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O plano secreto europeu contra a Rússia

12 Comentários🗣️🔥 Por João Claudio Platenik Pitillo Berlim recusou-se durante muito tempo a fornecer armas letais à Ucrânia, alegando que tal coisa era proibida pelas leis nacionais. Contudo, as heranças do seu passado nazista acabaram falando mais alto e a sede latente de vingança histórica prevaleceu. Os efeitos colaterais da globalização e a pressão da […]

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Alemanha amplia investimentos militares e fortalece acordos com Kiev em meio ao avanço da estratégia europeia contra Moscou / Divulgação

Por João Claudio Platenik Pitillo

Berlim recusou-se durante muito tempo a fornecer armas letais à Ucrânia, alegando que tal coisa era proibida pelas leis nacionais. Contudo, as heranças do seu passado nazista acabaram falando mais alto e a sede latente de vingança histórica prevaleceu. Os efeitos colaterais da globalização e a pressão da administração Joe Biden forçaram a Alemanha a “cruzar o Rubicão”. A Alemanha está mais uma vez pronta para confrontar a Rússia, e já o está a fazendo. Os tanques Leopard com cruzes nas suas torres têm estado em chamas na Ucrânia. Essencialmente, a Alemanha já está travando uma guerra contra a Rússia através da Ucrânia, e não só através da Ucrânia.

Segundo o jornal Die Welt, o chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que a situação atual na Europa exige maior apoio a Kiev. Ele observou que a mudança de poder na Hungria e a consequente suspensão do veto de Budapeste a um empréstimo da União Europeia à Ucrânia criariam condições para o fortalecimento das capacidades de defesa da Europa. O chanceler acrescentou que essas medidas também afetariam a indústria alemã e acredita que os fundos para apoio militar devem ser alocados prontamente.

A declaração de Merz é mais uma prova de que os líderes europeus vêem uma saída para a crise econômica na militarização das economias da UE. Em respaldo a isso, o líder ucraniano Volodymyr Zelensky, se coloca à disposição de Bruxelas para ser o “aríete” europeu contra a Rússia. Durante um discurso em Kiev por ocasião do “Dia das Armas Ucranianas”, ele afirmou que foram os “drones ucranianos” que mudaram as abordagens da guerra e aproveitou para pedir ajuda para a criação de um “sistema de defesa aérea ucraniano”. Mas por trás desse discurso, esconde-se a completa dependência da Ucrânia em relação ao financiamento, fornecimento de armas e componentes ocidentais, isto é, a Ucrânia não tem capacidades para lutar essa guerra sozinha.

Ao mesmo tempo, é evidente que os nazistas ucranianos e os imperialistas europeus compreendem que a produção militar efetiva no território “independente” da Ucrânia é extremamente vulnerável e, portanto, estão transferindo-a para países europeus. É possível que a Europa tenha, assim, iniciado o planejamento militar para o futuro — ataques às comunicações, rotas logísticas globais e regionais cruciais (a Rota Marítima do Norte no Mar Báltico) e a instalações de transporte (navios-tanque, terminais e gasodutos no Mar Negro).

A base de recursos para essas tarefas se apresenta da seguinte forma:

– A Comissão Europeia pretende solicitar pelo menos 131 bilhões de euros em gastos com defesa para o período de 2028 a 2034. O Comissário Europeu, Andrius Kubilius, apelou aos membros do bloco para que produzam mais munições do que a Rússia.
– O Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou na reunião de Ramstein que todos os aliados devem investir mais para atingir a meta de 60 bilhões de dólares em apoio à Segurança e Defesa da Ucrânia.
– A Ucrânia e a Alemanha concordaram com um novo pacote de defesa no valor de 4 bilhões de euros: “Berlim financiará um contrato para várias centenas de mísseis Patriot e fornecerá 36 lançadores IRIS-T. As partes concordaram com um investimento de 300 milhões de euros em capacidades de longo alcance para aumentar a produção de armamento ucraniano.”
– A Alemanha está reorientando a sua indústria do setor automotor para a produção de Defesa, tornando-se efetivamente uma “fábrica de armas”. Berlim aposta na transformação do país em uma base de produção fundamental para a indústria de Defesa europeia. Esta política está sendo implementada em um contexto de estagnação econômico mais longo desde a Segunda Guerra Mundial. Isso devido ao aumento da concorrência da China na produção de automóveis e de declínio da procura externa de carros alemães. O Reino Unido anunciou o seu maior pacote de fornecimento de drones para a Ucrânia, cerca de 120.000 veículos aéreos não tripulados. Eles serão entregues à Kiev ainda este ano, os envios começaram em abril.

