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Mulheres negras têm quase o dobro de risco de morte materna no Brasil

0 Comentários🗣️🔥 Mulher grávida sentada em poltrona, com mãos sobre a barriga. (Foto: metropoles.com) Mulheres negras enfrentam quase o dobro de risco de morte materna em comparação com mulheres brancas no Brasil. Um estudo nacional publicado no International Journal of Environmental Research and Public Health analisou 40.907 óbitos maternos ocorridos entre 2000 e 2020, revelando […]

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Mulher grávida sentada em poltrona, com mãos sobre a barriga. (Foto: metropoles.com)

Mulheres negras enfrentam quase o dobro de risco de morte materna em comparação com mulheres brancas no Brasil. Um estudo nacional publicado no International Journal of Environmental Research and Public Health analisou 40.907 óbitos maternos ocorridos entre 2000 e 2020, revelando que quase 60% das vítimas eram pretas e pardas.

A enfermeira Giovana Aparecida Gonçalves Vidotti, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e autora do estudo, investigou se a desigualdade racial havia diminuído ao longo dos anos. Os resultados mostram que as disparidades persistem de forma alarmante, evidenciando um problema estrutural nas instituições de saúde.

A mortalidade materna abrange óbitos durante a gestação ou até 42 dias após o parto, quando relacionados a causas gestacionais. O Brasil registra 57 mortes por 100 mil nascidos vivos, índice ainda distante da meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de reduzir para menos de 70 por 100 mil até 2030.

As principais causas de morte materna incluem condições obstétricas mal definidas (29,9% dos casos), hipertensão na gravidez (21,3%) e complicações no parto e pós-parto (15,2% e 13,2%, respectivamente). Abortos responderam por 7,8% dos óbitos.

Quase metade das mortes ocorreu no pós-parto imediato, período que concentrou 46,9% dos casos. Especialistas afirmam que muitos desses óbitos poderiam ser evitados com acompanhamento adequado. Mulheres indígenas apresentam risco mais de duas vezes superior ao de mulheres brancas.

A ginecologista e obstetra Ana Paula Beck, do Einstein Hospital Israelita, explica que o racismo estrutural afeta desde o acesso aos serviços até a qualidade do atendimento. Pacientes negras e indígenas frequentemente têm suas queixas menos valorizadas, com equipes reproduzindo estereótipos e abordagens inadequadas.

Vidotti destaca que fatores sociais, como acesso limitado a serviços de qualidade e início tardio do pré-natal, agravam a vulnerabilidade. O racismo institucional influencia diretamente o acolhimento e o manejo clínico, resultando em falhas no encaminhamento para serviços especializados.

A cobertura de pré-natal no Brasil é elevada, mas a qualidade do acompanhamento permanece um desafio no Sistema Único de Saúde (SUS). O protocolo ideal prevê 15 a 16 consultas, porém a média no SUS é de oito atendimentos, muitas vezes sem todos os exames recomendados.

A baixa escolaridade também está associada a maior risco de morte materna. Mulheres com menos anos de estudo enfrentam dificuldades adicionais de acesso a serviços e informações. As regiões Norte e Nordeste concentram os piores indicadores, onde fatores econômicos e de infraestrutura aprofundam as desigualdades.

Os próximos passos da pesquisa incluem aprofundar a análise para subsidiar políticas públicas mais eficazes. O estudo reforça que, sem enfrentar o racismo estrutural e fortalecer o pré-natal no SUS, o Brasil dificilmente alcançará as metas internacionais de redução da mortalidade materna.

Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.


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