O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu que tanto os EUA quanto a China praticam espionagem em escala significativa. Em declaração direta, resumiu a dinâmica ao afirmar que ambas as potências realizam operações de inteligência como parte da competição geopolítica.
A admissão ocorre em meio a acusações recíprocas entre os dois países. Os EUA frequentemente alegam violações cibernéticas chinesas contra empresas americanas, enquanto a China denuncia interferências de agências de inteligência dos EUA em suas infraestruturas críticas.
Segundo o portal RT, a fala de Trump pode representar uma estratégia para desconstruir narrativas unilaterais usadas para justificar sanções contra Pequim. A abordagem reconhece a espionagem como ferramenta bilateral comum na arena internacional.
As tensões entre EUA e China se intensificaram nos últimos anos, especialmente em comércio e tecnologia. Disputas sobre tarifas e controle de semicondutores são influenciadas por práticas de inteligência, com o roubo de propriedade intelectual servindo como pretexto para medidas protecionistas.
Incidentes históricos ilustram essa simetria. Operações de ciberespionagem atribuídas a ambos os lados, como ataques a servidores governamentais e empresas de tecnologia, demonstram a reciprocidade das ações. A normalização dessa realidade por Trump sugere abertura para diálogos mais pragmáticos.
A segurança cibernética é prioridade para ambos os países. Os EUA investem em contramedidas contra ameaças chinesas, enquanto a China fortalece seu sistema de defesa digital para mitigar infiltrações ocidentais.
A competição em setores como inteligência artificial e redes 5G torna a espionagem um elemento central das rivalidades econômicas. A declaração de Trump levanta debates sobre a ética dessas práticas e a soberania digital entre nações rivais.
Em negociações comerciais, a admissão pode reduzir acusações mútuas, permitindo foco em acordos concretos. Analistas observam, porém, que a transparência não elimina as atividades de espionagem, mantendo um ciclo de desconfiança entre Washington e Pequim.
A postura de Trump contrasta com a retórica anterior, que enfatizava apenas as supostas transgressões chinesas. A franqueza marca uma mudança no tratamento do tema, tradicionalmente envolto em sigilo.
A declaração reforça que a espionagem mútua é inerente à competição entre potências. O mundo observa como essa dinâmica pode redefinir o equilíbrio global de poder nos próximos anos.
Com informações de ACTUALIDAD.
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Cecília Alves
15/05/2026
Sinceramente, pra quem defende estado mínimo, é irônico ver duas máquinas estatais gigantescas gastando bilhões pra violar a privacidade alheia enquanto cidadãos comuns pagam a conta. No fim das contas, espionagem mútua só serve pra alimentar a paranoia burocrática e justificar mais impostos e menos liberdade individual.
Mariana Oliveira
15/05/2026
Cecília, seu ponto sobre a contradição entre o discurso do estado mínimo e a realidade do aparato de vigilância transnacional é certeiro, mas eu acrescentaria uma camada interseccional que torna essa ironia ainda mais cruel. Enquanto os bilhões despejados em espionagem mútua entre EUA e China alimentam a paranoia burocrática que você denuncia, há corpos que sentem o peso dessa vigilância de forma radicalmente desigual. A mesma maquinaria que intercepta comunicações diplomáticas também é usada para monitorar comunidades racializadas, ativistas de esquerda, imigrantes e mulheres que ousam desafiar as fronteiras do poder. Não se trata apenas de “cidadãos comuns pagando a conta” – é que alguns cidadãos pagam com a própria liberdade, criminalizados antes mesmo de qualquer crime, simplesmente por existirem em corpos que o Estado aprendeu a ler como ameaça. A filósofa Simone Browne, em Dark Matters: On the Surveillance of Blackness, mostra como a vigilância sempre funcionou como tecnologia de racialização, desde os cartazes de escravos fugidos até os algoritmos de reconhecimento facial que erram desproporcionalmente em rostos negros.
E aqui entra a falácia liberal da “privacidade alheia” que você menciona. A privacidade nunca foi um direito universalmente distribuído; ela é um privilégio que protege uns enquanto expõe outros. Quando eu, como mulher negra e ativista, denuncio que a espionagem estatal viola liberdades individuais, preciso me perguntar: qual indivíduo? Aquele que o Estado historicamente protegeu ou aquele que sempre foi alvo de patrulhamento? A vigilância mútua entre potências não só justifica mais impostos e menos liberdade, como você disse, mas também recrudesce o controle sobre populações que já vivem sob escrutínio permanente – vide o uso de dados coletados por agências de inteligência para perseguir famílias imigrantes nos EUA ou para desmantelar movimentos sociais em ambos os países. Não é à toa que as mesmas forças políticas que bradam contra o “big government” são as primeiras a expandir o orçamento militar e de vigilância, desde que isso sirva para manter intactas as hierarquias raciais e de gênero que estruturam o capitalismo global.
O que torna essa equação ainda mais perversa, Cecília, é que a “conta” paga pelos cidadãos comuns não é apenas monetária – é existencial. O dinheiro drenado para a NSA ou para o Ministério da Segurança do Estado chinês sai diretamente de setores que poderiam financiar saúde, educação e políticas de enfrentamento à violência de gênero. Enquanto as duas maiores economias do planeta se vigiam mutuamente com tecnologia de ponta, mulheres e pessoas LGBTQIA+ seguem sendo assassinadas com taxas alarmantes, e as políticas de austeridade corroem justamente os serviços que poderiam proteger essas vidas. A paranoia burocrática que você denuncia é, no fundo, um projeto de manutenção de poder que instrumentaliza o medo do “outro” – seja o espião chinês, o terrorista ou o imigrante – para justificar a erosão de direitos, enquanto os verdadeiros beneficiários desse sistema seguem intocados em suas torres de marfim, com seus sigilos bancários e suas offshores muito bem protegidos da “espionagem mútua” que alegadamente serve à segurança nacional. A questão não é apenas ironia: é um projeto colonial de vigilância que se atualiza em cada nova tecnologia, e que precisa ser desmontado a partir de uma luta anticapitalista e antirracista, e não apenas com o sonho liberal de um estado que nos deixe em paz – porque, para muitos de nós, a paz nunca esteve no horizonte do contrato social.