O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro foi alvo de uma operação da Polícia Federal batizada de ‘Sem Refino’, que investiga um sofisticado esquema de ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior envolvendo o conglomerado econômico ligado à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
A ação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. O Supremo Tribunal Federal determinou medidas de afastamento de função pública no âmbito da operação.
A Polícia Federal não mencionou nomes em sua comunicação oficial. O envolvimento de Castro foi revelado pela GloboNews, que acompanhou a movimentação policial no condomínio de luxo onde o ex-governador reside, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.
Também foi alvo da operação o empresário Ricardo Magro, apontado pelas autoridades como líder do grupo investigado. Segundo as investigações, o conglomerado estruturou uma rede com cerca de 50 fundos de investimento para esconder bilhões de reais gerados no setor de combustíveis.
Muitos desses fundos estavam registrados no exterior, incluindo o estado de Delaware, nos Estados Unidos. Eram utilizados para blindar patrimônio, disfarçar lucros ilícitos e dificultar o rastreamento das movimentações financeiras pelas autoridades.
As autoridades calculam que o esquema causou um prejuízo de R$ 26 bilhões aos cofres estaduais e federais. Também foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.
Trata-se de uma das maiores operações de combate à sonegação e lavagem de dinheiro no mercado de combustíveis da história recente do país. O Grupo Refit já havia sido alvo de uma megaoperação da Receita Federal sob suspeita de liderar um esquema semelhante de sonegação e lavagem de dinheiro.
As investigações daquela fase já apontavam para a mesma estrutura de fundos usada para blindar o patrimônio do grupo e dificultar a ação do fisco. A trajetória política de Castro adiciona um elemento relevante ao caso.
O ex-governador renunciou ao cargo em 23 de março, alegando que disputaria uma vaga ao Senado Federal. A renúncia ocorreu um dia antes de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral que o tornou inelegível por abuso de poder político e econômico, decisão que encerrou abruptamente sua carreira eleitoral.
A operação integra as apurações conduzidas no âmbito da ADPF 635/RJ, conhecida como ‘ADPF das Favelas’, que impôs restrições ao estado do Rio de Janeiro com o objetivo de reduzir a letalidade policial. Conforme reportagem da Carta Capital, a publicação tentou contato com Cláudio Castro e com a Refit, mas aguardava retorno até o fechamento da matéria.
Com informações de Carta Capital.
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