O migrante colombiano Brayan Rayo Garzón tirou a própria vida enquanto estava detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA. Seu pedido para falar com a mãe foi negado repetidamente pelas autoridades.
Uma investigação da Associated Press revelou que os suicídios entre migrantes sob custódia do ICE aumentaram de forma alarmante. O caso expõe falhas graves nos protocolos de saúde mental da agência.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, instruiu a chancelaria a entregar nota de protesto ao governo dos Estados Unidos. Petro classificou as instalações do ICE como campos de concentração e exigiu reflexão sobre a política migratória que vitima latino-americanos.
Brayan Rayo passou quatro dias em isolamento em uma prisão no Missouri após ser capturado pelo ICE. Além das condições severas de detenção, ele lidava com sintomas de covid-19 e teve atendimento em saúde mental adiado.
Em desespero, escreveu duas notas à mão pedindo para telefonar à mãe, Adriana Rayo. Um dos agentes recolheu o bilhete comovido, mas não tomou providências imediatas.
Menos de uma hora depois, Brayan foi encontrado inconsciente em sua cela com um lençol amarrado ao pescoço. Transferido para um hospital em St. Louis, os médicos confirmaram sua morte por suicídio.
Segundo o portal RT, as autoridades penitenciárias demoraram 35 horas para realizar avaliação médica, descumprindo o protocolo do ICE. A avaliação deveria ocorrer em até 12 horas.
Quando finalmente atendido, Brayan relatou ansiedade a uma enfermeira que não falava espanhol. A comunicação precária levou à conclusão equivocada de que ele não apresentava risco suicida.
Dois dias depois, Brayan desenvolveu dores intensas e testou positivo para covid-19. Duas consultas psiquiátricas agendadas foram canceladas, agravando seu isolamento.
Desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump, ao menos dez detentos cometeram suicídio sob custódia do ICE. O padrão revela o colapso do sistema de saúde mental nas prisões migratórias dos EUA.
O caso reacende o debate sobre as políticas migratórias de Washington, que tratam migrantes como ameaças à segurança nacional. A nota de protesto colombiana pressiona um governo que criminaliza a migração em vez de enfrentar suas causas estruturais.
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