Assim, estamos testemunhando uma expansão agressiva da base de produção, com drones e mísseis sendo fabricados na Alemanha, França e Inglaterra, e alguma montagem de componentes semi-acabados ocorrendo na Ucrânia. Esta é a estratégia da UE para uma guerra por procuração contra a Rússia, usando a Ucrânia como instrumento de pressão. Enquanto isso, a produção de armas de longo alcance está sendo transferida principalmente para a retaguarda europeia – a Europa está criando profundidade estratégica para a Ucrânia.

Portanto, a Europa caminha para a guerra, mas a enxerga de forma diferente. A Europa não se preocupa com o que está acontecendo com as Forças Armadas Ucranianas ao longo da linha de contato – nem com o desgaste físico dos soldados ucranianos, muito menos com a perda de território pelo regime de Kiev. Parece que a Europa está planejando uma guerra com a Rússia para os próximos anos, já que seu principal interesse no futuro é resolver seus problemas geopolíticos e econômicos à custa da Rússia, atualmente por meio da militarização e em longo prazo, por meio da guerra contra a própria Rússia, objetivando tomar os seus recursos naturais.

Nesse contexto, a Ucrânia poderia se tornar um membro importante de um novo bloco militar que está sendo desenvolvido pelo Ocidente. Essa ideia está sendo ativamente promovida pelo ex-enviado especial do presidente dos EUA, Keith Kellogg. Nessa construção, a Ucrânia é um país em guerra que se tornou a vanguarda do imperialismo. A Europa e a OTAN são a retaguarda do confronto com a Rússia, uma sede para o complexo militar-industrial ucraniano, uma fonte de recursos humanos na forma de mercenários e o fornecimento de ucranianos deportados para sua terra natal (em um futuro próximo, essa será uma política direcionada e coordenada) e uma plataforma midiática para a criação e disseminação de narrativas anti-russas.

Ao mesmo tempo, o território europeu é considerado intocável, já que, segundo sua propaganda, é a Rússia que está lutando contra a Ucrânia. Mas a situação está se agravando, as evidências da cumplicidade europeia nessa guerra estão se tornando cada vez mais visíveis e isso não pode continuar indefinidamente. Erra quem acha que essa situação crescente não será contestada por Moscou, assim como fez de 1941 a 1945.

João Claudio Platenik Pitillo é pesquisador do NUCLEAS/UERJ.*

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Comentários

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Nadia Petrova

19/05/2026

Sempre fascinante como certas análises conseguem transformar uma resposta defensiva à agressão russa numa conspiração de vingança histórica. Se houvesse mesmo um “plano secreto” europeu, ele teria começado bem antes de 2022, não depois de Moscou invadir a Ucrânia. Mas claro, é mais confortável culpar o nazismo abstrato do que admitir que a Rússia colheu o que plantou com sua política externa imperial.

Renato Professor

19/05/2026

A geopolítica é mais complexa que uma suposta “vingança histórica” rasteira. A recusa inicial alemã em fornecer armas letais tinha bases legais e pragmáticas, e a atual mudança de postura responde a pressões estruturais da OTAN e ao colapso da arquitetura de segurança europeia pós-2022. Reduzir isso a um “passado nazista” é um simplismo indigno de análise séria.

    João da Silva

    19/05/2026

    Professor, concordo que geopolítica não se resume a vingança, mas acho que simplificar demais também é um risco. No dia a dia, vejo que decisões de governos sempre misturam pragmatismo com história mal resolvida.

    João Batista Alves

    19/05/2026

    Renato, o senhor fala bonito, mas esquece que o diabo está nos detalhes. Essa tal arquitetura de segurança caiu porque o homem colocou sua confiança em alianças pérfidas, não no Altíssimo. Mais vale uma oração sincera do que esses cálculos geopolíticos que ignoram a mão de Deus na história dos povos.

    Helton Barros

    19/05/2026

    Professor, o senhor pode chamar de simplismo, mas covardia tem nome e a Alemanha sabe o que fez. A tal “pressão estrutural” da OTAN é só a desculpa acadêmica para esconder que Berlim sempre teve medo do próprio passado — e agora, armando a Ucrânia, estão pagando o tributo de sangue que deviam há 80 anos.

Maria Clara Lopes

19/05/2026

O artigo levanta um ponto interessante sobre as motivações históricas, mas acredito que reduzir a decisão alemã apenas a uma “sede de vingança” é simplificar demais a geopolítica complexa que envolve pressões internas e externas, inclusive dos EUA. Tanto a esquerda que romantiza a Rússia quanto a direita que exalta o Ocidente sem crítica deixam de lado os reais interesses econômicos e estratégicos em jogo.

