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Tesouro da Idade do Ferro na Grã-Bretanha redefine papel das mulheres no poder celta

0 Comentários🗣️🔥 Artefatos do Tesouro de Melsonby em exibição no Museu de Yorkshire, na Inglaterra. (Foto: smithsonianmag.com) O maior achado arqueológico da Idade do Ferro no norte da Grã-Bretanha desafia a narrativa histórica sobre o poder feminino nas tribos celtas. O Depósito de Melsonby, descoberto em Yorkshire, contém cerca de 800 artefatos metálicos que evidenciam […]

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Artefatos do Tesouro de Melsonby em exibição no Museu de Yorkshire, na Inglaterra. (Foto: smithsonianmag.com)

O maior achado arqueológico da Idade do Ferro no norte da Grã-Bretanha desafia a narrativa histórica sobre o poder feminino nas tribos celtas. O Depósito de Melsonby, descoberto em Yorkshire, contém cerca de 800 artefatos metálicos que evidenciam uma sociedade complexa e organizada, com destaque para símbolos de autoridade atribuídos a líderes mulheres.

Entre os objetos, um espelho de bronze ricamente decorado é considerado prova material da influência de Cartimandua, rainha dos Brigantes, tribo dominante na região entre os anos 43 e 69. Segundo o Smithsonian Magazine, o artefato sugere que líderes femininas não apenas governavam, mas também mantinham rituais de legitimidade política.

Cartimandua governou durante a expansão romana sob Cláudio, adotando uma estratégia de alianças diplomáticas que preservou a autonomia de seu povo. A descoberta do espelho e outros objetos de prestígio, como caldeirões cerimoniais e arreios de carruagens, indica que sua liderança foi parte de uma estrutura política mais ampla e sofisticada do que se imaginava.

Emily North, curadora do Museu de Yorkshire, destaca que o espelho não era apenas um objeto de uso cotidiano, mas um símbolo ritualístico de poder. A presença de corais mediterrâneos em algumas peças reforça a hipótese de que os Brigantes mantinham redes comerciais ativas com o sul da Europa, desmentindo a ideia de isolamento cultural da região.

Tom Moore, arqueólogo da Universidade de Durham, afirma que o achado desmente a visão tradicional de que o norte da Grã-Bretanha era uma área menos desenvolvida. Os artefatos revelam acesso a tecnologias avançadas e bens de luxo, comparáveis aos centros de poder do sul da ilha.

Um dos objetos mais intrigantes é um bloco metálico de 150 quilos, que preserva pontas de lança e uma escultura estilizada de um guerreiro celta. Especialistas acreditam que os artefatos foram deliberadamente destruídos e enterrados em rituais de renúncia ou celebração, sem evidências de contexto funerário.

A exposição ‘Chariots, Treasure and Power: Secrets of the Melsonby Hoard’, em cartaz no Museu de Yorkshire, oferece ao público uma visão inédita dessa sociedade celta, que resistiu à simplificação histórica como periferia cultural.


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