Paquistão media acordo histórico entre EUA e Irã para cessar guerra e reabrir Ormuz

Mulher passa em frente a cartaz com imagem do presidente iraniano Raisi, em Teerã. (Foto: aljazeera.com)

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, destacou o papel crucial de seu país na mediação de um acordo histórico entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irã, visando o fim da guerra no Oriente Médio. Em discurso à Assembleia Nacional nesta segunda-feira, 15 de junho, Sharif elogiou a atuação do chefe do exército paquistanês, Marechal Asim Munir, por seu empenho incansável nas negociações.

O conflito teve início com uma ofensiva do Exército dos EUA, juntamente com Israel, em 28 de fevereiro, e durou meses, afetando profundamente a região e os mercados globais de energia. Esse período foi marcado por intensos combates e um bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos contra o Irã.

A mediação paquistanesa levou a um cessar-fogo de duas semanas em 8 de abril, com o apoio de líderes do Catar, Arábia Saudita, Turquia e China. Negociações subsequentes ocorreram nas Conversações de Islamabad em 11 e 12 de abril, embora sem um acordo final imediato.

O acordo, que deverá ser formalizado em Genebra, na Suíça, em 19 de junho, prevê a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano. O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o entendimento em sua plataforma Truth Social, anunciando a retirada do bloqueio marítimo imposto a Teerã.

Além disso, o Estreito de Ormuz, uma rota estratégica controlada pelo Irã desde o início da guerra, será reaberto para trânsito normal. O memorando de entendimento de 10 pontos do Irã, que serviu de base para as discussões, também inclui a retirada do bloqueio naval dos EUA e a gestão da passagem por Teerã.

A questão dos ativos congelados do Irã, estimada em 24 bilhões de dólares, será abordada nas negociações técnicas subsequentes ao acordo. Embora o Paquistão e os Estados Unidos tenham expressado otimismo, o Ministério das Relações Exteriores do Irã, por meio de seu porta-voz Esmaeil Baqaei, indicou que a data exata da assinatura ainda precisava ser confirmada, não descartando que ocorresse nos próximos dias.

O Paquistão tem sido um mediador-chave, facilitando um diálogo constante e superando a desconfiança entre as partes beligerantes, com Sharif reiterando o compromisso de seu governo em buscar uma solução diplomática. A iniciativa conjunta de paz com a China, assinada em março, também refletiu preocupações sobre o impacto do conflito na estabilidade regional.

A determinação de Islamabad em facilitar o diálogo, mesmo sob circunstâncias difíceis, foi essencial para alcançar este resultado histórico, que é visto como um marco na diplomacia internacional. Conforme noticiou o portal Demócrata, o Paquistão organizará a cerimônia de assinatura do acordo provisório em Genebra.

Com informações de Al Jazeera.

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