuais orgânicos, recusar tanto o “medo animal” de Medvedev quanto a histeria belicista de Merz. A saída não está em escolher um lado nessa guerra interimperialista, mas em construir uma terceira via: o desarmamento, a integração solidária dos povos e a superação do capitalismo. Enquanto a esquerda não formular essa alternativa concreta, continuaremos reféns de um debate que só serve aos interesses das elites. Como diria o velho Marx, a história se repete, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa. Que não sejamos meros espectadores dessa farsa.
Maria Antonia
06/05/2026
Mais um show de bravata do Kremlin. Medvedev ameaçando a Europa com “medo animal” enquanto a Alemanha faz o óbvio: se rearmar para se defender. Se a União Europeia não quer virar quintal da Rússia, precisa gastar mesmo em defesa. O erro foi ter ficado décadas dependendo do guarda-chuva americano.
Marcos Andrade Niterói
06/05/2026
Maria Antonia, discordo da normalização desse rearmamento alemão. Enquanto a Europa gasta bilhões em tanques, aqui em Niterói a gente vê o que é gestão de verdade: Rodrigo Neves entregou o túnel Charitas-Cafubá e briga pelo metrô sob a Baía, enquanto o governo estadual abandona a mobilidade urbana. Esse discurso belicista só desvia recursos do que realmente importa.