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Resíduos orgânicos elevam resistência do solo a ondas de calor extremo, aponta estudo

0 Comentários🗣️🔥 Pesquisadores analisam amostras de solo em laboratório. (Foto: phys.org) As ondas de calor que castigam o sul da Espanha durante o verão não afetam apenas os seres humanos: os microrganismos que habitam o solo também sofrem consequências severas, com impacto direto sobre serviços ecossistêmicos essenciais como o sequestro de carbono e a nutrição […]

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Pesquisadores analisam amostras de solo em laboratório. (Foto: phys.org)

As ondas de calor que castigam o sul da Espanha durante o verão não afetam apenas os seres humanos: os microrganismos que habitam o solo também sofrem consequências severas, com impacto direto sobre serviços ecossistêmicos essenciais como o sequestro de carbono e a nutrição das plantas.

Quando as temperaturas ultrapassam os 40 graus Celsius, a capacidade desses organismos de capturar carbono diminui drasticamente. Ao se atingir os 50 graus, essa função cessa quase por completo.

Um estudo conduzido pela Universidade de Córdoba, em parceria com a Bangor University, do Reino Unido, identificou o limiar de temperatura que solos de diversas regiões mediterrâneas conseguem suportar antes de começar a se degradar. A pesquisa foi publicada no European Journal of Soil Science e aponta medidas concretas para mitigar esses danos.

O destaque vai para o uso de aditivos orgânicos capazes de aumentar a resiliência do solo diante do calor extremo. Os solos calcários da província de Córdoba, frequentemente expostos a temperaturas extremas, perdem quase toda a sua reserva de fósforo quando submetidos a calor acima de 40 graus.

Para enfrentar esse problema, a equipe de pesquisa — composta pelos cientistas Sana Boubehziz, Antonio Sánchez Rodríguez e Vidal Barrón — investigou o potencial de aditivos orgânicos como o alperujo. Trata-se de um subproduto da produção de azeite de oliva, testado para fortalecer a estrutura e a funcionalidade do solo.

Após um período de incubação de duas semanas, as amostras tratadas com aditivos orgânicos apresentaram aumento significativo tanto na resistência térmica quanto na disponibilidade de fósforo. O alperujo se destacou como o mais eficaz entre os materiais testados, elevando o limiar de tolerância do solo até os 50 graus Celsius, conforme detalhou o portal Phys.org.

A principal investigadora do projeto, Sana Boubehziz, ressaltou a importância de tratar cada tipo de solo conforme suas características específicas, rejeitando abordagens genéricas. Ela enfatizou que o uso de fertilizantes à base de matéria orgânica é mais saudável para o solo a longo prazo, prolongando sua vida útil e aumentando a produtividade agrícola.

O alperujo, subproduto abundante da indústria oleícola da Andaluzia, ganha destaque adicional por seu encaixe natural em estratégias de economia circular. Ele transforma um resíduo industrial em insumo de alto valor ambiental, representando uma solução de baixo custo e alta eficiência para produtores da região mediterrânea.

Além dos benefícios econômicos diretos, a preservação da saúde do solo carrega uma dimensão social e climática de grande peso. Por ser um recurso essencialmente não renovável — dado o ritmo extremamente lento de sua regeneração natural —, o solo desempenha papel central na captura de carbono atmosférico.

Cuidar do solo torna-se, assim, uma ferramenta estratégica no combate às mudanças climáticas que, paradoxalmente, aceleram sua própria degradação. É uma forma concreta de interromper esse ciclo destrutivo antes que ele se torne irreversível.


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