A Polícia Federal (PF) iniciou inquérito para verificar se o Mercury Legacy Trust, fundo gerido pelo advogado Paulo Calixto, foi usado para contornar bloqueios judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF) contra Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal do PL de São Paulo. Calixto, responsável pela assessoria jurídica e imigratória do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro nos EUA, administra o veículo que adquiriu uma residência avaliada em R$ 3,6 milhões em Arlington, Texas.
A compra, registrada em documentos oficiais do Texas, ocorreu por meio de uma estrutura comum no mercado americano para gestão patrimonial. A PF analisa se o fundo serviu para sustentar Eduardo Bolsonaro no exterior enquanto suas contas no Brasil permanecem bloqueadas por decisões do STF, o que poderia configurar evasão de divisas ou lavagem de dinheiro.
O mesmo administrador controla a Havengate Development Fund, entidade que recebeu aportes milionários do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao longo de 2025. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, teria solicitado R$ 61 milhões a Vorcaro para financiar a cinebiografia Dark Horse, sobre seu pai.
O filme, apresentado como produção independente, teria como objetivo retratar a trajetória do ex-presidente sob a ótica de seus aliados. No entanto, a PF investiga se os recursos repassados pela empresa Entre Investimentos e Participações foram desviados de sua finalidade original, destinada à produção cultural.
André Porciuncula, ex-policial militar e ex-assessor da Secretaria da Cultura durante o governo Bolsonaro, figura como gestor do fundo comprador nos registros oficiais. Fontes próximas ao clã afirmam que ele atua como representante operacional de Eduardo Bolsonaro no Texas, coordenando interesses patrimoniais e financeiros do ex-deputado na região.
Flávio Bolsonaro confirmou ter buscado investimentos junto a Vorcaro, mas negou qualquer desvio de recursos para custear a vida do irmão no exterior. O senador afirmou que os depósitos, realizados entre fevereiro e maio de 2025, foram destinados exclusivamente à produção cinematográfica.
A complexidade do caso aumentou após a prisão de Daniel Vorcaro em novembro de 2025, um dia após novas cobranças de recursos feitas pelo senador. A PF agora investiga se as parcelas enviadas à Havengate serviram para blindar o patrimônio da família contra as ordens judiciais brasileiras, configurando possível ocultação de bens.
Em nota, André Porciuncula negou qualquer relação entre a residência em Arlington e Eduardo Bolsonaro ou o Banco Master. Ele alegou que a identidade dos beneficiários da compra não possui relevância para o interesse público brasileiro.
Eduardo Bolsonaro classificou a investigação como uma tentativa de perseguição política. Ele argumentou que suas finanças foram auditadas e aprovadas pelas autoridades migratórias dos EUA durante a concessão de seu visto de permanência, comprovando a legalidade de suas operações no exterior.
O ex-deputado destacou que Paulo Calixto, com décadas de experiência em gestão de investimentos internacionais, apenas intermediou o contato entre Mario Frias, idealizador do filme, e os investidores interessados no projeto, sem envolvimento em irregularidades.
A defesa da família Bolsonaro sustenta que a produção cinematográfica foi realizada nos EUA para garantir independência criativa e evitar supostas perseguições do sistema judiciário brasileiro. Eduardo ressaltou que o elenco da obra é majoritariamente americano e que a segurança jurídica oferecida pelo Texas foi determinante para viabilizar o investimento.
Paulo Calixto, por meio de sua assessoria, informou que não prestará declarações públicas sobre a gestão de seus fundos ou a relação com seus clientes. Documentos oficiais do Texas confirmam que ele controla uma rede de empresas na região desde 2020, atuando como facilitador de fluxos financeiros para clientes internacionais.
A PF continua analisando registros bancários dos envolvidos para verificar a origem dos recursos e possíveis irregularidades. O foco da investigação permanece na estrutura financeira mantida por Eduardo Bolsonaro no exterior, que pode ter sido utilizada para contornar restrições impostas pelo STF.
O caso reforça a tensão entre o Poder Judiciário e o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com desdobramentos que podem afetar a estratégia jurídica e financeira da família nos próximos meses. Enquanto os bloqueios judiciais permanecem em vigor, a rede de fundos no Texas se consolida como ponto central da disputa.
Com informações de REDIR.
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