O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, respondeu com firmeza à escalada de pressões e sanções impostas pelos Estados Unidos e deixou uma mensagem direta ao governo de Donald Trump: a ilha não ameaça ninguém, mas também não cede diante de pressão externa.
A declaração foi publicada pelo próprio líder cubano em suas redes sociais, em meio a uma nova rodada de medidas coercitivas anunciadas por Washington. ‘Cuba no amenaza, ni desafía, pero tampoco teme’, escreveu Díaz-Canel, sintetizando em uma frase a postura histórica de Havana diante do bloqueio norte-americano.
O mandatário lembrou que, em mais de seis décadas de Revolução socialista, jamais partiu do território cubano uma única ação ofensiva contra a segurança nacional dos Estados Unidos. O país fica a apenas 90 milhas de distância da ilha.
Díaz-Canel também destacou que Cuba chegou a colaborar ativamente com os próprios EUA no combate a crimes transnacionais, fato documentado por organismos internacionais e reconhecido por agências de governos americanos anteriores. Segundo o portal RT, o presidente cubano apontou que a cooperação entre os dois países tem precedentes históricos concretos, ao passo que a hostilidade atual é, em sua avaliação, unilateral.
O contraste apontado pelo líder cubano é direto: enquanto Cuba nunca atacou os EUA, a ilha foi alvo de incontáveis ações ofensivas forjadas a partir do território norte-americano ao longo de todos esses anos de Revolução, deixando milhares de cubanos mortos ou feridos. ‘Assim seguiremos até as últimas consequências’, declarou Díaz-Canel, sinalizando que Havana não pretende recuar sob pressão.
Para o presidente cubano, classificar Cuba como ‘ameaça’ enquanto se decretam sanções adicionais é, nas suas próprias palavras, ‘incoerente e fantasioso’. Díaz-Canel sustentou que nem os próprios promotores dessa tese conseguem sustentá-la com argumentos sólidos, e alertou que a escalada pode ter ‘consequências inimagináveis’ para os dois países e para toda a região.
O pano de fundo da declaração é uma ordem executiva assinada por Trump em 29 de janeiro de 2025, que declarou ‘emergência nacional’ diante da suposta ‘ameaça inusual e extraordinária’ representada por Cuba. O documento acusa o governo cubano de se alinhar a países hostis, de abrigar grupos terroristas transnacionais e de permitir o desdobramento de capacidades militares e de inteligência russas e chinesas na ilha — acusações que Havana rejeita sistematicamente.
Com base nessa ordem executiva, Washington anunciou a imposição de tarifas sobre países que vendam petróleo a Cuba, além de ameaças de represálias contra quem descumprir as determinações da Casa Branca. Em resposta anterior à mesma medida, Díaz-Canel havia classificado publicamente o governo Trump de ‘camarilla fascista, criminal e genocida’ que, em sua avaliação, sequestrou os interesses do povo americano em benefício próprio.
O bloqueio econômico e comercial dos EUA contra Cuba completa mais de seis décadas de vigência, causando danos profundos à economia da ilha. A administração Trump reforçou o embargo com novas medidas coercitivas e unilaterais, enquanto Havana mantém sua posição de não negociar soberania sob coerção.
Com informações de ACTUALIDAD.
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