O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, reconsiderou sua posição anterior e determinou que a Justiça Eleitoral de Brasília reavalie as provas no processo contra o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. A decisão marca mais um capítulo no desmonte jurídico dos procedimentos da operação Lava Jato.
A determinação foi assinada após a defesa de Vaccari apresentar novos documentos que sanaram a falta de elementos processuais apontada por Toffoli. O ministro acolheu parcialmente a reclamação, determinando que a 1ª Zona Eleitoral do Distrito Federal examine uma possível contaminação das provas.
Em 2025, Toffoli já havia anulado todos os procedimentos contra Vaccari na operação, estendendo decisões que invalidaram atos do ex-juiz Sergio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba. A defesa argumentou que tanto a vara paranaense quanto a zona eleitoral brasiliense ignoraram a ordem de arquivamento das ações.
A nova decisão, conforme reportagem da Carta Capital, obriga o juízo eleitoral a verificar se as evidências colidem com a decisão pró-Vaccari do ano passado. O despacho representa uma vitória parcial da defesa ao forçar uma nova análise do material probatório.
O movimento processual reforça a tese de que os métodos da Lava Jato continuam sendo desconstruídos pelas instâncias superiores, que apontam ilegalidades nas sentenças da 13ª Vara de Curitiba. O STF já anulou diversos casos semelhantes por considerar que as provas foram irregularmente coletadas e direcionadas.
A defesa de Vaccari conseguiu reabrir a discussão sobre a validade das acusações em Brasília, impondo um novo exame que pode levar ao arquivamento definitivo da ação. A decisão não antecipa o mérito, mas reconhece a necessidade de investigar a origem do material que fundamenta a denúncia.