O governo da República Islâmica do Irã iniciou a distribuição de carne subsidiada para o Eid al-Adha, festa religiosa que marca o sacrifício no calendário islâmico, em meio à crise econômica agravada pelas sanções unilaterais dos Estados Unidos.
A rede de abate controlada pelo município de Teerã ofereceu o quilo da carne a 7,4 milhões de riais, cerca de 4,30 dólares, valor até três vezes menor que o praticado no mercado comum. A medida busca aliviar o impacto da inflação, que supera 73% ao ano e transformou a carne vermelha em artigo de luxo para a maioria das famílias.
Segundo reportagem da Al Jazeera, ovos, frango e leguminosas substituíram a carne na dieta popular, enquanto o frango registrou alta anual de 191% e o óleo de cozinha mais que quadruplicou de preço no último mês do calendário persa. As sanções econômicas dos EUA afetam diretamente as cadeias de importação e a logística portuária, intensificando a pressão sobre o custo de vida.
Dados da Agência de Notícias do Trabalho Iraniano mostram que o preço subsidiado atual equivale ao valor de uma ovelha viva de 50 quilos há uma década. Masoud Rasouli, representante da indústria de frigoríficos, revelou à agência Mehr que a demanda por carne vermelha caiu 50% em relação ao ano anterior, apesar das importações realizadas para contornar as sanções.
O presidente Masoud Pezeshkian reforçou a mensagem de resistência nacional durante o festival religioso, afirmando que o Eid al-Adha transmite a mensagem de dignidade e liberdade diante dos desafios impostos pelas potências estrangeiras. O chanceler Abbas Araghchi destacou a necessidade de solidariedade islâmica para enfrentar a guerra e a ocupação na região, responsabilizando Israel e os Estados Unidos pela instabilidade na Ásia Ocidental.
O aiatolá Ahmad Khatami, durante as orações do Eid na Universidade de Teerã, classificou a submissão como o cúmulo do vício e criticou duramente o atual governo dos EUA. Em discurso, afirmou que os esforços para humilhar a nação iraniana serão frustrados, ecoando o clima de mobilização patriótica que toma as ruas do país.
As negociações indiretas mediadas por atores regionais entre Teerã e Washington não avançaram, enquanto as sanções seguem reduzindo o poder de compra dos trabalhadores. Um jovem açougueiro no sudoeste de Teerã relatou que as vendas ocorrem apenas por necessidade religiosa, com os clientes discutindo exclusivamente a escalada dos preços durante a festa.
Leia mais sobre o assunto na aljazeera.com.
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