O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, publicou mensagem nas redes sociais evocando a vitória do general parta Surena sobre as legiões romanas na batalha de Carras, em 53 a.C. A publicação no X serve como alerta direto aos adversários do Irã, destacando que a história ensina lições claras para quem ignora o passado.
Baghaei lembrou que o povo iraniano enfrentou ao longo dos séculos não apenas invasores isolados, mas exércitos poderosos, e saiu vitorioso em diversas ocasiões. Ele destacou o caráter assimétrico do triunfo em Carras, onde forças menores com recursos limitados derrotaram a poderosa máquina militar romana e destruíram o mito de sua invencibilidade.
A derrota de Marco Licínio Crasso, um dos homens mais ricos e influentes de Roma, encerrou as ambições expansionistas romanas para o leste. O porta-voz concluiu a mensagem com alerta explícito de que a história se repete para aqueles que se recusam a estudá-la ou a respeitar suas lições.
A declaração ganha relevância em meio a sanções econômicas, disputas nucleares e conflitos regionais que envolvem o Irã e potências ocidentais. A referência à batalha antiga reforça a narrativa de resiliência nacional e projeta determinação perante a comunidade internacional.
Baghaei utilizou a plataforma X para conectar orgulho histórico à postura atual do país. A evocação de episódios do passado distante é estratégia recorrente no discurso político iraniano para fortalecer a unidade interna e transmitir força ao exterior.
De acordo com reportagem do portal RT, a abordagem histórica busca consolidar o sentimento de orgulho nacional. O Irã enfrenta pressões externas constantes e utiliza esses símbolos para afirmar sua capacidade de superar adversidades.
O general Surena comandava forças do Império Parta, antecessor histórico do Irã moderno, na batalha que ocorreu há mais de dois mil anos. A identificação com o feito parta integra a construção narrativa oficial que o governo iraniano emprega para projetar continuidade de resistência contra impérios externos.
A mensagem de Baghaei chega em contexto de elevada tensão geopolítica no Oriente Médio. O porta-voz reforça que o Irã não se curva diante de ameaças e que as lições do passado permanecem válidas para potências que tentam impor sua vontade na região.
Com informações de ACTUALIDAD.
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Helton Barros
11/05/2026
Pedro falou a real – o brasileiro já está sufocado com preço de gasolina e esse regime iraniano fica fazendo teatro de guerra antiga em vez de cuidar do próprio povo. Enquanto eles evocam vitória contra Roma, perseguem cristãos e espalham agenda globalista no Oriente Médio. Brasil tem que ficar de olho aberto e defender nossa pátria, nossa família e nossa fé.
Mateus Silva
11/05/2026
Helton, você tem razão ao sentir o peso do custo de vida, mas a crítica ao “teatro” iraniano precisa ir além do moralismo: a teocracia não é uma anomalia irracional, e sim a forma de hegemonia de um bloco histórico que, como qualquer Estado capitalista, seleciona as memórias que sustentam sua dominação — a diferença é que aqui preferimos chamar de “patriotismo” o mesmo mecanismo.
Pedro
11/05/2026
Com o preço da gasolina do jeito que tá, se o Irã começar a fazer graça no Oriente Médio, o barril dispara e quem paga o pato é o motorista de aplicativo aqui no Brasil. Esse porta-voz iraniano pegou pesado, lembrança de guerra antiga não é recado pra turista não. Tomara que isso fique só na retórica, porque o bolso já não aguenta mais crise internacional.
Lucas Moreira
11/05/2026
Enquanto o Irã gasta energia relembrando batalhas de 53 a.C., a economia deles continua afundando sob sanções e corrupção estatal. Se o regime focasse em abrir mercado, atrair investimento e reduzir o tamanho do estado, não precisaria apelar para fantasias históricas pra tentar assustar alguém. Livre comércio e responsabilidade fiscal geram mais poder real que qualquer referência a Roma antiga.
João Augusto
11/05/2026
Lucas, sua leitura reduz a teocracia iraniana a um mero problema de gestão fiscal, ignorando que, como Gramsci ensina, todo bloco histórico mobiliza narrativas para consolidar hegemonia – a evocação de Carrhae não é fantasia, mas linguagem política que organiza consentimento e disciplina internos, algo que o livre mercado jamais poderia substituir enquanto a correlação de forças regionais permanecer imperialista.
Carlos Rocha
11/05/2026
Mais um regime teocrático usando história antiga pra justificar gastos militares e controle social. Enquanto isso, o contribuinte iraniano (e o americano, via sanções) paga a conta. Livre mercado e paz comercial resolveriam isso sem esse teatro.
Laura Silva
11/05/2026
Carlos, permita-me discordar frontalmente da sua saída liberal. Essa ideia de que “livre mercado e paz comercial” resolveriam o conflito com o Irã é um axioma que a história desmente sistematicamente. O que você chama de “teatro” é, na verdade, a expressão ideológica de um Estado que se formou na resistência à ingerência estrangeira – e esse “teatro” não é gratuito: ele mobiliza identidades nacionais e religiosas para sustentar a coesão social sob um regime de sanções que já dura décadas. As sanções que você menciona não são um erro de cálculo, Carlos, são uma arma de guerra econômica imposta pelos EUA e seus aliados. Quem paga a conta não é o “contribuinte americano” abstrato, mas a classe trabalhadora iraniana, que vê o preço do pão triplicar enquanto a elite clerical desvia recursos para o programa nuclear e os Corpos da Guarda Revolucionária Islâmica. O livre mercado que você propõe, na prática, significaria a abertura total do Irã ao capital estrangeiro, subordinando sua economia às mesmas cadeias globais de exploração que empobreceram o Sul Global. A paz comercial viria, mas nos termos do FMI e do Banco Mundial – com privatização dos serviços públicos, fim dos subsídios e desnacionalização do petróleo.
Além disso, evocar a vitória sobre os romanos – como fez o porta-voz iraniano – não é um mero devaneio antiquário. É um recurso discursivo de um país que foi invadido por potências ocidentais (EUA e Reino Unido em 1953) e que viveu uma guerra brutal de oito anos contra o Iraque, financiada justamente por esses mesmos “mercados livres” que vocês tanto elogiam. A memória histórica, para um povo que sofreu o colonialismo e neocolonialismo, é um instrumento de resistência, não um capricho teocrático. Dito isso, faço questão de concordar com um ponto: a aliança entre o regime dos aiatolás e o capital estatal militarizado é um dos pilares da opressão interna no Irã. O que falta ao seu diagnóstico é compreender que essa opressão não é resolvida com mais integração ao capitalismo global – ela é produto, justamente, da ausência de uma alternativa socialista que rompa com o imperialismo e com a teocracia simultaneamente. Enquanto a esquerda internacional não construir uma solidariedade de classe concreta com o povo iraniano – contra as sanções do Ocidente e contra a ditadura clerical –, o “teatro” histórico continuará sendo o único discurso de soberania que sobra.
Ricardo Almeida
11/05/2026
Carlos, sua saída liberal ignora o fato de que a história nunca foi linear nem movida apenas por interesses comerciais. Reduzir um regime teocrático a “teatro” sem entender como ele negocia identidade e poder internamente é cair na mesma armadilha de quem compra narrativas oficiais sem crítica.