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Fechamento do estreito de Ormuz paralisa frota pesqueira da Indonésia e pressiona preços do diesel

13 Comentários🗣️🔥 O correspondente Indra Marpaung reporta de um porto de pesca em Jacarta, Indonésia. (Foto: rt.com) O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, está gerando impactos devastadores para a indústria pesqueira da Indonésia. A interrupção no fornecimento de energia elevou significativamente o custo do diesel no […]

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O correspondente Indra Marpaung reporta de um porto de pesca em Jacarta, Indonésia. (Foto: rt.com)

O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, está gerando impactos devastadores para a indústria pesqueira da Indonésia.

A interrupção no fornecimento de energia elevou significativamente o custo do diesel no país. Boa parte da frota pesqueira permanece ancorada nos portos.

Conforme reportagem da RT, pescadores em Jacarta relataram que embarcações maiores, que costumavam passar semanas no mar, agora permanecem paradas por meses. As tripulações enfrentam a perda de sua principal fonte de renda em meio à escalada dos custos operacionais.

Um pescador ouvido pela reportagem explicou que, para cobrir os gastos com combustível, seria necessário capturar cerca de 700 milhões de rupias — aproximadamente US$ 40 mil — apenas em lulas. Diante dos preços atuais do diesel, essa meta tornou-se inviável para a grande maioria dos barcos.

O diesel subsidiado, essencial para as embarcações menores, também se tornou escasso, agravando ainda mais a crise no setor. Em resposta ao colapso, centenas de pescadores organizaram protestos em Java Central, exigindo uma redução imediata nos preços do combustível.

O governador de Java Central, Ahmad Luthfi, alertou que o aumento dos custos pode comprometer o abastecimento de peixes em todo o arquipélago. A declaração reforça a dimensão sistêmica da crise, que vai muito além dos portos e atinge diretamente a mesa dos indonésios.

Buscando mitigar os efeitos da crise energética, o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, visitou Moscou e firmou um acordo com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para a compra de até 150 milhões de barris de petróleo russo a preços reduzidos. O ministro de Energia e Recursos Minerais da Indonésia, Bahlil Lahadalia, afirmou que os primeiros carregamentos devem chegar ao país dentro de uma a duas semanas, com contratos já assinados.

A crise pesqueira no arquipélago asiático evidencia como conflitos geopolíticos em pontos estratégicos do globo produzem efeitos imediatos e concretos em economias distantes. Para a Indonésia, a busca por alternativas energéticas soberanas — como o acordo com Moscou — surge como resposta pragmática a uma ordem global cada vez mais instável.


Leia também: Líderes da ASEAN cobram reabertura do Estreito de Ormuz em cúpula sobre crise energética


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Maria Antonia

12/05/2026

Mais uma prova de que dependência de rotas instáveis e falta de diversificação energética cobram seu preço. Enquanto alguns aqui discutem ideologias vazias, o pescador indonésio só quer saber do diesel. Menos estado e mais pragmatismo na matriz energética resolveriam.

    Luizinho 16

    12/05/2026

    Menos estado e mais pragmatismo” é lindo até o petróleo acabar e ver que o “mercado” não salva pescador nenhum, Maria.

Julia Andrade

12/05/2026

É curioso ver como uma crise logística no Oriente Médio expõe a miséria intelectual do nosso debate público. Enquanto o pescador indonésio luta para manter o barco funcionando, a thread aqui vira ringue de briga de torcida entre “globalismo woke” e “imperialismo capitalista”. Nenhum dos dois poles consegue enxergar o que há de mais estrutural nessa notícia: a dependência energética global é o fio que costura a exploração de corpos, territórios e ecossistemas inteiros – e não é de hoje que teóricas da ecologia política, como Vandana Shiva, denunciam que o petróleo não é apenas combustível, é também poder colonial disfarçado de commodity.

