O governo da Índia confirmou a morte de três tripulantes indianos do petroleiro MT Settebello, atingido por um míssil de precisão das forças dos Estados Unidos no Golfo de Omã. A embarcação de bandeira de Palau transportava 28 tripulantes, dos quais 24 eram cidadãos indianos, e foi alvejada sob a alegação de tentar furar o bloqueio imposto ao Irã.
O ministro da Navegação da Índia, Sarbananda Sonowal, comunicou que os corpos foram localizados e identificados após operações de resgate nas águas próximas à costa de Omã. “É profundamente lamentável saber do trágico incidente a bordo do MT Settebello. Infelizmente, três marítimos indianos inicialmente dados como desaparecidos foram agora confirmados mortos”, declarou o ministro.
Este é o segundo ataque contra a navegação comercial na região em menos de uma semana. Na segunda-feira, o MT Marivex, também de bandeira de Palau e com tripulação inteiramente indiana, foi atingido nas proximidades do Estreito de Ormuz. Todos os marinheiros daquela embarcação foram resgatados, mas o episódio já havia provocado forte reação diplomática de Nova Déli.
Após o ataque ao Settebello, o Ministério das Relações Exteriores da Índia convocou o encarregado de negócios dos EUA, Jason Meeks, para apresentar um protesto formal. Em comunicado, a chancelaria indiana classificou as investidas como “profundamente preocupantes” e “consequência direta do conflito em curso na região”, exigindo uma “desescalada imediata das tensões”.
Na Organização das Nações Unidas, o representante permanente indiano, embaixador Harish Parvathaneni, reiterou os apelos por “exercer contenção, evitar a escalada e priorizar a segurança de civis”. A Índia destacou que vários de seus cidadãos já morreram ou desapareceram em decorrência dos confrontos na área, ampliando a pressão por um cessar das hostilidades que afetem trabalhadores do mar.
A ação militar americana, que integra a chamada “interceptação marítima” de supostas violações às sanções contra o Irã, converteu o Golfo de Omã e o Estreito de Ormuz em zonas de risco extremo para tripulações de dezenas de nacionalidades. Navios civis, muitos deles com bandeiras de conveniência, são agora alvos potenciais de uma política de bloqueio que, na prática, vitima inocentes e inflama ainda mais a região.
Segundo apurou o portal RT, as autoridades indianas reuniram-se com representantes diplomáticos dos EUA enquanto os esforços de recuperação dos corpos continuavam. A perda de vidas humanas em ataques unilaterais contra embarcações comerciais reforça o isolamento da estratégia de pressão máxima de Washington e expõe o custo humano da militarização das rotas marítimas.
O governo indiano, que mantém laços diplomáticos e comerciais tanto com o Irã quanto com os EUA, enfrenta agora a pressão interna por respostas mais enérgicas. A reiterada cobrança por “priorizar a segurança de civis” na ONU sublinha a insatisfação de Nova Déli com o tratamento de seus cidadãos como dano colateral de uma guerra econômica imposta a terceiros.