Na ilha de Golem Grad, no Lago Prespa, um fenômeno raro coloca em risco a população de tartarugas Hermann da Macedônia do Norte.
Os machos perseguem as fêmeas de forma tão intensa durante o acasalamento que muitas acabam caindo de penhascos e morrendo. O desequilíbrio populacional se tornou extremo, com cerca de 100 machos para cada fêmea reprodutiva.
Os cientistas que monitoram a ilha há quase duas décadas classificam o fenômeno como suicídio demográfico. Conforme reportagem do portal Phys.org, o comportamento coercitivo inclui perseguições, mordidas e ferimentos graves. As fêmeas ficam estressadas e desnutridas.
Golem Grad oferece condições ideais para a espécie, com clima mediterrâneo ameno e ausência total de predadores naturais. A densidade populacional chega a 50 indivíduos por hectare, a maior já registrada para as tartarugas Hermann. Mesmo assim, o ciclo de agressão impede a reprodução bem-sucedida.
As fêmeas adultas vêm diminuindo de forma acelerada nos registros de campo. Em 2009 foram encontradas 45 fêmeas adultas na ilha — número que caiu para apenas 15 em 2025. A maturação sexual da espécie leva cerca de 15 anos, o que torna a recuperação ainda mais difícil.
Os machos frustrados chegam a tentar copular com outros machos, com carcaças ou até mesmo com pedras. Esse comportamento extremo agrava o desequilíbrio e acelera o declínio das fêmeas reprodutivas. Os pesquisadores estimam que a última fêmea pode desaparecer até 2083 caso nada seja feito.
Os machos da espécie podem viver até 80 anos e continuariam presentes por décadas mesmo após o desaparecimento das fêmeas. Uma população de tartarugas Hermann a apenas 4 quilômetros da ilha apresenta dinâmica saudável, com fêmeas ligeiramente mais numerosas. A ausência de penhascos naquele local elimina o risco de quedas fatais.
A pesquisa foi realizada por equipe internacional com participação de instituições da Macedônia do Norte, Sérvia, França e Reino Unido. O caso de Golem Grad representa oportunidade rara para estudar os efeitos de comportamentos extremos sobre populações selvagens isoladas. Especialistas defendem intervenções para preservar a biodiversidade local antes que seja tarde demais.
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