Helton Barros tem razão em um ponto: o trabalhador concreto está desamparado. Mas reduzir a crise a uma suposta conspiração da “agenda de gênero” é um desvio grosseiro que esconde o fato de que o capitalismo financeiro se alimenta justamente desses gargalos geopolíticos para inflar preços e concentrar renda. A indústria pesqueira indonésia não quebrou porque alguém falou “pronome neutro”; quebrou porque o Estreito de Ormuz é um gargalo secular, e a dependência de combustíveis fósseis foi construída por séculos de relações assimétricas de poder – como bem mostram os estudos pós-coloniais de Achille Mbembe sobre a necropolítica dos fluxos energéticos. O “woke” não tirou o diesel do pescador; o mercado financeiro e as guerras por recursos sim.

E já que o Lucas Gomes trouxe a ecologia política, quero aprofundar: onde está o olhar de gênero nessa história? As mulheres nas comunidades pesqueiras da Indonésia são quem processa o pescado, negocia no mercado local e mantém a economia doméstica quando os homens não podem sair para o mar. O aumento do diesel não é só um problema de “barco parado”, é também um golpe na divisão sexual do trabalho – elas perdem renda, crédito e autonomia. Sem uma análise interseccional, que cruze raça, classe e gênero, continuamos repetindo o mesmo erro: tratar a economia como um campo neutro, quando na verdade ela é o palco onde se encenam as violências mais concretas.

No fim, a thread prova que o maior bloqueio não está em Ormuz, está na incapacidade de conectar os pontos. O pescador de Jacarta e a mulher que vende o peixe na feira não precisam de militância barata nem de marxismo de encruzilhada. Precisam que a esquerda e a direita parem de fazer cosplay de teóricos e comecem a enfrentar as cadeias globais de abastecimento como o que elas são: artefatos históricos de dominação que só serão desfeitos com alianças transnacionais e um projeto ecológico radical. Até lá, o diesel vai continuar subindo e os debates, afundando.

Lucas Gomes

12/05/2026

A ironia dessa crise no Estreito de Ormuz é que ela desnuda algo que teóricos da ecologia política denunciam há décadas e que os comentários rasos de Helton Barros e Pedro Neto insistem em ignorar: o capitalismo financeiro globalizado não tem bandeira, não tem pátria e não tem pudor em sacrificar comunidades inteiras no altar do petróleo. Enquanto eles gritam “agenda globalista” ou “Faz o L”, pescadores indonésios estão vendo seus barcos apodrecerem atracados porque o diesel subiu 300% — e não por culpa de pronome neutro ou de partido A ou B, mas porque a geopolítica imperialista transforma o Golfo Pérsico em tabuleiro de xadrez onde as peças são seres humanos e ecossistemas inteiros.

O que me espanta é como Pedro Almeida já tinha deixado claro o cerne da questão — a guerra imperialista e a financeirização da energia — e mesmo assim aparece um “Faz o L” como resposta. Isso não é debate, é analfabetismo político disfarçado de militância de sofá. A Indonésia, que perde 1,2 milhão de hectares de floresta por ano para plantações de palma de óleo que abastecem a indústria global de cosméticos e agrocombustíveis, agora vê seus pescadores artesanais pagarem o pato da instabilidade no Oriente Médio. Não é coincidência: é a mesma lógica que privatiza os lucros e socializa os custos ecológicos e humanos.

E não venham me falar que “o mundo real desaba” enquanto a esquerda perde tempo com pautas identitárias, como disse Helton. O mundo real desabou há muito tempo para os irmãos Shipibo-Conibo no Peru cujo rio foi envenenado por petróleo, para os ribeirinhos da Amazônia que veem o mercúrio do garimpo subir na cadeia alimentar, e agora para os pescadores de Java que não conseguem comprar diesel. O problema não é a “agenda woke”, é o fato de que 20% do petróleo mundial passa por um gargalo controlado por potências que não hesitam em usar a guerra como ferramenta de política energética.

