O porta-voz do Exército da República Islâmica do Irã, general de brigada Mohammad Akraminia, anunciou que Teerã não permitirá que armamento norte-americano transite pelo estreito de Ormuz em direção às bases militares dos EUA na região.
A declaração representa uma escalada significativa no confronto entre as duas potências, em meio a tensão persistente no Golfo Pérsico. O general afirmou que qualquer país que deseje utilizar a rota deve fazê-lo sob a supervisão das Forças Armadas do Irã, o que garantiria uma passagem sem incidentes.
Akraminia detalhou a estrutura de controle operacional sobre o estreito: a parte ocidental está sob supervisão da Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI), enquanto a parte oriental é controlada pela Marinha do Exército iraniano. Segundo o porta-voz, esse controle coordenado e sinérgico reforça a soberania do Irã sobre a região.
O general acrescentou que a via poderá gerar receitas que duplicariam os rendimentos petrolíferos do país — uma referência direta à lei em tramitação que prevê a cobrança de pedágios pelo trânsito na rota. Em tom contundente, Akraminia prometeu ainda o fim da presença militar dos EUA no Oriente Médio.
A expansão do domínio iraniano sobre o estreito foi confirmada também por Mohammad Akbarzadeh, adjunto político das Forças Navais do CGRI. Ele informou que o Irã ampliou sua zona de controle na região de 30 a 50 quilômetros para 500 quilômetros.
Akbarzadeh explicou que a zona se estende desde as costas dos condados de Jask e Sirik, no continente, até além da ilha de Tunb. A República Islâmica, segundo o funcionário, está monitorando com atenção e autoridade todos os movimentos regionais e não permitirá nenhum tipo de intrusão em suas águas e interesses.
Conforme reportou a RT en Español, o Irã está promulgando uma lei que contempla a cobrança de pedágios pelo trânsito na rota. Isso transformaria o estreito em instrumento de receita soberana, além de ferramenta geopolítica de primeira ordem.
Do lado americano, o Comando Central dos EUA afirmou que o bloqueio naval ordenado pelo presidente Donald Trump segue sendo aplicado em sua totalidade. Segundo o próprio Comando Central, a operação já desviou 65 embarcações comerciais e inutilizou outras quatro.
O estreito de Ormuz é a passagem por onde transita cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, tornando qualquer restrição ao seu uso um fator de pressão imediata sobre os mercados globais de energia. A combinação de bloqueio mútuo, expansão da zona de controle iraniana e a perspectiva de pedágios obrigatórios configura um novo patamar de disputa pela soberania sobre uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.
Com informações de ACTUALIDAD.
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