Um estudo conduzido pelo Instituto Leibniz de Pesquisa do Mar Báltico Warnemünde revelou que os mares internos aquecem mais rapidamente do que os oceanos globais desde os anos 2000. Sem a redução das emissões de gases de efeito estufa, até 90% desses mares podem enfrentar ondas de calor marinhas anuais até meados do século.
Os mares internos desempenham papel crucial em atividades como pesca e turismo ao redor do mundo. Suas características únicas — como a limitada troca de água com oceanos adjacentes — os tornam mais vulneráveis à poluição e ao aumento das temperaturas.
A pesquisa, publicada na revista Communications Earth & Environment, é a primeira a avaliar o aquecimento dessas áreas em escala global. Os autores utilizaram simulações climáticas avançadas para distinguir variabilidades naturais de tendências de longo prazo.
O cientista Matthias Gröger, autor principal do estudo, explicou que o ritmo de aquecimento acelerou a partir do ano 2000. Isso ocorreu devido à redução dos aerossóis industriais que antes refletiam a luz solar e ajudavam a mitigar o aquecimento.
As projeções indicam que 13 dos 19 mares internos estudados podem aquecer mais de 1 grau Celsius até o final do século, caso as emissões permaneçam elevadas. Em algumas regiões, o ritmo de aquecimento pode ser até quatro vezes maior do que as tendências passadas.
Essas áreas enfrentarão ondas de calor marinhas prolongadas, com impactos devastadores para os ecossistemas. A morte de peixes e a perda de habitats naturais representam algumas das consequências mais graves.
Os efeitos mais severos podem ser evitados se o aumento da temperatura global for limitado a menos de 1,5 grau Celsius, conforme o Acordo de Paris. Embora não elimine o fenômeno completamente, essa medida reduziria significativamente a intensidade das ondas de calor.
As descobertas são essenciais para o planejamento de políticas de gestão climática e de adaptação nas regiões afetadas. Entre as ações recomendadas estão o plantio de leitos de ervas marinhas para restaurar habitats e a avaliação dos impactos da introdução de espécies não nativas.
O estudo reforça a urgência de ações globais para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e proteger ecossistemas marinhos vulneráveis. Detalhes completos da pesquisa estão disponíveis no portal Phys.org.
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