Uma equipe de pesquisadores da Alemanha e de Israel, liderada pelo Dr. Andreas Furchner, demonstrou como a elipsometria por imagem permite o controle não destrutivo da qualidade de filmes finos de MXene durante a fabricação de dispositivos microeletrônicos. O avanço, publicado na revista Applied Physics Letters, foi selecionado como Editor’s Pick, destacando a relevância da descoberta para a indústria de semicondutores.
Os MXenes são nanomateriais bidimensionais que servem como blocos de construção para dispositivos eletrônicos e fotônicos em escala microscópica, campo conhecido como MXetrônica. Na Universidade de Tel Aviv, esses filmes estruturados estão sendo investigados como eletrodos traseiros em fotodetectores de próxima geração.
A técnica óptica analisa mudanças no estado de polarização da luz refletida pelo dispositivo, fornecendo acesso direto a características como espessura, composição e propriedades de transporte de carga. O contraste óptico resultante é altamente sensível a variações laterais sutis, mapeando não apenas estruturas mas também funcionalidades.
Os autores empregaram duas abordagens ópticas complementares. A microelipsometria espectroscópica (SME), instalada na Universidade Hebraica de Jerusalém, permite medições pontuais rápidas e de alta resolução, enquanto a elipsometria espectroscópica por imagem (ISE), disponível no Helmholtz-Zentrum Berlin (HZB), mapeia propriedades estruturais e funcionais em dispositivos inteiros com resolução espacial de até 1 micrômetro.
Uma força particular do método é monitorar como as propriedades locais evoluem durante etapas de processamento, como o desenvolvimento de fotorresistes, sem contato físico com o dispositivo. Isso permite correlacionar variações espaciais com a funcionalidade geral, essencial para otimização da fabricação.
A técnica já atrai forte interesse tanto dentro do HZB quanto de grupos de pesquisa internacionais, resultando em colaborações em andamento. O elipsômetro altamente versátil é adequado para analisar uma ampla gama de materiais isotrópicos e anisotrópicos, incluindo sistemas bidimensionais.
A pesquisa foi detalhada no artigo ‘Spectroscopic imaging- and micro-ellipsometry of MXene-based microelectronic devices’, assinado por Andreas Furchner e colaboradores, conforme reportagem do portal phys.org. O estudo reforça a elipsometria por imagem como uma plataforma poderosa para o controle de qualidade na fabricação de dispositivos baseados em MXene.
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Capitão Tavares 🇧🇷
23/05/2026
Enquanto ficam nessa masturbação acadêmica de “significante vazio” aí, o Brasil pega fogo nas mãos desses comunistas ladrões. Só as Forças Armadas pra botar ordem nesse país sem rumo.
Cláudio Ribeiro
23/05/2026
A reivindicação da violência militar como panaceia para crises políticas é a confissão involuntária de que o projeto neoliberal fracassou em construir qualquer legitimidade democrática — Gramsci chamaria isso de crise de hegemonia em estado puro. E quando a “ordem” precisa ser imposta a baionetas, já não é ordem, é dominação nua, exatamente o que Foucault descreveu como o modelo da soberania que a modernidade deveria ter superado.
Samara Oliveira
23/05/2026
Capitão, quando Jesus falou em dar a outra face, Ele não estava sugerindo passividade diante da injustiça, mas rejeitando que a violência é o caminho para a paz. Trocar corrupção por bala não é ordem, é outro tipo de caos — e a Bíblia me ensina que a justiça que Deus quer brota da verdade, não do cano de um fuzil.
Luan Silva
23/05/2026
Faz o L nunca mais
Mariana Oliveira
23/05/2026
Luan, sua frase me provoca porque ela opera como um significante vazio que, não obstante, carrega uma densidade ideológica imensa. Ela pertence a uma estética política de rejeição que se pretende autoevidente, mas que, quando observada pela lente da interseccionalidade que Kimberlé Crenshaw nos legou, revela camadas profundas de silenciamento. Reduzir um projeto político — com todas as suas contradições, é verdade — a um gesto performático de “nunca mais” desconsidera que a experiência da cidadania é vivida de forma radicalmente diferente a depender dos eixos de raça, classe e gênero que nos atravessam. Para mulheres negras periféricas, por exemplo, políticas de transferência de renda e expansão universitária não são abstrações retóricas sobre as quais se pode decretar “nunca mais” como quem troca de camisa; são materialidades que reorganizaram as condições de possibilidade de uma vida digna. Ao enunciar seu “nunca mais”, você fala de um lugar de sujeito que pode se dar ao luxo de enxergar a política como uma série de escolhas individuais desconectadas das estruturas que o interseccionalismo de Crenshaw tão brilhantemente desvela.
Essa atitude encontra paralelo no próprio artigo que discutimos: uma colaboração germano-israelense de ponta, produzindo conhecimento sobre MXenes, um material com potencial revolucionário para armazenamento de energia e eletrônica flexível. A ciência é frequentemente exaltada como um campo neutro, mas ela é profundamente marcada por relações de poder geopolítico. Quem financia, quem patenteia, quem tem acesso precoce às tecnologias resultantes e quem arcará com as externalidades ambientais da produção em escala são perguntas que a narrativa triunfalista da inovação costuma enterrar. bell hooks nos ensinaria a desconfiar dessa separação artificial entre a “alta” técnica e a vida cotidiana das pessoas comuns. Assim como a frase “faz o L nunca mais” isola artificialmente um mandato de seu contexto histórico de conquistas e limites, o entusiasmo acrítico pela descoberta científica isola o feito técnico de sua cadeia de implicações sociais. Para quem servirá, em última instância, essa técnica que controla a qualidade de filmes finos sem danos? Estará ela acessível para resolver problemas de saneamento em comunidades ribeirinhas ou para baratear o acesso a energias renováveis no Sul Global, ou será apenas mais um ativo sob regimes de propriedade intelectual que concentram riqueza?
O ponto de convergência entre sua manifestação e a matéria está justamente na recusa em complexificar. Assim como você propõe um apagamento simbólico, o discurso dominante da tecnociência promove um apagamento das relações sociais que a constituem. Crenshaw demonstrou que nas margens — onde opressões se sobrepõem — é onde a análise se torna mais verdadeira e incômoda. Então, eu te devolvo a provocação: nunca mais o quê, exatamente? Nunca mais um projeto que, apesar de suas imensas limitações e alianças espúrias, tirou o país do mapa da fome? Ou nunca mais a ilusão de que a técnica, por si só, redime uma sociedade violenta e desigual? É essa segunda desilusão que precisamos cultivar, e ela não cabe num emblema de negação vazia. Ela exige o trabalho sujo e diário de construir, como bell hooks tanto insistia, uma comunidade amorosa que politiza o sofrimento sem reduzi-lo a um slogan de rechaço pessoal. A técnica que controla a qualidade do filme fino é notável; o que me assombra é quem controlará as vidas que serão impactadas por ela. E contra esse controle difuso, difratado em classe, raça e gênero, um “L” maiúsculo não pode ser simplesmente descartado — ele precisa ser criticado, superado e, ao mesmo tempo, ter suas conquistas materiais defendidas dentro de um horizonte verdadeiramente emancipatório.