Em um avanço científico intrigante, pesquisadores da Universidade de Pittsburgh desvendaram um mistério que envolvia o melanoma, um dos tipos mais agressivos de câncer de pele. Eles descobriram um mecanismo genético até então negligenciado que permite que as células do melanoma se tornem efetivamente ‘imortais’, continuando a se dividir muito depois que células normais parariam.
Publicados na prestigiada revista Science, os achados revelam que o melanoma utiliza uma parceria genética previamente ignorada para manter seus telômeros, as extremidades protetoras dos cromossomos, anormalmente longos. Isso é crucial porque, em condições normais, os telômeros encurtam a cada divisão celular, eventualmente levando as células a um estado de senescência replicativa, onde não conseguem mais se dividir.
O estudo destaca que muitos cânceres, incluindo o melanoma, superam essa barreira reativando a telomerase, uma enzima que reconstrói os telômeros. No entanto, embora mutações no gene TERT, responsável pela telomerase, sejam comuns em cerca de 75% dos casos de melanoma, elas não explicam totalmente o comprimento excepcional dos telômeros observados nestes tumores.
A resposta para esse enigma veio à tona quando Pattra Chun-on, médica e estudante de doutorado no laboratório de Jonathan Alder, professor assistente na Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh, decidiu investigar outro gene chamado ACD. Este gene é responsável por produzir uma proteína que se liga ao telômero, conhecida como TPP1, parte do complexo shelterin, que protege os telômeros e regula o acesso a eles.
Ao analisar bancos de dados de mutações de melanoma, Chun-on descobriu mutações recorrentes na região promotora do gene ACD, similar às alterações que ativam o TERT. Ambas as mutações criam novos locais de ancoragem para fatores de transcrição ETS, proteínas que aumentam a atividade dos genes, resultando em uma estratégia de duas partes para o melanoma.
O estudo sugere que essas mutações cooperam, aumentando a produção de telomerase por meio do TERT e melhorando a capacidade das células de trazer a telomerase diretamente aos telômeros através do TPP1. Quando os pesquisadores introduziram ambas as mutações em células de laboratório, os telômeros se alongaram dramaticamente, aproximando-se dos comprimentos incomuns vistos nos tumores de melanoma.
Chun-on, em sua dissertação de doutorado de 2023, aprofundou-se em como as mutações no gene TPP1 podem trabalhar em conjunto com as mutações relacionadas à telomerase para ajudar a impulsionar a imortalidade do melanoma. Este trabalho não apenas elucida um mistério antigo, mas também sugere que o controle dos telômeros pode ser particularmente importante no desenvolvimento do melanoma devido à exposição dos melanócitos à radiação ultravioleta do sol.
Essa descoberta pode influenciar futuras estratégias de tratamento para o câncer, pois a maioria das células adultas saudáveis mantém a atividade da telomerase desligada, enquanto as células cancerosas muitas vezes dependem dela para sobreviver. Ao identificar um segundo componente que ajuda o melanoma a sustentar seus telômeros, os pesquisadores podem ter descoberto um novo alvo terapêutico em potencial.
Segundo relatos da SciTechDaily, a pesquisa foi financiada pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, destacando a importância do apoio contínuo à investigação científica.
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