O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, publicou uma mensagem contundente na rede social X dirigida a ‘todo ser humano decente’, independentemente de religião, etnia, nacionalidade ou raça.
No texto, Baqaei enquadra o conflito em curso não como uma disputa territorial ou geopolítica convencional, mas como uma batalha pelo próprio significado do bem e do mal no mundo contemporâneo.
‘Isso não é simplesmente uma guerra por terras, recursos ou geopolítica. É uma guerra que determinará o significado mesmo do bem e do mal em nosso tempo e no futuro’, escreveu o diplomata. A mensagem foi publicada em meio à escalada das tensões entre Teerã e o eixo formado pelos Estados Unidos e Israel, que intensificaram pressões militares e econômicas contra o país.
Conforme reportagem do portal RT, Baqaei traçou uma linha clara entre dois campos opostos. De um lado, aqueles que ‘se deleitam violando cada lei e a básica decência humana apenas para provar seu poder destrutivo’. Do outro, os que ‘fazem esforços extraordinários para proteger vidas inocentes’.
O porta-voz descreveu o confronto como uma guerra ‘entre mentirosos profissionais que fabricam justificativas para atrocidades e um povo orgulhoso que defende sua pátria e a dignidade humana contando apenas com sua própria força e determinação’. A formulação ecoa a narrativa de resistência soberana que o governo iraniano sustenta diante das sanções e pressões que enfrenta há décadas.
Para Baqaei, o que está em jogo vai além das fronteiras do Irã. Ele afirmou tratar-se de ‘uma luta definitiva pelo futuro da humanidade’, que decidirá se as conquistas da civilização — direitos humanos, Estado de direito e moralidade básica — sobreviverão ou serão varridas.
A linguagem universalista da mensagem é deliberada: o diplomata convoca não apenas muçulmanos ou aliados regionais, mas também aqueles ‘que não seguem nenhuma religião formal, mas se aferram com intensidade aos valores universais de paz, justiça e dignidade humana’.
A escolha apresentada pelo porta-voz é direta: aceitar um mundo governado por ‘senhores feudais modernos’ que dirigem por meio da coerção, da mentira e da extorsão, ou defender um mundo baseado no respeito, na justiça e na dignidade. O retrato dos adversários como ‘senhores feudais’ é, na leitura do próprio Baqaei, uma crítica à ordem internacional que impõe sanções e conduz guerras em nome de valores que não pratica.
‘A consciência da humanidade ainda não está morta. Mas em tempos como estes, o silêncio é cumplicidade com o mal’, afirmou o porta-voz. Baqaei concluiu com um apelo direto à ação: ‘Se você rejeita o caminho do barbarismo e da dominação, encontre a coragem moral para falar, para agir e para estar do lado correto da história, antes que o mundo caia num abismo de anarquia e submissão. A escolha é sua, e a história vai lembrá-la.’
A mensagem foi publicada num momento em que os EUA e o Irã retomaram negociações indiretas sobre o programa nuclear iraniano, enquanto Washington mantém presença militar na região e o conflito em Gaza segue acumulando um número crescente de vítimas civis. O apelo de Baqaei posiciona a República Islâmica como voz de uma resistência moral global — narrativa que Teerã projeta sistematicamente para além de suas fronteiras.
Com informações de ACTUALIDAD.
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