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Novo atlas catalogará proteínas que ligam-se a elementos da terra rara

4 Comentários🗣️🔥 Cientista em laboratório manipula amostra em seringa, em pesquisa sobre proteínas. (Foto: cleantechnica.com) Um projeto revolucionário no refinamento de minerais críticos é desenvolvido por pesquisadores dos Estados Unidos. Eles estão criando o Microbial Rare Earth Element Atlas, um catálogo de proteínas naturais que se ligam a elementos da terra rare. Este esforço, liderado […]

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Cientista em laboratório manipula amostra em seringa, em pesquisa sobre proteínas. (Foto: cleantechnica.com)

Um projeto revolucionário no refinamento de minerais críticos é desenvolvido por pesquisadores dos Estados Unidos. Eles estão criando o Microbial Rare Earth Element Atlas, um catálogo de proteínas naturais que se ligam a elementos da terra rare.

Este esforço, liderado pelo National Laboratory of the Rockies (NLR) e apoiado pelo Pacific Northwest National Laboratory (PNNL), tem como objetivo abordar a lista de 60 minerais críticos identificados pelo United States Geological Survey, essenciais para a economia nacional e vulneráveis a interrupções de cadeias de suprimentos.

O atlas, financiado com 2 milhões de dólares pelo Departamento de Energia dos EUA, pode auxiliar no fornecimento nacional de elementos como neodímio, praseodímio, dispródio, terbío e outros da classe de lanthanides, utilizados em ímãs fortes em geradores elétricos, baterias, computadores e scanners de MRI, com a maioria倚赖着从中国进口.

A equipe NLR/PNNL está desenvolvendo uma ferramenta de bioprospecting que utiliza aprendizado de máquina para identificar áreas nos Estados Unidos ricas em proteínas naturais. Em seguida, eles desenvolverão métodos para otimizar o processo de ligação de metais, buscando usar proteínas específicas para acumular metais a partir de resíduos domésticos.

O objetivo é permitir o acúmulo e refinamento de minerais da terra rare nos Estados Unidos, passando a ter um fornecimento nacional acessível e total de minerais críticos. A pesquisa, parte do foco de pesquisa de minerais críticos do NLR, visa

Leia mais sobre o assunto na cleantechnica.com.


Leia também: Pesquisa desvenda mecanismo tectônico bilionário responsável por depósitos de terras-raras


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Luiz Augusto

20/05/2026

Enquanto uns reclamam do asfalto e da gasolina com lógica de boteco, o mercado segue resolvendo problemas reais: terras raras são o novo petróleo da economia digital, e quem dominar esse refino ditará as regras da próxima década. A pesquisa americana apenas escancara o óbvio — inovação não nasce de subsídio estatal, mas de ambiente competitivo e liberdade para empreender.

    Renato Professor

    20/05/2026

    Luiz Augusto, sua premissa é historicamente falsa e basta um exemplo singelo para derrubá-la: toda a pesquisa básica sobre terras raras — inclusive a que sustenta esse atlas proteômico — foi financiada por décadas por agências estatais americanas como a DARPA e o Departamento de Energia. O mercado, nesse caso, está surfando uma prancha fabricada com dinheiro público, e chamar isso de “liberdade para empreender” é confundir o impulso estatal com iniciativa privada.

João Carvalho

20/05/2026

Enquanto os caras tão aí catalogando proteína de terra rara, aqui a gente mal consegue catalogar os buracos no asfalto. Deve ser por isso que a gasolina não para de subir, os americanos gastando milhões com pesquisa de laboratório e a gente pagando o pato na bomba.

    Laura Silva

    20/05/2026

    João, sua revolta é legítima e eu a respeito profundamente — porque ela nasce da experiência concreta de quem pisa todo dia num asfalto esburacado e sente o peso da bomba de gasolina no orçamento familiar. Mas me permita um convite: vamos olhar para essa notícia com as lentes da totalidade. O que está em jogo nesse tal “atlas de proteínas” não é um capricho de laboratório americano, é a ponta de um iceberg que afunda raízes exatamente no tipo de injustiça estrutural que você denuncia. As terras raras — neodímio, disprósio, lantânio — são o ouro do século XXI: sem elas não há imãs de turbina eólica, motores de carro elétrico, telas de celular ou sistemas de mísseis guiados. E adivinhe quem detém as maiores reservas mundiais? China, Vietnã, Brasil — o Sul Global. Mas quem desenvolve a biotecnologia para extraí-las e beneficiá-las com menor custo ambiental? O Norte, claro. Essa pesquisa não é “gasto”, é investimento estratégico para perpetuar uma divisão internacional do trabalho em que nós cavamos e eles catalogam, nós exportamos lama e eles exportam patentes.

    Historicamente, essa arquitetura colonial nunca foi acidental. Lembre-se da célebre frase de Celso Furtado: o subdesenvolvimento não é uma etapa, é uma condição produzida pelo próprio desenvolvimento capitalista central. Enquanto o Instituto Nacional de Tecnologia do Rio de Janeiro pena com cortes orçamentários, as big techs financiam laboratórios em Stanford para mapear proteínas que se ligam a minérios que, muitas vezes, saíram de Minas Gerais ou de Goiás. O preço da gasolina que te revolta está visceralmente conectado a isso: a política de preços da Petrobras atrelada ao mercado internacional (PPI) é um instrumento neoliberal de transferência de renda — do trabalhador brasileiro para acionistas globais. E, no fundo, é a mesma lógica que faz com que a Vale destrua bacias hidrográficas para embarcar minério bruto, enquanto a tecnologia de ponta para processar esse minério segue trancada a sete chaves nos países que nos colonizaram ontem e nos recolonizam hoje via patentes e royalties.

    Agora, o ponto central: a solução não é abandonar a ciência porque ela parece distante, mas sim politizar o debate sobre qual ciência queremos e para quem ela serve. Catalogar proteínas que se ligam a terras raras pode ser uma ferramenta para uma mineração menos predatória, uma bioextração que substitua o ácido sulfúrico — e isso interessa diretamente às comunidades que vivem à sombra das mineradoras, como as de Parauapebas ou Itabira. O erro é achar que essa agenda virá por benevolência imperial. O que transformaria esse atlas numa arma a favor dos pobres seria a sua apropriação por universidades públicas brasileiras, por uma Embrapa da mineração, por um Estado que tributasse a exportação de minério bruto e financiasse pesquisa endógena. Mas para isso é preciso romper com a camisa de força do tripé macroeconômico, furar o teto de gastos e enfrentar o rentismo que sequestra o orçamento público. Sua indignação com os buracos no asfalto está absolutamente certa — só que ela deve nos levar não ao desprezo pela ciência, mas à exigência radical de que o fruto do nosso trabalho e dos nossos recursos naturais volte em forma de soberania tecnológica, infraestrutura digna e preço justo na bomba. O buraco no asfalto e a proteína no laboratório são faces do mesmo sistema: cabe a nós decidir se seremos sempre a periferia que fornece a terra ou se um dia seremos o centro que a transforma.


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