A Polícia Militar de São Paulo invadiu na madrugada de domingo o prédio da reitoria da Universidade de São Paulo e agrediu estudantes que participavam de ocupação pacífica.
A ação deixou feridos, gerou detenções e provocou forte reação da comunidade universitária. Professores e alunos compararam a operação a métodos da ditadura militar.
Por volta das 4h15, cerca de 35 policiais armados entraram no campus do Butantã e usaram cassetetes e gás lacrimogêneo contra os jovens. Segundo o Diretório Central dos Estudantes da USP, quatro alunos foram detidos e levados ao 7º Distrito Policial.
Os detidos permaneceram por algumas horas até serem liberados após pressão de manifestantes que cercaram a delegacia. Cinco estudantes ficaram feridos durante a repressão, e um deles precisou permanecer hospitalizado para realização de exames complementares.
O advogado Ronaldo Barbosa, que assessora o DCE, denunciou arbitrariedades como a proibição de acompanhamento jurídico durante os depoimentos dos detidos. Ele adiantou que medidas judiciais serão tomadas para apurar as irregularidades.
A ocupação havia começado na quinta-feira anterior com o objetivo de pressionar a reitoria a negociar demandas por ampliação de auxílios de permanência e reforma das moradias no Conjunto Residencial da USP. Os estudantes também exigiam a implementação de cotas para pessoas trans, indígenas e com deficiência.
Os estudantes criticaram o reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior por ter cancelado as negociações antes mesmo do início do protesto. A reitoria divulgou nota em que lamentou os episódios de violência e alegou que a desocupação ocorreu sem comunicação prévia.
Diversos institutos e departamentos da universidade repudiaram a ação policial. O Departamento de Direito do Trabalho e Seguridade Social destacou a ausência de ordem judicial e o fato de a operação ter sido realizada fora do horário legal para reintegrações de posse.
O contexto da greve estudantil inclui denúncias sobre a precariedade das moradias no Crusp, que não recebem reformas significativas desde a década de 1960. A gestão do governador Tarcísio de Freitas também foi alvo de críticas em razão da violência policial recorrente, inclusive durante a Operação Escudo na Baixada Santista, que resultou em dezenas de mortes.
Conforme reportagem da Carta Capital, o episódio reacendeu discussões sobre o uso da Polícia Militar em conflitos sociais e a criminalização de movimentos estudantis. Barbosa classificou a operação como repleta de abusos e afirmou que a responsabilização dos envolvidos será buscada na Justiça.
Os estudantes anunciaram novos atos de protesto, com manifestação prevista em frente ao Cruesp, órgão que reúne as reitorias das universidades estaduais paulistas. O objetivo é ampliar o movimento para a Unesp e a Unicamp e garantir a reabertura imediata do diálogo com as autoridades acadêmicas.
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