A Marinha do Paquistão incorporou ao seu arsenal o PNS Hangor, o primeiro submarino da classe Hangor fabricado pela China, marcando um salto significativo na capacidade naval do país.
A informação foi divulgada pelo jornal indiano Economic Times e repercutida pela agência Sputnik, que detalhou os contornos do programa de modernização submarina paquistanesa.
O PNS Hangor é o primeiro de um lote de oito submarinos da mesma classe encomendados à China. Os sete restantes, construídos na cidade de Sanya, na ilha de Hainan, devem ser entregues ao Paquistão até 2028.
Com a entrada em operação do PNS Hangor, o Paquistão passa a contar com quatro submarinos equipados com sistema de propulsão independente de ar, tecnologia conhecida pela sigla AIP. Os outros três são os submarinos da classe Agosta-90B, de origem francesa, desenvolvidos pela Naval Group e já em serviço na frota paquistanesa.
A tecnologia AIP é considerada um diferencial estratégico de primeira ordem na guerra submarina moderna. Ela permite que os submarinos operem submersos por períodos muito mais longos sem emergir para recarregar baterias, tornando-os significativamente mais silenciosos e difíceis de detectar por sistemas de sonar adversários.
Com a conclusão das entregas previstas para 2028, a frota total de submarinos do Paquistão poderá chegar a 11 unidades. Trata-se de uma expansão considerável para um país que opera em uma das regiões geopoliticamente mais tensas do mundo, com fronteiras marítimas estratégicas no Mar da Arábia e rivalidade histórica com a Índia.
A parceria sino-paquistanesa no setor de defesa não é novidade, mas o programa da classe Hangor representa seu capítulo mais ambicioso até o momento. A China se consolidou como principal fornecedora de equipamentos militares ao Paquistão, em um eixo de cooperação que vai da tecnologia nuclear às plataformas navais, passando por aeronaves de combate e sistemas de mísseis.
O aprofundamento dessa aliança ocorre em um contexto de reconfiguração de forças no Indo-Pacífico, região que concentra crescente atenção das grandes potências. O fortalecimento da Marinha paquistanesa com tecnologia chinesa de ponta reequilibra a equação de poder naval na região, onde a Índia conta com apoio logístico e tecnológico crescente dos Estados Unidos e de seus aliados ocidentais.
Quando o programa estiver completo, o Paquistão terá uma das frotas submarinas mais modernas do Sul da Ásia. A capacidade de operação prolongada e a furtividade ampliada pela propulsão AIP serão acompanhadas de perto por analistas militares e governos da região.
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