Cientistas da NASA descobriram que cristais de hematita na cratera Gale, em Marte, indicam a presença de aquíferos aquecidos por até 4,7 milhões de anos. A análise das amostras coletadas pelo rover Curiosity revelou variações no tamanho e na estrutura dos cristais conforme a profundidade.
O estudo, publicado na revista Science, mostra que a hematita nas elevações mais altas apresenta cristalitos minúsculos, com menos de 10 nanômetros. Já nas regiões mais baixas, os cristais chegam a 65 nanômetros, enquanto a goethita, mineral associado à hematita, estava ausente nas camadas inferiores.
Tanya Peretyazhko, cientista planetária do Centro Espacial Johnson da NASA, explicou que as condições quentes e úmidas persistiram por longos períodos nas rochas enterradas. Mesmo após o clima da superfície ter se tornado frio, esses aquíferos profundos poderiam ter sido habitáveis se outros fatores essenciais estivessem presentes.
O crescimento dos cristais nas camadas mais profundas ocorreu pelo processo de amadurecimento de Ostwald. Nele, cristalitos menores se dissolvem e contribuem para o aumento dos maiores, enquanto nas camadas superiores a água foi insuficiente ou de curta duração para permitir esse crescimento.
O instrumento CheMin, a bordo do Curiosity, foi fundamental para a descoberta ao analisar a difração de raios X das amostras. Tom Bristow, investigador principal do CheMin, destacou que a técnica fornece informações sobre tamanho e forma dos cristais que não seriam obtidas por satélites.
Ashwin Vasavada, cientista do projeto Curiosity, ressaltou que o instrumento permite medições de alta precisão. Os dados revelaram não apenas a presença da hematita, mas também a dimensão dos cristalitos e a coexistência com outros minerais, como a goethita.
A descoberta reforça que Marte manteve ambientes subterrâneos aquecidos por milhões de anos. O estudo, liderado por Marek Szczerba e publicado com o DOI 10.1126/science.adv5447, amplia a compreensão da história climática marciana a partir de evidências diretas do solo do planeta.
Leia mais sobre o assunto na phys.org.
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