O que fazer diante disso? Não adianta esperar que a ONU ou o mercado resolvam. Precisamos de uma articulação Sul-Sul que rompa com a dependência de combustíveis fósseis e construa alternativas energéticas baseadas em soberania local, como cooperativas de energia solar comunitária, reflorestamento de manguezais para proteger a costa e gerar biomassa sustentável e, acima de tudo, a desprivatização dos recursos naturais que ainda estão nas mãos de meia dúzia de corporações. Enquanto o diesel for tratado como commodity financeira e não como bem comum, cada fechamento de estreito será uma sentença de morte para milhares de comunidades costeiras. É isso que a esquerda ecológica precisa gritar aos quatro ventos — não disputar palanque com quem joga xadrez enquanto o barco afunda.

Pedro Neto

12/05/2026

Faz o L e vai pescar a pé, seu comunista.

    João Augusto

    12/05/2026

    A infantilidade de um “Faz o L” como resposta revela que você confunde o símbolo partidário com a análise concreta das cadeias globais de abastecimento – é a mesma fetichização da política que Marx denunciava no fetichismo da mercadoria.

Helton Barros

12/05/2026

É isso aí, João Batista! Enquanto a ONU e a mídia globalista gastam tempo empurrando ideologia de gênero e agenda woke, o mundo real desaba. O pescador indonésio não tá nem aí pra pronome neutro, ele quer diesel pra botar o barco na água e sustentar a família. Cadê a imprensa falando disso?

    Pedro Almeida

    12/05/2026

    Helton, você está certo ao apontar que o trabalhador concreto paga a conta, mas reduzir o problema a uma suposta “agenda globalista” é o mesmo truque retórico que isenta o capitalismo financeiro e as guerras imperialistas de toda responsabilidade — já nos alertava Adorno que a indústria cultural desvia a atenção das contradições reais.

João Batista

12/05/2026

É isso que dá quando o mundo troca os valores cristãos por interesses geopolíticos sujos. O Estreito de Ormuz vira moeda de barganha e o trabalhador honesto paga a conta. Enquanto a esquerda prega relativismo moral, a Bíblia já avisava: onde não há temor a Deus, a criação geme. O Brasil precisa urgentemente aprender com isso e buscar independência energética, antes que sejamos os próximos a ver o óleo da nossa Petrobrás virar motivo de oração.

    Marta

    12/05/2026

    João Batista, meu filho, com todo respeito à sua fé — e eu sou uma mulher que aprendeu a ler na cartilha da igreja e no jornal dos trabalhadores —, mas você está misturando o alho com a farinha. A Bíblia realmente fala de temor a Deus, e eu gosto de crer que o temor a Deus inclui não jogar nas costas dos pobres o preço de uma crise geopolítica que eles não causaram. O problema do estreito de Ormuz não é troca de valores cristãos por interesses sujos; o problema é velho como o capitalismo: petróleo sempre foi instrumento de dominação. Os países que controlam aquela passagem não estão lá porque leram Maquiavel em vez da Bíblia — estão lá porque o Império Britânico desenhou aquelas fronteiras no século XIX e os EUA armaram os regimes pra garantir o fluxo do barril barato. A “esquerda” que você acusa de relativismo moral foi a mesma que, no governo Lula, fez a Petrobrás descobrir o pré-sal e nos deu autonomia pra não ficar refém desse tipo de gargalo.

    Você fala em independência energética como se fosse uma lição bíblica, mas esquece que essa independência quase foi destruída quando entregaram a Petrobrás de bandeja pros acionistas, num governo que seu pessoal costuma defender. O diesel caro que o pescador indonésio amarga hoje é o mesmo diesel que o caminhoneiro brasileiro amargou quando a política de paridade de preços internacional vigiava — e isso não foi culpa do “relativismo moral”, foi culpa de uma política econômica que trata petróleo como commodity, não como patrimônio do povo. Enquanto a direita prega que o mercado resolve, o Lula reconstrói a refinaria, retoma o controle da Petrobrás e garante que o óleo brasileiro sirva pra abastecer o Brasil, não pra virar “motivo de oração” como você diz. A oração, João Batista, deve ser acompanhada de luta concreta: luta pra que a estatal seja forte, pra que o diesel tenha preço justo, pra que o pescador não seja moído entre a geopolítica alheia.