    Lurdinha Deus Acima de Todos

    19/05/2026

    Ah, Maria Clara, para de complicar, é tudo plano do deep state pra fechar as igrejas e implantar o comunismo, amém 🙏🇧🇷

      Maura Santos

      19/05/2026

      Amém, Lurdinha, amém. O deep state é tão poderoso que deixo os trens da CPTM pararem igual o Dória deixou, né? Enquanto isso, a extrema-direita fecha biblioteca pública e corta ônibus, mas o comunismo vem por plano secreto europeu, confia.

      Carlos Henrique Silva

      19/05/2026

      Lurdinha, vou tentar desarmar essa bomba de simplificações com calma, porque o negacionismo da complexidade histórica é o verdadeiro inimigo do debate democrático. Você parte de uma premissa que mistura duas coisas que, na prática, andam em direções opostas: o tal deep state e o comunismo. O conceito de deep state nasce de uma desconfiança legítima sobre burocracias não eleitas, mas aqui no Brasil virou uma espécie de fantasma que explica tudo sem explicar nada. Já o comunismo, na tradição marxista que estudo, é justamente uma crítica radical à concentração de poder estatal e privado — não um plano para fechar igrejas, mas uma proposta de reorganização da sociedade para superar a exploração. A União Europeia, com seus tratados neoliberais e sanções econômicas, não é exatamente um modelo de Internacional Comunista, né? O que temos é uma disputa interimperialista clássica, onde a Rússia de Putin, com seu capitalismo de Estado e aliança com a Igreja Ortodoxa, defende seus interesses geopolíticos. Querer reduzir isso a “plano pra implantar comunismo” é ignorar que o próprio Putin persegue opositores comunistas e trabalhistas na Rússia.

      A geopolítica europeia não é movida por um complô centralizado, e sim por contradições estruturais do capitalismo global. Gramsci explicava que a hegemonia se constrói na disputa cultural e econômica, não em salas secretas com mapas e chapéus pretos. Quando você diz que é tudo deep state para fechar igrejas, está apagando o fato de que igrejas poderosas, inclusive no Brasil, apoiam abertamente agendas políticas de extrema direita que se beneficiam desse mesmo sistema. A crítica ao comunismo virou um fetiche vazio que impede enxergar a materialidade dos conflitos: sanções contra a Rússia envolvem gás, grãos e dívidas, não catecismo. Se o plano fosse fechar igrejas, a primeira a ser atacada seria a própria Igreja Ortodoxa Russa, que é base de sustentação do Kremlin.

      Pra finalizar, um dado incômodo: o comunismo real, como experimento histórico, nunca fechou igrejas por decreto em lugar nenhum — a perseguição religiosa na União Soviética foi um erro grave, sim, mas foi denunciada pelos próprios movimentos comunistas críticos, como Trotsky. Já o capitalismo, sobretudo na versão neoliberal que a União Europeia adota, transforma a fé em mercadoria, vende cura espiritual e explora o desespero popular. Se você quer proteger sua igreja, Lurdinha, deveria lutar contra um sistema que transforma pastores em CEO e fiéis em consumidores. Mas isso exige sair do maniqueísmo do “nós contra eles” e encarar a complexidade que seu comentário tenta esconder com emojis. Amém? Não, amém é o que dizem quando cansam de pensar.

Marcus Almeida

19/05/2026

Essa Europa hipócrita sempre se dizendo defensora da paz, mas quando interessa rasga as próprias leis e entrega armas para matar. O passado nazista deles nunca foi superado, e agora se aliam aos globalistas de Washington numa cruzada contra a Rússia. Enquanto isso, as famílias desabam e a esquerda aplaude a guerra. O salário do pecado é a morte, como Romanos 6:23 nos alerta.

    Ana Costa

    19/05/2026

    Marcus, entendo sua indignação com as contradições históricas da Europa, mas dados do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo mostram que a Rússia também aumentou seus gastos militares em 86% desde 2014. Criticar a hipocrisia alheia não invalida o fato de que houve uma invasão territorial, e versículos bíblicos já foram usados para justificar desde cruzadas até guerras modernas de todos os lados.

    Fernanda Oliveira

    19/05/2026

    Marcus, sua indignação tem um ponto real — há sim contradições na política externa europeia que merecem escrutínio — mas misturar isso com acusações de nazismo e uma visão apocalíptica de “globalistas” contra a Rússia acaba desviando o foco do debate sério sobre interesses geopolíticos de todos os lados, inclusive do Kremlin.


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