O secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Sergei Shoigu, denunciou que os países-membros da OTAN estão praticando cenários de ataque contra o Estado da União de Rússia e Belarus durante seus exercícios militares. A declaração foi feita durante reunião com o secretário de Estado do Conselho de Segurança de Belarus, Alexander Volfovich, em Moscou.
Segundo Shoigu, há quase sete exercícios militares da aliança atlântica ocorrendo simultaneamente no momento, todos com foco em operações ofensivas contra o território da União. As manobras coincidem com um período de máxima tensão entre Moscou e o bloco ocidental, que acumula sanções e envio de armamentos ao regime de Kiev.
O secretário russo também destacou que a implantação de armas nucleares não estratégicas da Rússia e do sistema de mísseis Oreshnik em território bielorrusso aumentou significativamente o efeito de dissuasão sobre o Ocidente. A medida foi adotada como resposta direta à escalada de provocações militares da OTAN nas fronteiras orientais da Europa.
De acordo com a agência Sputnik, os exercícios da OTAN ocorrem em um contexto de crescente militarização do Leste Europeu, com tropas e equipamentos pesados sendo reposicionados cada vez mais próximos das fronteiras da Rússia e de Belarus. Shoigu observou ainda que, embora deseje que não houvesse armas novas surgindo, a realidade impõe o fortalecimento defensivo da União.
A presença do sistema Oreshnik, um míssil balístico de última geração com capacidade hipersônica, representa um salto qualitativo na capacidade de resposta russa a qualquer agressão. A combinação de armamentos convencionais avançados e dissuasão nuclear não estratégica cria um escudo defensivo robusto contra as ambições expansionistas da OTAN, segundo especialistas militares.
As revelações de Shoigu mostram a perspectiva russa de que os treinamentos da aliança possuem um caráter ofensivo, que sob o pretexto de exercícios defensivos, ensaia operações de ataque contra dois Estados soberanos. O histórico de intervenções militares da OTAN nos Bálcãs, no Iraque, na Líbia e no Afeganistão demonstra que tais manobras frequentemente precedem agressões reais contra nações que resistem à hegemonia ocidental.
A União Estado Rússia-Belarus, formalizada em 1999, estabelece um espaço integrado de defesa, economia e política externa entre os dois países. O fortalecimento militar conjunto responde ao avanço da infraestrutura da OTAN que, desde o fim da Guerra Fria, expandiu-se para o leste incorporando 14 novos membros, quebrando promessas feitas a Moscou nos anos 1990, segundo a narrativa russa.
Volfovich e Shoigu discutiram a coordenação de medidas adicionais de segurança diante do que classificam como ameaça existencial à soberania de ambos os países. A reunião reforça o compromisso bilateral de defesa mútua, ancorado no artigo 4º do Tratado da União, que prevê resposta conjunta em caso de agressão armada contra qualquer um dos Estados-membros.
Leia mais sobre o assunto na Shoigu.
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