A classificação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas pelos Estados Unidos marca um novo ponto de tensão entre Washington e Brasília. A medida, anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano, ultrapassa o combate ao crime organizado e ameaça a autonomia financeira e tecnológica do Brasil.
O governo brasileiro, sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, busca resolver a questão por meio da diplomacia. As relações entre os dois países, no entanto, já enfrentam desafios desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca.
Especialistas apontam que o argumento do narcoterrorismo já foi utilizado para justificar intervenções militares na Venezuela e operações no Caribe. Agora, o alvo parece ser o PIX, sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Central do Brasil em 2020.
A plataforma transformou o sistema financeiro nacional e reduziu a influência de empresas como Visa e Mastercard em um mercado de mais de 213 milhões de pessoas. Em abril, o PIX foi incluído em uma lista de barreiras comerciais pela Casa Branca, após investigação iniciada em julho de 2025.
Washington pode alegar que o PIX é utilizado por facções criminosas para lavar dinheiro, uma vez que a ferramenta é amplamente adotada pela população brasileira. O comunicado do Departamento de Estado afirma que as organizações criminosas operam também em território norte-americano, abrindo precedente para ações contra o sistema financeiro brasileiro.
Lula rejeitou a pressão externa e defendeu o PIX como um patrimônio nacional. O presidente afirmou que a plataforma pertence ao Brasil e não será alterada para atender interesses estrangeiros.
O Itamaraty emitiu nota reforçando que medidas unilaterais prejudicam o combate ao crime e ameaçam inovações como o PIX. A chancelaria destacou a falta de diálogo e alertou que a decisão pode enfraquecer a cooperação entre forças policiais.
A decisão dos EUA ocorre em um contexto político delicado. O anúncio foi feito dias antes de uma reunião entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente condenado por envolvimento em tentativa de golpe.
Lula criticou duramente a viagem de Flávio Bolsonaro, acusando-o de buscar interferência estrangeira. O presidente classificou como inaceitável que membros da família Bolsonaro continuem a defender ações contrárias aos interesses nacionais.
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