Lula critica duramente decisão dos EUA e rejeita tratamento de ‘republiqueta’ ao Brasil

Ilustração editorial sobre Lula critica duramente decisão dos EUA e rejeita tratamento de 'republiqueta' ao Brasil. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como afronta à soberania nacional a decisão dos Estados Unidos de designar as duas maiores organizações criminosas do Brasil como grupos terroristas estrangeiros.

Em discurso no estado de Sergipe, Lula afirmou estar indignado com o anúncio do secretário de Estado americano, Marco Rubio, e rejeitou qualquer tentativa de tratar o país como uma ‘republiqueta’.

A medida foi anunciada por Rubio, que incluiu o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras, conforme reportagem do The Guardian.

O senador de extrema direita Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula na eleição presidencial de outubro, celebrou a decisão após reuniões com Donald Trump e Rubio em Washington.

Lula criticou duramente a família Bolsonaro, chamando-os de ‘traidores’ e ‘falsos patriotas’ por defenderem intervenção estrangeira no Brasil. O presidente lembrou que Flávio Bolsonaro já havia pedido abertamente que os EUA atuassem militarmente na Baía de Guanabara.

Rubio justificou a designação alegando que os grupos estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil, com alcance regional e presença em território americano. As facções, originadas em prisões brasileiras, controlam grande parte do tráfico internacional de cocaína.

O Comando Vermelho surgiu nos anos 1970 a partir do convívio entre presos políticos da ditadura militar e criminosos comuns. O PCC foi fundado na década de 1990 após o massacre de 111 presos no Carandiru, em São Paulo.

Ambas as organizações expandiram suas operações para exportação de drogas para os EUA e Europa. O CV atua com liderança descentralizada e perfil violento, enquanto o PCC opera de forma discreta e empresarial.

Lula vinha se opondo à classificação, defendendo que o Brasil já combate esses grupos com firmeza. Horas antes do anúncio, a Polícia Federal deflagrou operação contra a infiltração do PCC no setor financeiro.

Flávio Bolsonaro, em queda nas pesquisas após pedido de US$ 26,8 milhões a um banqueiro acusado de corrupção, comemorou a designação como conquista pessoal. Em suas redes sociais, comparou a ação americana com operações militares dos EUA no Caribe.

O encontro entre Trump e Lula na Casa Branca não abordou a designação das facções como terroristas. Lula destacou que Rubio não participou da reunião bilateral, sugerindo que o secretário estava ocupado apoiando conspirações contra o Brasil.

O episódio evidencia o aumento das tensões entre Washington e Brasília. A pressão americana na América Latina sob a bandeira da ‘guerra às drogas’ provocou aumento de 18% nos confrontos entre forças de segurança e grupos armados na região em 2025.

Especialistas alertam para possíveis consequências financeiras a brasileiros, como restrições bancárias baseadas em listas de terrorismo. A medida é interpretada como mais um capítulo da ofensiva intervencionista dos EUA contra países do Sul Global.


Leia também: Lula promete retaliação após expulsão de delegado brasileiro dos EUA


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