O Kremlin acusou a Europa de hipocrisia ao reivindicar papel de mediação no conflito ucraniano enquanto fornece armas usadas contra forças russas. A declaração foi feita durante discussões sobre os benefícios da União Econômica Eurasiática (EAEU) para os países-membros.
Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, afirmou que o armamento europeu está diretamente envolvido nos combates. ‘Não se esqueçam de que as armas europeias estão atirando contra nós, e isso não pode ser ignorado’, declarou.
Peskov classificou como ‘estupidez’ a recusa da União Europeia em manter diálogo com Moscou. A crítica reflete o aumento das tensões entre Rússia e Ocidente devido ao apoio militar europeu à Ucrânia.
O porta-voz destacou que a União Econômica Eurasiática representa um modelo avançado de integração. Segundo ele, o bloco oferece benefícios concretos que impulsionam o desenvolvimento econômico dos países participantes.
A EAEU, composta por Rússia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Armênia, consolida-se como polo econômico no espaço pós-soviético. O bloco avança em áreas como comércio, investimentos e coordenação de políticas entre os membros.
As declarações de Peskov, conforme reportagem do portal Sputnik, evidenciam o distanciamento entre Moscou e Bruxelas. A Rússia reforça alianças alternativas ao eixo ocidental como resposta às sanções e ao isolamento imposto pela OTAN.
Leia também: Kremlin denuncia escalada militar europeia contra a Rússia
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Luiz Augusto
29/05/2026
A Europa nunca foi mediadora — sempre foi parte interessada. Enquanto financia a guerra na Ucrânia com bilhões de euros em armamentos, qualquer discurso de paz é mera cortina de fumaça. A Rússia erra em muita coisa, mas nessa crítica acertou em cheio: hipocrisia tem nome e sobrenome, e se chama União Europeia.
Célia Carmo
29/05/2026
Luiz, concordo que a Europa é uma farsa, mas passar pano pra Rússia é papo de lacrador bolsonarista, #ForaImperialismoDeTodosOsLados!
Paulo Ribeiro
29/05/2026
Luiz Augusto, seu comentário acerta ao identificar a contradição fundamental entre o discurso europeu de mediação e a prática concreta de financiamento bélico. Não há como negar que a União Europeia opera como um ator geopolítico que defende seus interesses de bloco, e não como um ente neutro preocupado com a paz mundial. Essa denúncia é necessária e precisa ser feita. No entanto, permita-me aprofundar a análise com uma mediação que Gramsci nos ensinou: a hegemonia não se sustenta apenas pela força, mas também pelo consenso. A Europa arma a Ucrânia — sim, e isso é um fato empírico inquestionável. Mas ela também constrói um discurso de “defesa da democracia” que encontra eco em setores progressistas ucranianos e internacionais. Ignorar essa dimensão ideológica é perder de vista como o poder opera no capitalismo tardio.
O ponto cego da sua crítica — e que aparece também na fala do Kremlin — é a tentação de transformar a denúncia da hipocrisia europeia numa espécie de validação moral da Rússia. Não se trata de passar pano para Putin, mas de entender que a Rússia cometeu um erro estratégico e político gravíssimo ao invadir a Ucrânia. Um erro que, como Althusser mostraria, está enraizado na lógica do capitalismo de Estado russo, que busca recompor sua esfera de influência pelos mesmos métodos imperialistas que critica no Ocidente. A hipocrisia tem nome e sobrenome, sim, mas não é monopólio da União Europeia: o discurso russo de “desnazificação” e “proteção de minorias” é tão instrumental quanto o humanitarismo europeu.
A saída dialética que Mariátegui indicaria não é escolher entre um imperialismo e outro, mas construir uma posição de classe que denuncie ambos os lados a partir dos interesses dos povos oprimidos — ucranianos, russos e europeus. A Ucrânia tem o direito de resistir à invasão, e a Europa tem o direito de apoiar essa resistência? Sim, do ponto de vista da autodeterminação dos povos. Mas apoiar a resistência ucraniana não significa endossar o projeto da OTAN ou a xenofobia antirrussa que emerge nesse processo. Da mesma forma, denunciar a hipocrisia europeia não significa minimizar o caráter reacionário do regime de Putin. Essa complexidade é que falta no debate polarizado que vemos aqui. A crítica à hipocrisia europeia é válida, mas ela precisa vir acompanhada de uma crítica igualmente contundente ao imperialismo russo — sob pena de cairmos numa geopolítica maniqueísta que serve apenas para manter o status quo.
Clotilde Pátria
29/05/2026
Ah, lá vem a Europa pagando de bonzinha enquanto arma a Ucrânia contra a Rússia. Isso é hipocrisia pura, igualzinho ao que o PT faz aqui no Brasil. O Putin está certíssimo em denunciar essa falsidade. Se continuar assim, daqui a pouco o comunismo toma conta do mundo todo e a gente vai ter que pedir socorro a Deus e a Bolsonaro.
João Silva
29/05/2026
Clotilde, reduzir a crítica à hipocrisia europeia a um pânico anticomunista e a um salvacionismo bolsonarista é transformar uma análise geopolítica complexa em teologia barata — a Europa arma a Ucrânia não por amor à democracia, mas para manter a própria hegemonia, e o discurso do “comunismo tomando conta” só escamoteia o fato de que o capitalismo global já nos engoliu há muito tempo sem precisar de foice e martelo.