O ex-inspetor de armas da ONU Scott Ritter fez duras críticas à atual administração dos Estados Unidos, classificando os principais assessores militares de Donald Trump como “cheerleaders cegos” que encorajam aventuras militares sem considerar a realidade. Em entrevista ao programa Judging Freedom, Ritter afirmou que figuras como o presidente do Estado-Maior Conjunto e Pete Hegseth foram escolhidos justamente por sua postura subserviente, dispostos a dizer “sim” a qualquer operação que o presidente queira empreender.
Segundo Scott Ritter, essa atitude belicista já levou os EUA a derrotas no passado. “Nós apanhámos porque calculamos mal, porque não levamos em conta a realidade”, disse, referindo-se a conflitos anteriores. Ele alertou que um eventual confronto com o Irã seria ainda mais grave: “Se nos envolvermos com o Irã, a coisa vai escalar para além da nossa capacidade de contê-la. Vamos ficar sem munições de precisão”. Ritter enfatizou que essa análise já era conhecida há anos, mas é ignorada pelos atuais “cheerleaders”.
Ao analisar o recente Memorando de Entendimento assinado entre Washington e Teerã, o entrevistado foi categórico: os Estados Unidos são “incapazes de cumprir acordos”. Ritter lembrou a frase do chanceler russo Sergey Lavrov e explicou que quase todas as questões centrais do documento foram postergadas por 60 dias, sem resolução real. “Não resolvemos nada”, afirmou, citando o impasse sobre o direito iraniano ao enriquecimento de urânio e a recusa do Irã em entregar o controle do material enriquecido, que Trump chamou jocosamente de “poeira nuclear”.
De acordo com Scott Ritter, o maior obstáculo é que o Irã não perdeu a guerra, portanto os EUA não podem ditar termos de rendição. “Sanções, reparações, ativos confiscados… tudo isso será um enorme problema político para Trump”, previu. Contudo, o ponto mais grave foi a promessa americana de não ameaçar o uso da força durante as negociações. Horas depois de assinar o documento, disse Ritter, Trump declarou que bombardearia o Irã “até virar pó”, minando completamente a credibilidade do acordo.
O ex-inspetor afirmou que esse comportamento destrói qualquer confiança internacional. “A assinatura de Trump não vale nada. Sob ele, a palavra dos Estados Unidos não vale nada. Somos incapazes de cumprir acordos”, declarou. Ritter estendeu a desconfiança a outras potências: “Os russos agora olham para Trump e dizem que não podem acreditar em uma só palavra. E os chineses estão dizendo o mesmo”. Para ele, a falta de integridade do presidente americano isola os EUA no cenário global.
Ritter concluiu que a crise de credibilidade não é um episódio isolado, mas um padrão ligado à personalidade do ocupante da Casa Branca. “Donald Trump é um mentiroso nato, um fanfarrão, um bufão. Ele não tem a integridade que a presidência exige”, disparou, reforçando que as decisões militares apoiadas por bajuladores cegos representam um risco real não apenas para os Estados Unidos, mas para a estabilidade internacional.