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Alcolumbre busca reaproximação com Lula após rejeição de Messias ao STF

2 Comentários🗣️🔥 O presidente Lula e Davi Alcolumbre se cumprimentam em evento oficial. (Foto: diariodocentrodomundo.com.br) O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), busca reaproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. Alcolumbre disse a interlocutores que […]

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O presidente Lula e Davi Alcolumbre se cumprimentam em evento oficial. (Foto: diariodocentrodomundo.com.br)

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), busca reaproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal.

Alcolumbre disse a interlocutores que quer deixar o episódio para trás e negou ter trabalhado contra a aprovação do nome.

A votação registrou 42 votos contrários e 34 favoráveis à indicação de Messias. O resultado representou a primeira rejeição de um indicado ao STF pelo Senado em 132 anos.

Alcolumbre atribuiu o desfecho a um clima de insatisfação geral na Casa legislativa. Ele afirmou que havia comunicado previamente o risco ao Planalto.

O presidente do Senado garantiu que não vai obstruir as propostas do Executivo nem provocar novas derrotas. O governo federal também demonstra interesse em manter o canal aberto com Alcolumbre.

O ministro da Defesa, José Múcio, e o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, tiveram reuniões recentes com o senador. Essas conversas buscam reduzir as tensões criadas pela sabatina.

A rejeição abriu debates no Palácio do Planalto sobre a forma como o governo articula suas pautas no Senado. A performance do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e do líder no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), está sob análise.

O contato direto com Alcolumbre se tornou fundamental para destravar projetos importantes. A PEC do Suas e a PEC da Segurança Pública integram a lista de prioridades do Executivo.

O projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos também aguarda deliberação. A matéria inclui incentivos fiscais que podem chegar a 5 bilhões de reais.

A mudança na escala de trabalho 6 por 1 precisa ser votada pelos senadores depois de passar pela Câmara dos Deputados. O sucesso dessas iniciativas depende do alinhamento entre o governo e a presidência do Senado.

O caso do Banco Master gera desgaste adicional na relação. A previdência do Amapá destinou 400 milhões de reais a ativos da instituição financeira.

Alcolumbre não figura entre os investigados no assunto. O tema, contudo, contribui para manter o ambiente político delicado.

De acordo com reportagem do Poder360, o Planalto busca ajustar sua estratégia para garantir a aprovação das matérias prioritárias. O episódio com Messias serve para calibrar a relação entre o Executivo e o Senado.

Com informações de DIARIODOCENTRODOMUNDO.


Leia também: Fornazieri propõe que Lula reverta derrota no STF indicando jurista negra


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João Carvalho

08/05/2026

Tudo farinha do mesmo saco, né. Um rejeita o outro, depois vão lá e fazem acordo por baixo dos panos. Enquanto isso o pai de família aqui ralando o dia inteiro no volante e vendo o salário derreter com tanta taxa e imposto. Brasil acima de tudo, mas cadê o respeito com o trabalhador.

    Ana Karine Xavante

    08/05/2026

    João, eu entendo a frustração, de verdade. Quando a gente vê o Alcolumbre, que sempre foi um dos articuladores mais fiéis do bolsonarismo no Congresso, agora fazendo afagos no Lula depois da recusa do Messias, dá um nó no estômago. É o tipo de dança política que faz qualquer pessoa que rala o dia inteiro se sentir um fantoche. Mas eu preciso cutucar uma ferida aqui: essa ideia de que “é tudo farinha do mesmo saco” é exatamente o que o sistema quer que a gente pense. Ela nivela tudo, joga todo mundo no mesmo balaio de cinismo, e aí a gente desiste de tentar entender as diferenças reais que existem entre os projetos em disputa. O Alcolumbre não é o Lula. O centrão fisiológico não é um governo que, mesmo cheio de contradições, ainda tem ministérios tentando segurar a boiada do desmatamento e demarcar terras indígenas, por exemplo. Quando a gente apaga essas distinções, quem ganha é sempre a extrema-direita, que se alimenta do “contra tudo isso que tá aí” pra vender um autoritarismo com cara de renovação.

    Agora, sobre o trabalhador que está no volante vendo o salário derreter: essa dor é real e não é só sobre imposto, é sobre um modelo econômico que foi desenhado pra sugar a maioria e concentrar riqueza numa elite minúscula. Só que esse mesmo modelo é irmão siamês do colonialismo que devastou os nossos territórios indígenas, que matou nossos rios, que transformou gente em mão de obra descartável desde 1500. O “Brasil acima de tudo” que você menciona foi o grito de guerra de um governo que quis entregar a Amazônia pro garimpo, que chamou trabalhador de “vagabundo” quando pediu auxílio na pandemia e que tratou a terra indígena como “terra improdutiva”. Respeito com o trabalhador passa necessariamente por entender que a exploração do trabalhador urbano e a exploração da natureza e dos povos originários têm a mesma raiz colonial. Não dá pra separar as lutas. O cara que está no volante do caminhão ou na moto do aplicativo está sofrendo a mesma lógica que expulsa os Guarani e Kaiowá das suas terras pro agronegócio expandir: uma lógica que trata tudo e todos como mercadoria.

    O que eu quero dizer é que a gente precisa ter cuidado pra não cair na armadilha de achar que, se os políticos negociam, é porque são todos iguais. A política é disputa o tempo inteiro. O Alcolumbre quer se aproximar do governo porque o governo tem caneta pra emendas e cargos, e ele é um representante do que há de mais atrasado no Congresso: o fisiologismo que usa o Estado como balcão de negócios. Mas o Lula negociar com ele não transforma o governo no bolsonarismo, assim como o Lula ter se aliado ao José Sarney em 2002 não fez dele um oligarca maranhense. Isso é a política real num país com um Congresso desse jeito. A questão é: o que a gente, como sociedade, faz pra mudar a correlação de forças? Porque se a gente só repetir que é tudo farinha do mesmo saco, a gente abandona a única ferramenta que pode realmente mudar a vida do trabalhador. E essa ferramenta não é um salvador da pátria – é a organização coletiva, a pressão popular, a greve, a retomada.

    A taxa e o imposto que arrocham o seu salário não existem porque o governo “quer”, simplesmente. Eles existem porque a elite brasileira nunca pagou imposto de verdade, porque o agronegócio tem isenção bilionária enquanto o trabalhador paga até no arroz, porque o sistema financeiro sangra o país com juros altos enquanto o presidente do Banco Central janta com banqueiros. Isso é a estrutura. Enquanto a gente só apontar o dedo pra Brasília como um bloco monolítico de corruptos, a gente não consegue mirar nos alvos certos: a Reforma Tributária progressiva que o Centrão tenta desidratar, a taxação dos super-ricos que nunca sai do papel porque o Congresso boicota, a luta por um orçamento que priorize saúde, educação e transporte público em vez de pagar juros da dívida. Seu cansaço é legítimo, João, mas eu te convido a olhar pra ele não como um beco sem saída, e sim como combustível pra uma raiva direcionada. O inimigo não é “a política”. O inimigo tem nome, sobrenome e CPF. E os nossos ancestrais indígenas já sabiam: contra os donos do poder, só a luta organizada. Nada nos foi dado de graça. Nem pra nós, nem pra vocês.


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