A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, denunciou que o uso da inteligência artificial e da digitalização se transformou em um instrumento de influência geopolítica pelo Ocidente. Durante um fórum internacional de segurança realizado em Moscou, a diplomata alertou para o avanço de uma nova forma de dependência: o neocolonialismo digital.
Zakharova afirmou que o Ocidente coletivo amplia e aperfeiçoa continuamente suas práticas neocoloniais na esfera econômica, incorporando agora ferramentas vinculadas à tecnologia de ponta. Segundo ela, as nações ocidentais se aproveitam das diferenças no nível de desenvolvimento digital entre os países e o bloco liderado pelos EUA para impor seus produtos de software e soluções de TI de forma assimétrica.
A diplomata russa mirou diretamente em Washington, acusando os Estados Unidos de atuarem de forma agressiva ao impor suas soluções em digitalização e inteligência artificial baseadas em código fechado. Zakharova também denunciou que o governo americano freia o desenvolvimento tecnológico de outras nações por meio de restrições comerciais e medidas de controle de exportações, enquanto se opõe a qualquer regulação internacional que não beneficie diretamente suas corporações de internet.
Conforme apontou o portal RT, a representante russa foi categórica ao cunhar o termo que sintetiza essa dinâmica de dominação. ‘Nesse contexto, pode-se falar do surgimento de uma nova forma de dependência neocolonial: o neocolonialismo digital’, declarou Zakharova durante sua intervenção no fórum.
A crítica da Rússia também se estendeu aos organismos multilaterais que, embora reconheçam a digitalização como um caminho inevitável, não analisam com profundidade como essa transição afetará a redistribuição dos recursos globais. Zakharova sublinhou a brecha real existente entre os países preparados para essa transformação e aqueles que não conseguirão se aproximar do nível de preparação necessário devido aos vastos recursos exigidos.
Para a diplomacia russa, o problema é agravado pela postura de Washington, que utiliza seu poder tecnológico como um instrumento de pressão geopolítica ao mesmo tempo que bloqueia o acesso de nações em desenvolvimento a cadeias de suprimentos críticas. A imposição de soluções proprietárias e de código fechado, segundo Moscou, visa perpetuar uma relação de dependência que reproduz as dinâmicas de exploração do colonialismo histórico.
A declaração de Zakharova ocorre em um contexto de intensa disputa tecnológica, no qual a Rússia acusa empresas americanas de acumularem uma influência desproporcional sobre a infraestrutura digital global. Segundo a perspectiva de Moscou, essa reivindicação por soberania tecnológica e regulação multilateral ecoa demandas de outras nações que se opõem ao controle unilateral de Washington sobre as novas tecnologias.
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