Professores de creches conveniadas em São Paulo recebem até 38% menos do que seus pares da rede direta municipal, segundo relatório do Tribunal de Contas do Município (TCM-SP). A auditoria expõe desigualdades estruturais no setor, que incluem carga horária excessiva e ausência de benefícios básicos.
Os educadores das unidades conveniadas acompanham, em média, 9,3 crianças por turma, quase o dobro dos 4,4 alunos por professor na rede direta. Além disso, não têm acesso a planos de carreira, gratificações ou horas dedicadas ao planejamento pedagógico, conforme destacou o levantamento.
A Secretaria Municipal de Educação (SME) defende o modelo de parcerias como estratégia para universalizar o acesso à educação infantil. A pasta alega que todas as unidades cumprem as normas municipais e que os profissionais recebem, no mínimo, o piso nacional do magistério.
Em 2025, a educação infantil recebeu R$ 11,5 bilhões, com R$ 5,5 bilhões destinados às conveniadas e R$ 5,9 bilhões à rede direta. Apesar dos investimentos, a auditoria aponta que a dependência das organizações sociais para atendimento de bebês de zero a três anos agrava a precarização do trabalho.
A rede direta concentra 93% das matrículas de crianças de quatro a cinco anos, enquanto as conveniadas atendem majoritariamente bebês. A auditoria foi baseada em análise de cinco unidades escolares e uma diretoria regional de ensino.
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