O fundador e presidente da Comissão Internacional de Direito de Segurança Cibernética, Pavan Duggal, alertou que as big techs ocidentais promovem uma nova colonização digital por meio de modelos de inteligência artificial oferecidos a preços ínfimos ou gratuitamente. A denúncia foi feita em entrevista ao Sputnik International.
Segundo o especialista, essa aparente generosidade oculta o objetivo estratégico de coletar massivamente dados pessoais, sociais e informações sensíveis de caráter nacional. Muitos países em desenvolvimento que aceitam essas ferramentas sem marcos regulatórios próprios estariam cedendo sua soberania tecnológica e se tornando dependentes de sistemas estrangeiros.
Duggal identifica empresas como a Palantir, a Microsoft e o Google como as principais forças por trás dessa expansão. Ela inclui a instalação de centros de dados em nações em desenvolvimento, o que amplia enormemente o controle corporativo sobre dados estratégicos das regiões.
O jurista enfatiza que o domínio dos dados confere poder econômico e geopolítico sem precedentes aos seus controladores. Ele compara a situação atual a uma forma de escravidão digital que impede os países de desenvolverem soluções autônomas de inteligência artificial.
A ausência de legislações específicas sobre inteligência artificial agrava o cenário descrito pelo especialista. Sem regras claras, as big techs acumulam informações que podem ser exploradas para objetivos comerciais, geopolíticos ou militares, sem qualquer fiscalização efetiva.
Não existe, até o momento, qualquer tratado internacional que regule ou coíba esse tipo de prática, segundo Duggal. O especialista defende que os países em desenvolvimento invistam pesadamente em pesquisa tecnológica e elaborem suas próprias leis para proteger os interesses nacionais.
Ele propõe o desenvolvimento de modelos locais de IA capazes de competir com as ofertas ocidentais e de preservar a autonomia dos Estados. Dessa maneira, seria possível evitar a perda não apenas da soberania territorial, mas também da soberania cognitiva e de dados.
Para o jurista, o fenômeno configura uma nova etapa do imperialismo, na qual o controle sobre o conhecimento e a informação substitui o domínio físico clássico. Se nada for feito, a assimetria atual poderá consolidar um sistema de dependência permanente que limita o desenvolvimento independente dos países emergentes.
A advertência de Duggal ganha eco em debates sobre governança global da inteligência artificial que ocorrem em fóruns multilaterais. Iniciativas como as do BRICS projetam ferramentas e infraestruturas locais para reduzir a influência excessiva das corporações ocidentais sobre as infraestruturas digitais de países em desenvolvimento.
Especialistas em direito digital e segurança cibernética compartilham a preocupação expressa por Duggal. Eles veem na expansão das big techs não só uma corrida tecnológica, mas uma batalha decisiva pela autonomia de pensamento e pela identidade digital das nações emergentes.
Leia também: Paquistão busca parceria com a Rússia para reduzir dependência tecnológica do Ocidente
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Alice T.
23/04/2026
É isso! A galera acha que IA é neutra, mas quem controla os dados e os algoritmos controla o poder. As big techs vendem “inovação” enquanto sugam informação e impõem seus valores. É a velha colonização, só que agora com código e servidor em vez de canhão.
Rick Ancap
23/04/2026
Colonização digital? Choro de estatista que não entende que o mercado sempre vence.
Clarice Historiadora
23/04/2026
É exatamente isso: estamos vendo uma reedição do velho colonialismo, agora travestido de algoritmo e “inovação”. As big techs controlam dados, narrativas e até o imaginário coletivo. Como dizia Frantz Fanon, a dominação muda de forma, mas mantém o mesmo propósito — submeter.
Carlos A. Mendes
23/04/2026
Faz sentido essa preocupação. A gente fica dependente das ferramentas dessas empresas e nem percebe o quanto elas moldam nosso jeito de pensar e trabalhar. Não é papo de teoria da conspiração, é só olhar quem controla os dados e os algoritmos.
Zizi
23/04/2026
Ah, meus queridos, essa história de colonização digital é o velho filme da dominação com efeitos especiais de última geração. Antes, os impérios vinham de navio, com cruz e espada; agora, vêm de servidor e algoritmo. As big techs ocidentais vestem o discurso da inovação, mas o que fazem é impor seus valores, suas línguas e seus interesses sobre o resto do mundo. É o mesmo processo colonial, só que travestido de neutralidade tecnológica. E o pior: muitos dos nossos meninos mal-educados, fascinados com o brilho do Vale do Silício, aplaudem de pé esse novo tipo de dependência.
Quando falamos em inteligência artificial, precisamos lembrar que ela não é neutra. Quem treina os modelos define o que é “verdade”, o que é “relevante” e o que merece ser apagado. A IA reflete o olhar de quem a constrói — e, até agora, quem constrói são corporações que respondem aos interesses de Wall Street, não aos povos do Sul global. Enquanto isso, nossos dados, nossa cultura e até nossa maneira de pensar são minerados e vendidos como matéria-prima digital. É um novo tipo de pilhagem.
O Brasil, com sua tradição de resistência e criatividade, não pode aceitar passivamente esse papel de colônia tecnológica. Precisamos investir em pesquisa pública, em soberania digital, em algoritmos que entendam nossa língua e respeitem nossa diversidade. O governo Lula tem mostrado sensibilidade para essas pautas, mas é preciso que a sociedade também pressione. A luta pela independência agora passa pelos códigos e pelas redes.
Portanto, não sejamos ingênuos. A colonização digital é real e avança rápido. Cabe a nós, que já derrotamos outros impérios, construir uma inteligência artificial que sirva ao povo e não aos acionistas. Porque tecnologia sem soberania é só mais uma corrente disfarçada de modernidade.
Adalberto Livre
23/04/2026
EU JÁ SABIA!!! ESSAS BIG TECHS SÃO TUDO COMUNISTA DISFARÇADO DE MODERNO!!!
Rubens O Pescador
23/04/2026
Ô Adalberto, comunista é o povo que partilha o pão, não quem vende tua privacidade pro dólar. Essas big techs são mais capitalistas que fazendeiro em leilão de gado.
Evelyn Olavo
23/04/2026
Faz todo sentido esse alerta. A gente troca soberania por conveniência, entregando dados e decisões para algoritmos que nem entendemos. É uma colonização invisível, mas muito real. Precisamos discutir urgentemente alternativas locais e éticas para a IA.
Jeferson da Silva
23/04/2026
Perfeito, Evelyn. Essa colonização digital é o mesmo papo de sempre: vendem “inovação” pra sugar nossa mão de obra e nossos dados, igual fizeram nas fábricas. Sem soberania tecnológica, viramos peão até no mundo virtual.
Maura Santos
23/04/2026
Perfeito, Evelyn! E o mais doido é ver gente defendendo essas big techs como se fossem libertadoras, quando na real tão só trocando o chicote colonial por um algoritmo bonitinho de Silicon Valley.