A espaçonave Psyche, da NASA, realizou um sobrevoo rasante por Marte e capturou imagens detalhadas da superfície do planeta vermelho, revelando terrenos antigos cravejados de crateras. O registro mais impressionante mostra a cratera de duplo anel Huygens, situada nas planícies elevadas do hemisfério sul marciano, uma paisagem que intriga os cientistas há décadas.
A aproximação máxima ocorreu ainda em meados de maio, quando a sonda passou a apenas 4.609 quilômetros da superfície de Marte. A manobra, no entanto, foi muito além de uma simples sessão de fotos, pois a gravidade do planeta foi usada para impulsionar a nave em sua longa jornada pelo espaço profundo.
O chamado ‘estilingue gravitacional’ aumentou a velocidade da Psyche e ajustou sua trajetória sem gastar uma gota sequer de combustível. Esse método, conhecido como assistência gravitacional, é uma estratégia vital para conservar propelente para as fases posteriores da missão, que exigirão manobras precisas.
O instrumento gerador de imagens multiespectrais da espaçonave foi o responsável por registrar as fotografias, destacando o relevo acidentado e a geologia complexa de uma das regiões mais antigas de Marte. A cratera Huygens, com seus anéis concêntricos, fornece pistas valiosas sobre os processos de impacto que moldaram os planetas rochosos do sistema solar.
A missão Psyche tem como destino final um asteroide igualmente chamado de Psyche, que orbita entre Marte e Júpiter e é composto majoritariamente por metais. Os pesquisadores acreditam que ele possa ser o núcleo exposto de um antigo planetesimal, um bloco de construção planetário cuja formação remonta aos primórdios do sistema solar.
Se essa teoria se confirmar, estudar o asteroide será como examinar diretamente o núcleo da Terra, escondido sob milhares de quilômetros de rocha. A previsão é que a sonda da NASA chegue à sua morada final em 2029, quando começará a mapear a superfície metálica e a coletar dados sem precedentes sobre a composição do objeto celeste.
A jornada até lá, contudo, continua sendo um feito de engenharia notável, com a nave equilibrando meses de voo silencioso com momentos de extrema precisão. O recente encontro com Marte não apenas rendeu imagens espetaculares, mas também colocou a Psyche exatamente no caminho certo para desvendar um dos grandes mistérios da formação planetária.
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