O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções contra a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico do Irã. O órgão foi criado por Teerã para analisar e processar pedidos de passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz.
A medida faz parte da guerra econômica de Washington contra a República Islâmica. Autoridades americanas alegaram que a entidade estaria vinculada à Guarda Revolucionária e classificaram suas atividades como ‘extorsão marítima’.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que a ação integra a política de ‘estrangulamento financeiro’ contra o Irã. Em comunicado, Bessent declarou que os Estados Unidos continuam a pressionar o que chamou de ‘principal patrocinador estatal do terrorismo no mundo’.
O Tesouro americano advertiu empresas e embarcações internacionais sobre riscos de sanções secundárias. A proibição inclui pagamentos, pedágios, ativos digitais e outros arranjos de compensação relacionados à passagem pelo estreito.
A nova rodada de sanções ocorre enquanto Washington alega negociar com Teerã. A contradição entre a retórica diplomática e as ações coercitivas expõe a estratégia americana de guerra econômica para impor interesses geopolíticos.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Por ele transita cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente, e o Irã exerce direitos soberanos sobre suas águas territoriais reconhecidos pelo direito internacional.
A tentativa de criminalizar o exercício desses direitos insere-se na estratégia americana de militarizar rotas comerciais. As sanções buscam asfixiar economicamente nações que resistem à hegemonia dos EUA na região.
As medidas contra a autoridade marítima iraniana somam-se a centenas de outras já em vigor. Elas afetam setores como petróleo, gás, sistema bancário e indústria de defesa, intensificando a instabilidade regional.
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Luan Silva
28/05/2026
Sanção é pouco, deviam bombardear. Faz o L nunca mais.
Paulo Ribeiro
28/05/2026
Luan, seu comentário merece uma reflexão mais aprofundada que vá além do impulso belicista. Quando você diz “sanção é pouco, deviam bombardear”, está reproduzindo exatamente a lógica que o pensamento crítico, de Gramsci a Mariátegui, denuncia como a forma mais brutal da hegemonia imperialista. Bombardear não é solução para conflitos geopolíticos; é a expressão máxima da incapacidade de compreender as contradições reais que sustentam o sistema global. O Estreito de Ormuz não é um mero ponto de estrangulamento logístico: ele simboliza a luta de um país soberano contra décadas de cerco econômico imposto por Washington. A violência militar que você defende, longe de resolver qualquer coisa, só aprofunda o ciclo de guerra e miséria que o capitalismo financeiro — aquele mesmo que seu “Faz o L” supostamente critica — alimenta há séculos.
O curioso é que essa postura de “bombardear logo” ignora o que Althusser chamaria de aparelhos repressivos do Estado: a força bruta sempre vem acompanhada de uma ideologia que justifica a dominação. A história recente do Oriente Médio mostra que cada intervenção militar estadunidense gerou mais instabilidade, mais resistência e mais sofrimento para os povos da região, enquanto as elites petrolíferas e as corporações bélicas lucram. Se você realmente quer combater a hegemonia global do capital, deveria estar ao lado dos que lutam contra as sanções unilaterais e a guerra infinita, não pedindo mais bombas. O “Faz o L” que você usa como deboche é, ironicamente, um símbolo de uma esquerda que busca justamente romper com essa lógica imperialista — e não fortalecê-la com discursos de força militar que ecoam os think tanks neoconservadores de Washington.
No fundo, sua fala revela uma visão reducionista, típica de quem acha que a geopolítica se resolve com mísseis, como num videogame. O mundo real exige compreensão das disputas de classe e das soberanias nacionais que o capital financeiro tenta esmagar. Sugiro que estude um pouco mais sobre a resistência iraniana e o papel do Estreito de Ormuz na afirmação de um projeto anti-imperialista que, sim, tem contradições internas — mas que não se combate com pilotos automáticos e bombardeios que só matam civis e aprofundam o ódio. A esquerda que prega paz com justiça social não pode cair no canto da sereia belicista. Menos “L” debochado e mais leitura de Mariátegui sobre a necessidade de transformar as estruturas, não de explodi-las por decreto imperial.
Lucas Andrade
28/05/2026
Luan, seu apelo à bomba é o mesmo fetiche de transparência que o Ocidente sempre usou para mascarar a própria violência estrutural — explodir o outro não libera o estreito, só reafirma que a única linguagem que o império conhece é a do escombro.
Marta Souza
28/05/2026
Apoio qualquer sanção contra regimes que tentam controlar o fluxo do comércio global. Esse tipo de interferência estatal só encarece o transporte e prejudica a economia de todos. Mas não me venham com vitimismo: o Irã sabe muito bem que o Estreito de Ormuz é rota de livre navegação, e não caberia a governo nenhum ficar dando licença para navio passar. Ou é mercado livre ou não é.
Clarice Historiadora
28/05/2026
Engraçado você defender “livre navegação” como princípio abstrato, mas o que os EUA fazem desde os anos 90 com o Iran-Libya Sanctions Act é justamente controlar quem pode comprar petróleo iraniano — Ou seja, para Washington vale o livre mercado, para Teerã vale a sanção. No fundo, é só o direito internacional servindo ao país mais forte.
Carlos Henrique Silva
28/05/2026
Marta, sua defesa do mercado livre como princípio abstrato ignora o fato de que o próprio sistema capitalista global nunca operou sob livre concorrência, mas sob assimetrias de poder garantidas por Estados hegemônicos. O Estreito de Ormuz não é uma via neutra onde navios circulam por bondade do espírito do comércio: ele está no centro de uma disputa geopolítica que envolve a energia fóssil que move o Ocidente. Quando os EUA aprovaram o Iran-Libya Sanctions Act nos anos 1990, não estavam defendendo o livre mercado, estavam usando o poder estatal para bloquear o petróleo iraniano e beneficiar aliados sauditas e iraquianos. O problema não é a interferência estatal em si, mas quem a exerce e com que interesses.
Você trata a soberania iraniana sobre o Estreito como ilegítima, mas por que a soberania de um país sobre suas águas territoriais seria menos válida que o direito de uma empresa de navegar sem pagar pedágio? Isso é o que Gramsci chamaria de hegemonia: transformar o interesse particular do capital transnacional em norma universal. O Irã não está inventando controle — está reagindo a décadas de sanções que já violaram qualquer princípio de livre comércio. O próprio Departamento de Energia dos EUA admite que sanções unilaterais funcionam como barreira comercial seletiva. Ou o livre mercado é para todos, ou é apenas um discurso para justificar a asfixia econômica de quem desafia a ordem.
A ironia é que o controle do Estreito por Teerã é um dos poucos instrumentos que um país periférico tem para negociar em condições minimamente igualitárias. Sem isso, o mercado que você defende seria apenas a lei do mais forte — e nessa lei, quem define as regras são os mesmos que impõem sanções enquanto falam em liberdade. Se o mercado fosse realmente livre, não haveria embargo ao petróleo iraniano, nem bloqueio financeiro via SWIFT. O que existe é uma luta de classes em escala global, onde o controle de rotas estratégicas é a única forma que alguns têm de não serem simplesmente engolidos pelo capital central. Apoiar sanções contra quem usa seu território para se defender é, no fundo, apoiar a hierarquia que já está aí.