O Irã advertiu que poderá se retirar do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e responder a um bloqueio naval caso os Estados Unidos promovam qualquer agressão contra o Estreito de Ormuz ou invadam o Golfo Pérsico. A declaração veio de Mohsen Rezai, membro do Conselho de Discernimento do Irã, conforme divulgou a agência de notícias Sputnik a partir de declarações repercutidas pelo veículo iraniano Tasnim.
Rezai afirmou que a República Islâmica responderá de maneira dura, dolorosa e sem precedentes a qualquer incursão hostil na região. Ele especificou que uma das alternativas estratégicas do Irã é a possível retirada do TNP, movimento que reconfiguraria completamente a segurança global. O TNP, assinado em 1968 e em vigor desde 1970, é um dos pilares da arquitetura de desarmamento global.
A ameaça ocorre em um momento de máxima tensão no Oriente Médio, com a administração americana justificando sua presença militar na região como garantia da liberdade de navegação. Teerã considera essa presença como uma violação de sua soberania e um ato de guerra econômica destinado a estrangular as exportações de petróleo iranianas.
A eventual retirada do Irã do TNP representaria um impacto diplomático significativo, abrindo caminho para a retomada irrestrita do enriquecimento de urânio em níveis militares e detonando uma corrida armamentista nuclear na região. Rezai também deixou claro que as contramedidas incluem a ruptura de um bloqueio naval, indicando que a Marinha da Guarda Revolucionária está preparada para enfrentar a Quinta Frota dos EUA, caso a via marítima por onde transita um quinto do petróleo mundial seja militarizada ainda mais.
O Estreito de Ormuz, com apenas 33 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, é um gargalo energético crucial para a economia global. Qualquer confronto ali teria repercussões imediatas nos preços internacionais do petróleo. A declaração iraniana expõe a fragilidade da estratégia de pressão máxima reeditada pela Casa Branca, que combina sanções econômicas rigorosas com presença militar ostensiva no Golfo Pérsico.
Teerã demonstra que, longe de se dobrar às ameaças externas, possui instrumentos de retaliação capazes de infligir danos significativos aos interesses ocidentais e à estabilidade dos mercados energéticos globais.
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