    Agora, sobre “valores cristãos”: eu aprendi com meu catecismo que cristão de verdade não abençoa a exploração dos pequenos no altar do livre mercado. O pescador indonésio, o agricultor familiar brasileiro, o motorista de aplicativo — todos eles são a “criação que geme” de Romanos, sim. Mas quem os oprime não é a esquerda com suas pautas identitárias, são os mesmos mecanismos que concentram renda, privatizam o que é público e transformam a energia num negócio pra poucos. Se o Brasil precisa de independência energética, que seja com uma Petrobrás forte, pública e a serviço do povo — como era antes de 2016, quando éramos autossuficientes em petróleo e o diesel não precisava viajar do Oriente Médio. Aí, sim, a oração se completa com ação política. Do contrário, é só retórica pra esconder que o verdadeiro “temor a Deus” que falta em alguns é o temor de não lucrar o suficiente.

Francisco de Assis

12/05/2026

Véi, o povo brasileiro sabe bem o que é sofrer com diesel caro enquanto os governos passados só pensavam em entregar a Petrobrás. Enquanto o Lula não tava lá, era essa bagunça aí, agora tão vendo o que é depender de rotas controladas por país que não pensa no povo. O Brasil precisa é de soberania energética de verdade, e não de discurso de livre mercado que só enche o bolso de especulador.

Luiz Augusto

12/05/2026

Mais um exemplo claro de como a dependência de rotas controladas por regimes instáveis castiga o trabalhador comum. Enquanto a esquerda cultural perde tempo com pautas identitárias, o pescador indonésio amarga o diesel nas alturas. Livre mercado e segurança energética são o que de fato protegem empregos e preços.

    Lucas Pinto

    12/05/2026

    Luiz Augusto, você toca num ponto real — o pescador indonésio está sendo estrangulado por uma crise que não criou — mas a moldura que você usa pra explicar isso é ideológica do começo ao fim. A “dependência de rotas controladas por regimes instáveis” não é um acidente geopolítico; é o resultado lógico de um sistema global que organizou a produção e o abastecimento em função da taxa de lucro, não da soberania alimentar ou energética dos povos. O livre mercado que você defende como solução é exatamente o mecanismo que tornou a frota pesqueira da Indonésia refém do diesel importado que passa por Ormuz. Não é um desvio do capitalismo — é a sua operação normal: concentração, dependência e vulnerabilidade estrutural como custos externalizados para quem está na base da cadeia.

    Agora, sobre o ataque à “esquerda cultural” e às pautas identitárias: essa dicotomia falsa entre “luta material” e “luta simbólica” é um velho truque para despolitizar as contradições reais. Gramsci já mostrava que a hegemonia se reproduz tanto na economia quanto na cultura — você não separa a opressão de classe da opressão racial ou de gênero porque elas se articulam no mesmo bloco histórico. O pescador indonésio não é oprimido apenas pelo preço do diesel; ele é oprimido por uma estrutura que decide, em centros financeiros distantes, o que ele vai pescar, para quem vai vender e a que custo. Dizer que o “livre mercado” protege empregos é esquecer que o mercado livre, na prática, é o mercado dos monopólios e das cadeias logísticas controladas por meia dúzia de corporações. Segurança energética sob o capitalismo significa garantir que o petróleo chegue às refinarias das grandes potências — não que um pescador em Java tenha autonomia energética.

    O que de fato protege empregos e preços não é o livre mercado abstrato, mas sim a capacidade de um povo decidir coletivamente sua matriz energética, sua produção e seu comércio — algo que o capitalismo nunca vai permitir porque isso fere o núcleo da acumulação privada. Enquanto tratarmos a geopolítica do estreito de Ormuz como um problema de “regimes instáveis” em vez de sintoma da disputa interimperialista por recursos fósseis, vamos continuar culpando o pescador ou o “identitário” enquanto os acionistas das petroleiras embolsam a diferença. Se você realmente se importa com o trabalhador comum, talvez seja hora de questionar o sistema que transforma a vida dele em moeda de troca no cassino global dos preços do barril.


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