O diretor-geral da Autoridade de Aviação Civil de Israel, Shmuel Zakay, denunciou que o Aeroporto Internacional Ben Gurion, próximo a Tel Aviv, foi transformado em aeródromo militar pela presença constante de aeronaves dos Estados Unidos.
Zakay enviou carta oficial à ministra de Transporte de Israel, Miri Regev, e ao diretor-geral do ministério, Moshe Ben Zaken, para expor os impactos sobre a aviação civil. O documento alerta que o uso do aeroporto como base militar prejudica o retorno de companhias aéreas estrangeiras ao país.
A autoridade israelense afirmou que a situação ameaça diretamente a estabilidade financeira das empresas de aviação locais. A redução no número de voos disponíveis provocou aumento significativo nos preços das passagens aéreas.
Diversas companhias aéreas israelenses transferiram parte de suas aeronaves para fora do país devido ao agravamento da segurança regional. O diretor executivo da companhia Israir, Uri Sirkis, revelou durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos do Parlamento israelense que sua empresa normalmente estaciona 17 aeronaves simultaneamente em Ben Gurion.
Atualmente, a empresa só tem permissão para manter quatro aeronaves durante a noite no local. Essa restrição operacional reduz a oferta de voos e eleva os custos repassados aos passageiros.
Zakay solicitou a transferência das aeronaves militares dos Estados Unidos para outras bases no território israelense. Ele pediu ainda apoio financeiro do governo para as companhias aéreas locais prejudicadas pela atual configuração do aeroporto.
O chefe da aviação civil israelense enfatizou que Ben Gurion se tornou espaço de intensa atividade militar com pouca presença de aviação civil. Essa transformação compromete o desenvolvimento e a viabilidade econômica do setor aéreo israelense.
Conforme noticiou o portal RT, a carta de Zakay expõe os custos da priorização militar sobre a infraestrutura civil. A autoridade de aviação civil defendeu medidas urgentes para restaurar o equilíbrio entre voos civis e atividades de defesa no principal hub aéreo de Israel.
Leia também: Israel diz aos EUA que punirá a Autoridade Palestina se a Corte Internacional emitir mandados
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Carlos Rocha
12/05/2026
Julia, seu discurso acadêmico bonito não apaga o fato: soberania de mentira custa caro pro contribuinte. Enquanto Israel vira aeródromo dos EUA, o brasileiro paga 40% de imposto pra ver o mesmo teatro por aqui. O problema não é “moldura estatocêntrica”, é gasto público descontrolado e falta de liberdade real. Quem paga a conta sempre é quem produz.
Ricardo Menezes
12/05/2026
Mais um caso de soberania de mentira. Enquanto o Estado inchado de Israel vive cobrando impostos altos dos cidadãos, vira vassalo logístico dos americanos sem nem pestanejar. Esquerda e direita estatista adoram esse teatrinho geopolítico — no fim, quem paga a conta é o contribuinte que financia um “país independente” que nem o próprio aeroporto controla.
Julia Andrade
12/05/2026
Ricardo, você toca num ponto central quando desnaturaliza a soberania israelense como mera fachada, mas acho que sua crítica ainda opera dentro de uma moldura muito economicista e estatocêntrica. Reduzir a capilaridade do poder a “imposto alto” e “Estado inchado” é quase um liberalismo às avessas que perde de vista a dimensão colonial da coisa. Não se trata apenas de Israel pagar caro para ser vassalo logístico — trata-se de como a própria noção de soberania no Oriente Médio foi construída sobre ruínas. O aeroporto de Ben Gurion não está sendo “usado” pelos EUA; ele foi concebido dentro de uma arquitetura de segurança que já nasceu subordinada aos interesses imperiais norte-americanos pós-67. A pergunta não é “quem controla”, mas como o controle se exerce através de redes de infraestrutura, vigilância e violência que atravessam fronteiras.
Você menciona o contribuinte que financia essa “independência” de mentira, e aí quero tensionar: qual contribuinte? O cidadão judeu israelense com direitos plenos ou o palestino com cidadania israelense que paga impostos mas vive num regime de apartheid? A categoria universal de “contribuinte” esconde hierarquias raciais e de gênero que sustentam o próprio Estado. Enquanto você enxerga um teatro geopolítico entre esquerda e direita estatista, eu vejo a performatividade da soberania como dispositivo de controle racial. O mesmo discurso de “Estado forte” que justifica a militarização do aeroporto civil é o que legitima a demolição de casas em Sheikh Jarrah e o confinamento de mulheres palestinas em pontos de checagem. Não dá para discutir a vassalagem sem discutir quem é o corpo que paga a conta — e esse corpo não é universal, é generificado e racializado.
Por fim, acho que seu comentário, ao focar no “estatismo” como o vilão, acaba flertando com uma despolitização que o imperialismo adora. A esquerda que você critica talvez não esteja fazendo “teatrinho”, mas tentando nomear que a soberania israelense sempre foi uma ficção jurídica para garantir fluxo de capital e armas — e que a mesma lógica opera aqui na Maré, na Cidade de Deus, onde o Estado também se ausenta como provedor de direitos e se apresenta como força de ocupação. A luta, como a Cecília lembrou, é uma só: contra um sistema que transforma territórios em plataformas logísticas e corpos em barreiras móveis. Mas para isso a gente precisa abandonar tanto a idolatria do “Estado mínimo” quanto a do “Estado forte” — e enxergar as teias de poder que conectam um aeroporto em Tel Aviv a uma UPP no Rio.
Major Ricardo Silva
12/05/2026
Mais uma prova de que o establishment global usa até aliados como fantoches. Enquanto a esquerda por aqui defende desmilitarização e mimimi de gênero, os americanos transformam aeroporto civil em base aérea sem pudor nenhum. Cadê a soberania de Israel? Ou isso só vale para país que não alinha com Washington?
Cecília Silva
12/05/2026
Concordo que a denúncia é grave, mas usar ela pra escanteiar pautas de gênero é papo furado, major. Na favela a gente sabe que o mesmo imperialismo que controla aeroporto alheio é o que manda bala pra nossa quebrada — a luta é uma só, não tem essa de hierarquia de opressão.