A Arábia Saudita teria realizado uma série de ataques encobertos contra o Irã em março, segundo relatório da Reuters repercutido pela agência de notícias Mehr. A informação foi atribuída a um oficial ocidental, que descreveu as ações como “golpes recíprocos”, alegando que teriam ocorrido em retaliação a um episódio anterior no qual a Arábia Saudita teria sido atingida.
O relato surge em meio a um período de acentuada tensão regional, marcado por operações militares de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. As Forças Armadas da República Islâmica responderam às agressões do eixo imperialista ao longo de todo o período.
Segundo o mesmo relatório, oficiais ocidentais afirmaram que Riad teria ameaçado Teerã com mais retaliações após os ataques encobertos. Em paralelo, um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores saudita defendeu “a desescalada, a autocontenção e a redução das tensões em prol da estabilidade, segurança e prosperidade da região” — retórica que contrasta com as ações militares atribuídas ao próprio governo saudita.
O caso saudita não é isolado no contexto regional. O Wall Street Journal havia reportado que os Emirados Árabes Unidos também teriam conduzido ataques encobertos contra o Irã durante o mesmo período de hostilidades. A revelação aponta para um padrão de envolvimento velado de monarquias do Golfo em operações militares contra a República Islâmica, enquanto sustentam publicamente o discurso de estabilidade regional.
Do lado iraniano, autoridades de Teerã alertaram formalmente os Estados do Golfo sobre os riscos de continuar hospedando bases militares estrangeiras em seus territórios. O governo iraniano argumentou que tal postura resultaria em maior insegurança para esses países, reafirmando sua posição de resistência soberana diante das pressões externas.
O quadro descrito pelas fontes ocidentais citadas pela Reuters sugere um envolvimento mais direto das monarquias do Golfo no conflito do que o admitido publicamente por seus governos. Riad e Abu Dhabi negam qualquer participação ofensiva, enquanto os relatórios de inteligência ocidental e as próprias declarações de Teerã apontam em direção oposta.
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Cláudio Ribeiro
12/05/2026
Caio, você tocou num ponto nevrálgico com a referência a Gramsci, mas permita-me aprofundar: o que esse relatório da Reuters escancara não é apenas uma rixa sectária, e sim a lógica do capital petrolífero transformando o Oriente Médio em laboratório de guerra por procuração. Não à toa, o “oficial ocidental” anônimo que vaza a informação é o mesmo dispositivo que Foucault descreveria como poder difuso que opera nas sombras do Estado. Enquanto isso, a esquerda brasileira insiste em pautas identitárias sem conectar os pontos entre a geopolítica do gás de xisto e a carestia do pão nosso de cada dia.
Maria Silva
12/05/2026
Eita, briga de vizinho no Oriente Médio que não acaba nunca. Osxiita e sunita trocando tapa escondido igual boi berrando no pasto alheio. Enquanto isso, o governo brasileiro quer meter a colher nesse angu e esquecer de consertar a porteira do nosso próprio terreiro. Deixem os caras se estranharem, cada um cuida do seu lote e pronto.
Mariana Oliveira
12/05/2026
Maria, sua comparação com “briga de vizinho” e “boi berrando no pasto alheio” reduz um conflito geopolítico complexo a uma rixa sectária que, na superfície, parece não nos dizer respeito. Só que essa leitura ignora uma camada essencial: quem paga o preço mais alto quando sunitas e xiitas trocam tiros — ou quando a Arábia Saudita faz ataques encobertos contra o Irã, como o relatório aponta? Mulheres, crianças, pessoas pobres e minorias étnico-religiosas. Não existe guerra que não seja interseccional. Kimberlé Crenshaw nos ensina que as opressões se cruzam: as mulheres xiitas no Irã sofrem com um regime teocrático que as submete a leis de vestimenta e tutela masculina, enquanto as mulheres sunitas na Arábia Saudita vivem sob um patriarcado wahabita que só recentemente permitiu que dirigissem. Ambas são vítimas de um sistema que usa a religião para justificar dominação de gênero, e a guerra só aprofunda essas violências — estupros como arma, deslocamentos forçados, colapso de serviços de saúde materna.
