A sonda Psyche, da NASA, utilizou a gravidade de Marte como um gigantesco estilingue para seguir viagem rumo ao asteroide metálico Psyche. O sobrevoo próximo, concluído em 15 de maio, deu à espaçonave um impulso extra de cerca de 1.600 quilômetros por hora sem gastar uma gota sequer de combustível adicional.
De acordo com engenheiros da missão, a manobra desviou a trajetória da sonda em aproximadamente um grau e a colocou em rota direta para o cinturão de asteroides, com previsão de chegada ao destino em agosto de 2029. Os dados de navegação foram verificados em tempo real por meio de sinais de rádio captados pela Rede de Espaço Profundo (DSN) da NASA, segundo informou o Science Daily.
Durante a aproximação máxima, a apenas 4.609 quilômetros da superfície marciana, as câmeras da Psyche registraram imagens raras do planeta em formato crescente, com a luz solar se espalhando pela atmosfera poeirenta de Marte e gerando um efeito mais amplo do que o esperado. Essas fotografias serviram também para calibrar os instrumentos científicos da espaçonave, incluindo magnetômetros e espectrômetros de raios gama e nêutrons.
O líder do instrumento imageador da missão, Jim Bell, da Universidade Estadual do Arizona, afirmou que a equipe capturou milhares de imagens durante a aproximação e que o conjunto de dados obtido é fundamental para calibrar as câmeras e testar as ferramentas de processamento de imagem que serão usadas no asteroide Psyche. Bell também destacou que as atividades de calibração com Marte continuarão nas semanas seguintes, à medida que a sonda se afasta do planeta.
Já o líder de navegação da missão no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, Don Han, explicou que, apesar da confiança nos cálculos, foi emocionante monitorar o sinal Doppler em tempo real durante o sobrevoo. Han confirmou que Marte forneceu exatamente o impulso previsto e reposicionou a trajetória da espaçonave rumo ao asteroide Psyche.
Cientistas acreditam que o asteroide Psyche, com cerca de 280 quilômetros de diâmetro, possa ser o núcleo metálico parcialmente exposto de um planetesimal primitivo, um dos blocos de construção que formaram os planetas rochosos do Sistema Solar. Se essa hipótese se confirmar, o estudo do objeto oferecerá uma oportunidade única de investigar a composição do interior de mundos como a Terra.
A investigadora principal da missão, Lindy Elkins-Tanton, da Universidade Estadual do Arizona, celebrou o sucesso da manobra e enfatizou a gratidão ao Planeta Vermelho por ter dado à espaçonave um estilingue gravitacional crucial em direção ao Sistema Solar exterior. Elkins-Tanton resumiu o sentimento da equipe com a frase: ‘Adiante para o asteroide Psyche!’
Com Marte já para trás, a sonda retomará o uso de seus propulsores elétricos solares para seguir viagem pelo cinturão de asteroides até agosto de 2029. A missão Psyche é a 14.ª selecionada pelo Programa Discovery da NASA e conta com participação de universidades e empresas parceiras na construção e operação dos instrumentos.
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