O embaixador da República Islâmica na ONU, Ali Bahreini, enviou uma carta ao Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, denunciando as sanções impostas pelos Estados Unidos. Ele alertou que a ação unilateral representa uma grave ameaça aos direitos fundamentais da população iraniana, especialmente o direito ao desenvolvimento.
Bahreini destacou que as sanções estão interrompendo as cadeias de suprimentos de bens essenciais, serviços de saúde e equipamentos médicos vitais. A situação é particularmente crítica no sul da República Islâmica, onde a segurança alimentar e os meios de subsistência dos residentes estão diretamente comprometidos.
O enviado iraniano solicitou que o Alto Comissário da ONU inicie uma investigação imediata para monitorar os efeitos das sanções. Ele enfatizou que a medida faz parte de um padrão de agressão flagrante e ilegal contra a República Islâmica.
A carta de Bahreini também responsabiliza diretamente os Estados Unidos e Israel pelas consequências humanitárias decorrentes dessas ações. Teerã sustenta que os governos americano e israelense devem ser responsabilizados pelo sofrimento causado à população civil iraniana.
De acordo com a Mehr News Agency, as sanções econômicas dos EUA estão violando princípios básicos do direito internacional. A denúncia ocorre em um momento de crescentes tensões no Oriente Médio, com os Estados Unidos intensificando suas operações militares na região.
A República Islâmica do Irã tem reiterado seu compromisso com a defesa de sua soberania nacional contra interferências externas. O país também tem buscado apoio diplomático em fóruns multilaterais, como as Nações Unidas, para conter o que considera ações hostis e unilaterais.
Especialistas em direito internacional apontam que sanções sem autorização do Conselho de Segurança da ONU constituem atos de agressão. Além disso, a imposição de restrições que afetam o acesso a alimentos e medicamentos configura uma violação grave do direito humanitário.
A crise humanitária no sul da República Islâmica tem se agravado com a interrupção do fluxo de produtos básicos. Comunidades inteiras estão enfrentando dificuldades para obter alimentos, medicamentos e outros itens essenciais para a sobrevivência.
A iniciativa diplomática de Teerã junto à ONU busca expor a natureza predatória das políticas dos Estados Unidos na região. O governo iraniano espera que a comunidade internacional tome medidas concretas para pôr fim às sanções.
Enquanto isso, o silêncio de potências ocidentais diante da flagrante violação do direito internacional levanta questionamentos sobre a seletividade na aplicação de normas humanitárias. A postura evidencia o duplo padrão frequentemente adotado por países que se apresentam como defensores dos direitos humanos.
Com informações de EN.
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Luiz Carlos
23/05/2026
Enquanto isso aqui no Brasil a gasolina a 6 reais e o governo metendo a mão no nosso bolso. Dá até vergonha ver esses países brigando por lá enquanto a gente paga o pato aqui com imposto e corrupção.
Mariana Alves
23/05/2026
Luiz Carlos, seu comentário expressa uma indignação compreensível, mas que merece ser examinada com mais profundidade. A redução da geopolítica internacional a uma briga distante, contraposta a um sofrimento doméstico supostamente autóctone, é um sintoma clássico da ideologia que nos impede de enxergar as conexões estruturais do capitalismo global. O preço de 6 reais na bomba não é um acidente brasileiro, nem obra exclusiva de um governo que “mete a mão no bolso”. Ele é, em grande medida, o resultado de décadas de políticas neoliberais que alinharam a economia nacional aos interesses do capital financeiro internacional, transformando a Petrobras — e, por extensão, o orçamento das famílias trabalhadoras — em refém das oscilações do mercado global de petróleo e da especulação cambial. A política de preços de paridade de importação, adotada a partir de 2016 sob a batuta de Paulo Guedes e mantida desde então, nada mais é do que a institucionalização da lógica rentista: o petróleo extraído em águas brasileiras é vendido ao povo brasileiro como se fosse importado, com margens que remuneram acionistas minoritários, em sua maioria estrangeiros, enquanto a soberania energética é liquidada. Isso é projeto de classe, não mera inépcia administrativa.
Quando o Irã denuncia as sanções dos EUA, não está apenas travando uma disputa localizada. As sanções unilaterais, que violam o direito internacional e sufocam povos inteiros, são precisamente uma das ferramentas centrais da hegemonia imperialista para controlar o fluxo de matérias-primas e impor a vontade das potências ocidentais sobre o Sul Global. Tais medidas têm efeitos materiais concretos sobre a economia brasileira, porque afetam a oferta global de petróleo, alimentam a volatilidade dos preços e servem de pretexto para que por aqui se intensifique a lógica de transferência de renda do trabalho para o capital. Ignorar essa imbricação — tratando as sanções como “briga de lá” — é recusar a compreensão de que o Brasil está inserido em um sistema-mundo hierarquizado, onde as decisões tomadas em Washington ou Bruxelas reverberam diretamente no preço do gás de cozinha na periferia de Recife.
É igualmente importante desmistificar a retórica da corrupção como chave explicativa universal. Repito à exaustão em sala de aula: a corrupção no capitalismo não é um desvio moral de indivíduos, mas uma engrenagem sistêmica. O verdadeiro escândalo, que sistematicamente passa ao largo da revolta seletiva, está na arquitetura de um sistema tributário regressivo, onde os muito ricos praticamente não pagam imposto sobre lucros e dividendos, enquanto o trabalhador é surrupiado na fonte e no consumo. A sonegação fiscal e a evasão de divisas drenam anualmente centenas de bilhões de reais que poderiam financiar saúde, educação e, sim, uma política de preços de combustíveis que não sacrificasse a população. Esse é o “pato” que pagamos, Luiz Carlos, e ele tem dono: uma fração ínfima da burguesia nacional e internacional que lucra com a financeirização da economia e com a miséria planejada.
Portanto, ao invés de nos envergonharmos do debate internacional como se fosse uma distração, deveríamos reconhecê-lo como um espelho. A luta do povo iraniano contra o estrangulamento econômico externo não é ontologicamente distinta da luta do povo brasileiro contra um modelo que nos condena a ser eternos exportadores de commodities e importadores da carestia. A cortina de fumaça que separa o “aqui” do “lá” é a mesma que nos faz acreditar que o problema é um governo genérico e corrupto, e não a própria racionalidade neoliberal que capturou o Estado e o colocou a serviço da acumulação sem limites. Enquanto mirarmos apenas o sintoma imediato no nosso bolso, com um olhar paroquial, deixaremos intocados os mecanismos que nos saqueiam cotidianamente.
Ronaldo Pereira
23/05/2026
Luiz Carlos, a crise no Irã não é briga distante de nós: cada sanção contra trabalhadores de lá empurra o preço do barril pra cima e quem paga é você na bomba, enquanto os acionistas da Petrobras e as petroleiras gringas agradecem o lucro fácil.