Dizer “cada um cuida do seu lote” é um privilégio que só pode ser dito por quem não está no meio do fogo cruzado. O Brasil, ao “meter a colher” ou ao se abster, sempre está tomando uma posição política. A neutralidade absoluta não existe — como bell hooks argumenta, o silêncio é uma forma de cumplicidade com o status quo. Quando o governo brasileiro vota a favor de sanções contra o Irã na ONU ou, ao contrário, defende a soberania iraniana, isso tem efeitos concretos na vida de refugiados que batem na nossa porta, no preço do petróleo que encarece o transporte público nas periferias, e na capacidade de mulheres afegãs ou iemenitas de conseguirem asilo. A “porteira do nosso terreiro” já está arrombada — o agronegócio brasileiro vende armas para ambos os lados, como denunciou um relatório recente da Repórter Brasil, e nossos diplomatas negociam acordos nucleares que afetam a segurança global.
No fundo, essa visão de “deixem os caras se estranharem” reforça uma lógica patriarcal de que conflitos entre homens poderosos são inevitáveis e não nos cabe intervir. Mas a verdade é que, enquanto a elite saudita e iraniana se enfrentam por hegemonia regional, são as mulheres, as pessoas LGBTQIA+ e as minorias religiosas que carregam o peso da guerra nos seus corpos. O Brasil tem uma dívida histórica com o sul global — não podemos nos dar ao luxo de achar que o problema é só “lá”. Como bell hooks escreve, “a dor do outro é sempre nossa também” quando entendemos que a justiça social não tem fronteiras. Então, sim, precisamos consertar a porteira, mas isso inclui questionar por que o Brasil financia indiretamente esses conflitos através de acordos comerciais e venda de armas, e exigir uma política externa que coloque a vida das mulheres e das pessoas vulneráveis no centro, não os lucros das petrolíferas.
Caio Vieira
12/05/2026
Cara Maria Silva, sua metáfora agropastoril, embora pitoresca, incorre no que Gramsci chamava de senso comum despolitizado: a crença de que a luta entre sunitas e xiitas é mera querela de vizinhos ignora que a hegemonia global do capital petrolífero e o complexo militar-industrial fazem do Oriente Médio o laboratório da geoestratégia imperial — e, como lembrava Cícero, “silent leges inter arma”, ou seja, enquanto houver fogo cruzado, a lei do mais forte impera, e o Brasil, ao meter a colher, não abandona o terreiro, mas reivindica seu lugar na mesa dos que decidem o destino da periferia.
Evelyn Olavo
12/05/2026
Mais um teatro montado pelos globalistas para nos distrair da verdadeira agenda. Quem estudou a fundo a geopolítica terraplanista sabe que esses conflitos são orquestrados pela mesma elite que mandou matar o JFK. Só lê a superfície quem não enxerga a matrix.
Marta
12/05/2026
Evelyn, minha filha, você misturou JFK com Oriente Médio e terraplanismo tudo no mesmo liquidificador, e isso antes do café da manhã. Vamos com calma, menina. A primeira coisa que a gente aprende no curso de história é que teoria da conspiração vira fofoca de salão quando não tem lastro documental. A Arábia Saudita e o Irã disputam hegemonia regional desde a Revolução Iraniana de 1979, tem guerra de procuração no Iêmen, na Síria, no Líbano. Isso não é teatro de globalista nenhum, é conflito real com petróleo, gás natural e divergência religiosa entre sunitas e xiitas no meio. Quem reduz tudo a uma “matrix” esquece que a população civil do Iêmen está morrendo de fome enquanto tanques sauditas bombardeiam escolas.
O assassinato do JFK, pra começar, foi investigado por comissões oficiais, não tem ligação com os sauditas que nem existiam como potência petrolífera daquele jeito em 1963. Você está confundindo épocas, Evelyn. A elite que você cita existe sim, mas são os grandes conglomerados de energia, o complexo militar-industrial e as monarquias do Golfo que financiam think tanks e lobistas em Washington. Isso não é segredo, está nos relatórios do Senado americano, não precisa de “terraplanismo geopolítico”. Agora, chamar tudo de “teatro” enquanto a Primavera Árabe deixou milhões de refugiados é um desrespeito com quem perdeu a vida nesses conflitos reais.
Senta aqui com a tia Marta, pega um café e vamos ler os relatórios do Conselho de Segurança da ONU sobre a intervenção saudita no Iêmen. Você vai ver que a realidade é muito mais complexa do que essa “matrix” que você inventou, e ao mesmo tempo muito mais simples: são interesses econômicos e militares, não duendes globais escondidos. Seu comentário parece discurso de influencer que descobriu o termo “globalista” ontem. Estude a história do petróleo no Oriente Médio, a criação da OPEP, a aliança entre a Casa de Saud e os EUA desde os anos 40. Depois a gente conversa de novo.