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Composto do alho inibe reprodução de mosquitos, aponta estudo da Universidade de Yale

5 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Composto do alho inibe reprodução de mosquitos, aponta estudo da Universidade de Yale. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) Um composto encontrado no alho é capaz de bloquear o acasalamento e a postura de ovos em mosquitos transmissores de dengue, febre amarela e zika, segundo pesquisa liderada por John Carlson, professor […]

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Ilustração editorial sobre Composto do alho inibe reprodução de mosquitos, aponta estudo da Universidade de Yale. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Um composto encontrado no alho é capaz de bloquear o acasalamento e a postura de ovos em mosquitos transmissores de dengue, febre amarela e zika, segundo pesquisa liderada por John Carlson, professor de biologia molecular, celular e do desenvolvimento da Universidade de Yale.

A pesquisadora Shimaa Ebrahim, da Universidade do Cairo, colaborou com Carlson no projeto. Os investigadores começaram analisando os efeitos de diversos vegetais no comportamento reprodutivo de moscas das frutas e depois ampliaram o escopo para mosquitos e outras espécies voadoras.

O composto identificado é o dialil dissulfeto. Ele atua diretamente sobre receptores sensoriais presentes nos órgãos gustativos dos insetos, ativando o receptor TrpA1 e desencadeando uma resposta de aversão que suprime o acasalamento e a oviposição.

Os testes revelaram supressão total desses comportamentos reprodutivos nos insetos expostos ao composto. O efeito deriva do sabor — e não do odor pungente característico do alho.

O dialil dissulfeto demonstrou seletividade ao não afetar vespas e outras espécies que carecem do receptor TrpA1. Essa característica preserva insetos benéficos enquanto controla vetores de doenças graves.

A descoberta abre perspectivas para repelentes e controladores de pragas baseados em compostos naturais. Esses métodos podem substituir pesticidas químicos de forma mais sustentável em áreas endêmicas para doenças transmitidas por mosquitos.

Carlson indicou que a abordagem pode ser estendida para identificar outros compostos vegetais com efeitos semelhantes contra diferentes pragas agrícolas. A pesquisa reforça o valor de soluções ecológicas no combate a desafios globais de saúde e agricultura.

O estudo foi publicado na revista Cell e detalhado pelo portal Phys.org. Os resultados destacam o alho como ferramenta promissora para estratégias inovadoras de controle vetorial.


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Adalberto Livre

08/05/2026

GASTANDO DINHEIRO PUBLICO PRA ESTUDAR ALHO? ISSO É COISA DE COMUNISTA VAGABUNDO QUERENDO ACABAR COM OS MOSQUITO PRA DEPOIS CONTROLAR A POPULAÇAO COM VACINA OBRIGATORIA, ACORDA BRASIL!

    Carlos Oliveira

    08/05/2026

    Adalberto, tu é contra o Estado bancar pesquisa pra prevenir doença, mas não deve chiar quando falta médico no posto e o SUS vive sobrecarregado. Por mim, dinheiro público é pra isso mesmo: evitar que trabalhador como eu precise escolher entre comprar repelente caro ou botar comida em casa.

Silvia D.

08/05/2026

Estudo sério, de uma universidade de ponta, mostrando que até o simples pode ter base científica sólida. Mas não adianta só comemorar achado de laboratório se o poder público não investe em saneamento, vigilância e acesso igualitário a repelentes e vacinas. A ciência entrega as ferramentas, mas quem garante o SUS funcionando de verdade somos nós, cobrando e votando.

Ana Paula Conserva

08/05/2026

Que maravilha ver a ciência confirmando o que a natureza, criada por Deus, já nos oferece. O alho, tão presente na nossa cultura e na sabedoria caseira, agora se mostra aliado no combate a essas doenças que ameaçam nossas famílias. É um exemplo de como as soluções naturais, quando estudadas com seriedade, podem preservar vidas sem apelar para radicalismos.

    Mariana Alves

    08/05/2026

    Aprecio a intenção de celebrar o conhecimento científico quando este aponta para caminhos menos agressivos de intervenção sanitária, Ana Paula, mas permita-me problematizar alguns pressupostos que seu comentário carrega, pois eles revelam mais sobre as estruturas ideológicas que nos constituem do que sobre o próprio estudo da Universidade de Yale.

    Em primeiro lugar, a narrativa de que a ciência “confirma” o que a natureza “criada por Deus” já oferece é uma formulação que merece escrutínio histórico e epistemológico. A ciência moderna, desde o século XVII, opera por meio da apropriação e subsunção do conhecimento tradicional e popular, frequentemente expropriando saberes comunitários que foram construídos ao longo de séculos por povos e culturas que sequer figuram nos créditos das patentes universitárias. O alho, citado com afeto e razão, é um exemplo emblemático: seu uso medicinal remonta a civilizações antigas que o empregavam não por revelação divina, mas por observação empírica e transmissão intergeracional de práticas de cuidado. Quando Yale publica um estudo sobre compostos organossulfurados inibindo a reprodução de mosquitos, não estamos diante de uma “confirmação” benevolente, mas sim da tradução de um saber ancestral para a linguagem do capital científico — linguagem essa que só concede legitimidade ao que pode ser quantificado, patenteado e, eventualmente, mercantilizado. A própria estrutura da pesquisa universitária contemporânea, submetida à lógica do financiamento privado e das publicações de alto impacto, é expressão daquilo que Boaventura de Sousa Santos chama de epistemicídio: a destruição sistemática de formas de saber que não se enquadram nos cânones da ciência ocidental.

    Em segundo lugar, há um implícito perigoso na oposição que você constrói entre “soluções naturais” e “radicalismos”. Esse discurso ressoa com uma agenda neoliberal que privatiza a noção de saúde e responsabiliza indivíduos e famílias, enquanto esvazia a dimensão coletiva e estrutural do adoecimento. As doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e chikungunya, são antes de tudo expressões da desigualdade social: da falta de saneamento básico, da precariedade habitacional nas periferias, do desmonte das políticas públicas de vigilância epidemiológica. Celebrar o alho como aliado sem questionar por que as populações vulnerabilizadas continuam expostas a criadouros do Aedes aegypti é aderir a uma forma de pensamento mágico que ignora a determinação social dos processos de saúde-doença. O que a grande imprensa e os setores conservadores chamam de “radicalismo” muitas vezes é simplesmente a exigência de que o Estado garanta o direito constitucional à saúde — exigência que se choca com os interesses do capital rentista que sangra os orçamentos públicos.

    Por fim, sugiro que pensemos criticamente sobre o lugar da “sabedoria caseira” nesse arranjo. Quando desconectada de uma análise materialista, essa sabedoria pode ser instrumentalizada para legitimar o abandono estatal, como se coubesse às famílias, em sua esfera privada, resolver problemas que são eminentemente políticos. A indústria farmacêutica, que financia boa parte das pesquisas universitárias no Norte Global, não está interessada em alho porque alho não gera patente lucrativa — e o estudo de Yale provavelmente resultará numa versão sintética do composto, encapsulada e vendida por preços exorbitantes aos países do Sul. A solução natural, assim, é capturada pela dinâmica de acumulação que caracteriza o capitalismo em sua fase atual. Minha provocação, portanto, não é para que abandonemos o conhecimento tradicional, mas para que o situemos em uma luta mais ampla contra as estruturas que transformam saúde em mercadoria e vida em variável de ajuste fiscal.


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