Trump exibe acordo preliminar com Irã e busca trégua na Ucrânia e Líbano no G7

Presidente Donald Trump posa em frente ao símbolo do G7 durante evento na França. (Foto: aljazeera.com)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou à cúpula do Grupo dos Sete (G7) em Evian-les-Bains, na França, ostentando o acordo preliminar de cessar-fogo com a República Islâmica do Irã como um feito pessoal. O republicano também sinalizou a ambição de interromper as hostilidades na Ucrânia e no Líbano, em meio à desconfiança crescente dos parceiros sobre sua performance geopolítica errática.

Conforme apurou o Al Jazeera, a recepção com o presidente francês Emmanuel Macron incluiu declarações triunfantes do líder norte-americano sobre a virada no Oriente Médio. Ele atribuiu a queda do preço do petróleo e a disparada das bolsas ao pacto, afirmando que “muitas coisas boas vão acontecer no Oriente Médio” e que o acordo trará “muito sucesso ao mundo”.

Este entendimento busca encerrar formalmente a guerra lançada pelos EUA e por Israel contra a República Islâmica do Irã, iniciada no final de fevereiro deste ano. Muitos líderes expressaram alívio com a perspectiva de estabilização no Oriente Médio, após semanas de intenso conflito na região. O acordo preliminar é visto como um passo crucial para diminuir as tensões e reabrir canais diplomáticos, o que pode influenciar positivamente a segurança global.

Contudo, o clima geral na cúpula foi arrefecido por novas ameaças tarifárias dos EUA contra a França, indicando uma persistência nas políticas comerciais protecionistas de Washington. Esta postura gerou preocupação entre os países europeus, que já enfrentam desafios econômicos e veem tais medidas como obstáculos à cooperação global.

Além disso, a retórica de Washington questionando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o apoio militar mútuo gerou apreensão entre os aliados europeus. Muitos veem a aliança transatlântica como um pilar essencial para a segurança regional e global, e as declarações de Trump alimentam incertezas sobre o futuro da coalizão.

A relação de Trump com os aliados está estremecida desde que ele decidiu lançar a ofensiva militar sem consultar Paris, Londres, Berlim ou Roma. O presidente dos EUA rebateu as críticas acusando seus pares da OTAN de não se juntarem à operação, gerando atritos com o presidente francês Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o chanceler alemão Friedrich Merz e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni.

França, Reino Unido e Alemanha se dispuseram a colaborar na segurança do Estreito de Ormuz, que sob os termos do acordo deveria ser reaberto pela República Islâmica do Irã. Trump respondeu que alguns navios já transitam sem custos e que “não precisaremos de muita ajuda”, embora tenha admitido que não seria má ideia que países como a França enviassem “um navio ou dois” à região.

Sobre a Ucrânia, o presidente dos EUA afirmou ter tido uma “conversa muito boa” com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy e o líder russo Vladimir Putin. Disse acreditar que ambos estão abertos a um acordo de paz e que tentará avançar nas negociações. Zelenskyy, por sua vez, ofereceu um encontro com Putin, Trump e outros líderes europeus durante o G7, mas o Kremlin ainda não respondeu formalmente à proposta.

Um obstáculo jurídico para a concretização dessas negociações é o mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra Putin, que a França teria de cumprir como signatária. Tanto os EUA quanto a Rússia rejeitam a jurisdição da corte, criando um impasse diplomático complexo para a anfitriã da cúpula e dificultando qualquer reunião presencial.

Além das crises militares e das tensões diplomáticas, a cúpula do G7, que se encerra na quarta-feira, debaterá temas cruciais como os desequilíbrios econômicos globais, o rápido avanço da inteligência artificial e o crescente domínio chinês sobre minerais de terras raras usados em aparelhos eletrônicos cotidianos e tecnologias estratégicas. Trump chega com o vento a favor em relação ao acordo com a República Islâmica do Irã e suas alegações de sucesso, mas enfrentará o desafio de convencer os aliados de que suas ambições de paz na Ucrânia e no Líbano não são apenas retórica, em um cenário de crescentes desconfianças sobre a liderança dos EUA no palco global e as divisões persistentes dentro do próprio G7.

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