Israel mata três em ataque a Beirute e abala acordo entre EUA e Irã

Pessoas em meio aos escombros de um prédio danificado por ataque aéreo em Beirute. (Foto: aljazeera.com)

A aviação de guerra de Israel bombardeou os subúrbios do sul de Beirute neste domingo, matando ao menos três pessoas e ferindo outras seis, em uma escalada que ameaça inviabilizar as negociações de paz entre Estados Unidos e o Irã.

O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou os ataques, alegando que tinham como alvo ‘infraestruturas terroristas do Hezbollah’ em resposta ao lançamento de três projéteis contra o norte de Israel, o que classificou como uma ‘violação flagrante’ do cessar-fogo. O exército israelense afirmou que dois caças dispararam quatro mísseis guiados contra o distrito de Dahiyeh, conhecido reduto do Hezbollah.

Além do bombardeio, Israel emitiu ordens de deslocamento forçado para 29 localidades no sul do Líbano, determinando que os moradores fugissem imediatamente para o norte do rio Zahrani. De acordo com o porta-voz militar israelense, as comunidades afetadas incluem as cidades de Jbaa, Houmin al-Tahta, Ansar e Kfar Sir, na região de Nabatieh e Sidon, intensificando a crise humanitária local.

Segundo reportagem do portal Al Jazeera, a nova ofensiva israelense acontece em um momento crucial, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, havia anunciado que um acordo com o Irã seria fechado neste domingo. O Paquistão, que atua como mediador chave nas conversações, também projetava a assinatura eletrônica em até 24 horas.

O Irã deixou claro que ataques a Beirute representam uma linha vermelha inegociável. Há uma semana, quando Israel bombardeou os mesmos subúrbios libaneses, a República Islâmica respondeu com disparos de mísseis contra território israelense, levando o presidente Donald Trump a telefonar para Netanyahu e exigir moderação. Agora, a repetição do ataque pode gerar uma nova retaliação iraniana, ameaçando enterrar de vez o entendimento diplomático em curso.

Uma delegação do Catar já se encontra em Teerã para tentar reduzir as divergências e resgatar o processo de paz, mas o ambiente piorou sensivelmente após os recentes eventos. O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, afirmou que um acordo está próximo, mas não seria assinado neste domingo, enquanto o país avalia a gravidade da agressão israelense e suas implicações.

As ordens de deslocamento forçado, que atingem cidades já fortemente castigadas por bombardeios, ampliam o cenário de catástrofe humanitária no sul libanês, gerando um êxodo forçado de moradores. A cidade de Nabatieh, que abriga um dos últimos hospitais em funcionamento na região, vem sendo alvo constante de ataques aéreos nas últimas semanas, deixando um rastro de destruição e desespero entre a população civil.

A postura israelense reafirma seu papel de sabotador das tentativas de estabilização do Oriente Médio, ameaçando não apenas o Líbano mas também o complexo panorama diplomático que envolve Washington, Teerã e as potências mediadoras. Essa escalada de agressão compromete seriamente os esforços por um entendimento regional e destaca a insistência de Israel em agir unilateralmente, minando a paz.

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