Um adenovírus geneticamente modificado conseguiu interromper o avanço do câncer de pâncreas em três pacientes durante um ensaio clínico nos Estados Unidos. O resultado preliminar foi divulgado no encontro anual da Sociedade Americana de Terapia Gênica e Celular em Boston.
O pesquisador da Universidade de Minnesota, Masato Yamamoto, liderou o desenvolvimento do tratamento viral e se mostrou surpreso com a eficácia mesmo em doses reduzidas. “Injetamos apenas um décimo da dose que pretendemos usar, então a resposta é melhor do que eu esperava, especialmente por se tratar de câncer de pâncreas”, afirmou Yamamoto.
O câncer de pâncreas é a forma mais letal da doença, com expectativa de vida de apenas três a seis meses após o diagnóstico. Isso ocorre porque os tumores possuem interiores fibrosos e duros, que bloqueiam a entrada de quimioterápicos e dificultam o reconhecimento pelo sistema imunológico.
O vírus utilizado é um adenovírus projetado para se replicar exclusivamente dentro dos tumores, sem afetar tecidos saudáveis. Sua replicação é ativada por uma enzima chamada ciclooxigenase-2 (COX-2), presente em níveis muito mais elevados nas células cancerígenas do que nas normais.
Após infectar as células do câncer, o vírus as faz explodir e morrer, liberando mais partículas virais que infectam células vizinhas. O primeiro paciente do ensaio, que tinha um tumor de 7 centímetros, recebeu o tratamento há cerca de um ano e, desde então, os tumores dos três participantes não cresceram.
Embora o resultado tenha sido reportado pelo site New Scientist, há cautela no meio científico. O cirurgião pancreático do Royal North Shore Hospital em Sydney, Kai Brown, ressaltou que a história da oncologia está repleta de sinais iniciais promissores que desapareceram em testes de fase mais avançada.
Brown também destacou que o ensaio atual não incluiu um grupo de controle, o que dificulta saber se o vírus funciona melhor do que outros tratamentos. Outros quinze pacientes serão agora tratados com doses mais elevadas para encontrar o nível ideal de aplicação.
Yamamoto acredita que os tumores podem começar a encolher conforme o vírus tiver mais tempo para se replicar. Sua equipe planeja combinar a terapia viral com imunoterapias em futuros ensaios clínicos para potencializar a resposta natural do organismo.
Adenovírus têm um longo histórico de investigação como possíveis tratamentos oncológicos desde os anos 1950. Atualmente, o único vírus antitumoral aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA é o T-VEC, um herpesvírus modificado usado contra melanomas.
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