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Datafolha mostra reviravolta em favor de Lula em São Paulo

16 Comentários🗣️🔥 A pesquisa Datafolha divulgada na semana passada registra empate entre Lula e Flávio Bolsonaro no estado de São Paulo, com 35% cada na intenção de voto estimulada para presidente. Em votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, cada um marca 40%. O instituto ouviu 1.608 eleitores em 71 municípios paulistas entre 1º […]

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24.10.2022 – Lula, Alckmin e Haddad participam do Ato em Defesa da Democracia e do Brasil, organizado pelo Grupo Prerrogativas, no Teatro Tuca, em São Paulo. Marina Silva, Simone Tebet e personalidades políticas e artísticas estiveram presentes. Foto: Ricardo Stuckert

A pesquisa Datafolha divulgada na semana passada registra empate entre Lula e Flávio Bolsonaro no estado de São Paulo, com 35% cada na intenção de voto estimulada para presidente. Em votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, cada um marca 40%. O instituto ouviu 1.608 eleitores em 71 municípios paulistas entre 1º e 3 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro SP-01703/2026 na Justiça Eleitoral.

O número ganha dimensão quando colocado sobre a régua de 2022. Naquele ano, Jair Bolsonaro fez 47,71% dos votos válidos no primeiro turno em São Paulo, o equivalente a 12,24 milhões de votos, contra 40,89% de Lula, que somou 10,49 milhões. No segundo turno, Bolsonaro venceu no estado por 55,24% a 44,76%, uma frente de 2,7 milhões de votos, maior que a diferença nacional inteira daquela eleição, que foi de 2,1 milhões. Lula se elegeu presidente perdendo São Paulo por larga margem.

Quatro anos depois, no cenário estimulado de primeiro turno da pesquisa, Lula marca em votos válidos os mesmos 40% que levou às urnas no primeiro turno de 2022. Flávio marca 7,7 pontos a menos que o pai obteve naquele primeiro turno. No cenário de segundo turno, a vantagem da direita encolheu de 10,5 pontos nas urnas de 2022 para 3 pontos na pesquisa de julho, com Flávio em 46% e Lula em 43%, empate técnico pela margem de erro. Em março, a mesma simulação de segundo turno registrava 48% a 41%. Em quatro meses, Lula subiu dois pontos e Flávio caiu dois. O bolsonarismo segue competitivo em seu principal celeiro de votos, mas sem Jair na cédula ainda não recuperou o tamanho de 2022. Um sinal de que parte dessa diferença pode voltar está na pesquisa espontânea, em que 3% dos paulistas ainda respondem que votarão em Jair Bolsonaro.

Gráfico compara Bolsonaro e Lula em SP no 1º e no 2º turno, urnas de 2022 x Datafolha de julho de 2026

Os recortes explicam a sustentação de cada campo. Lula vence entre as mulheres por 37% a 32%, entre eleitores de ensino fundamental por 43% a 32% e na faixa de renda de até dois salários mínimos por 37% a 32%, o maior estrato da amostra. Flávio domina entre os homens, com 39% a 33%, entre quem ganha mais de dez salários mínimos, com 48% a 32%, e entre evangélicos, com 48% a 25%, todos no cenário de primeiro turno. No interior, seu maior reduto, o senador abre 52% a 38% na simulação de segundo turno. O interior concentra 53% do eleitorado paulista e é hoje o principal obstáculo de Lula no estado. O outro é a rejeição. Metade dos paulistas, 51%, diz que não votaria no presidente de jeito nenhum, o índice mais alto entre todos os candidatos testados. A rejeição a Flávio é de 43%.

Os jovens invertem o mapa

No resto do país, a força histórica de Lula está entre os eleitores mais velhos e mais pobres. Em São Paulo, o quadro etário aparece invertido. Entre os jovens de 16 a 24 anos, Lula abre 37% a 28% sobre Flávio, nove pontos, sua maior vantagem em qualquer faixa etária. Já na faixa de 60 anos ou mais, Lula perde por 39% a 36%. O voto de Flávio cresce ponto a ponto conforme a idade avança, de 28% entre os mais jovens até 39% entre os mais velhos. O eleitorado bolsonarista paulista envelheceu, e a pesquisa fotografa esse envelhecimento com nitidez.

Gráfico mostra Lula na frente entre os jovens no 1º turno em SP e Flávio crescendo com a idade

A vantagem juvenil de Lula, porém, é rasa. Na pesquisa espontânea, apenas 15% dos jovens citam o presidente, e 56% da faixa não sabem responder. É um voto favorável e pouco cristalizado, disputado por todos os lados. À direita, o influenciador Renan Santos marca 3% no total, mas chega a 6% na faixa de 25 a 34 anos, e Ricardo Salles, candidato ao Senado, tem nos jovens de 16 a 24 seu melhor recorte, com 17%. À esquerda, o dado mais surpreendente do levantamento estadual. Na disputa pelo governo, Vera Lúcia, Vivian Mendes e Carlos Machado somam 29% entre os jovens, quase alcançando os 23% de Fernando Haddad na mesma faixa.

Haddad abaixo de 2022 e o peso do padrinho

Haddad marca 30% contra 46% de Tarcísio de Freitas no primeiro turno estadual e 37% contra 53% no segundo. Sua rejeição, de 47%, é a maior da disputa paulista e sobe a 60% entre quem ganha mais de dez salários mínimos. A pesquisa também mediu o peso dos padrinhos. Um candidato ao governo apoiado por Jair Bolsonaro teria o voto certo de 27% dos paulistas, enquanto um apoiado por Lula teria 19%. A rejeição ao apadrinhado de Lula chega a 54%, contra 49% do apadrinhado de Bolsonaro. O fenômeno já apareceu nas urnas. Em 2022, no mesmo dia e nas mesmas urnas, Haddad recebeu 8,34 milhões de votos no primeiro turno, 2,15 milhões a menos que Lula no estado. O voto de Lula em São Paulo é pessoal e não se transfere por indicação. O dado positivo para o ministro é o avanço no conhecimento, com a citação espontânea subindo de 2% em março para 8% em julho.

Quanto custa a fotografia

Segundo os dados abertos do TSE, 34 pesquisas foram registradas em 2026 no âmbito da eleição estadual de São Paulo até esta semana. O recorte é apenas estadual e não inclui os registros de âmbito nacional. Os valores declarados variam de R$ 4 mil, da Ipsensus Pesquisas, a R$ 279.386,89, da Quaest, com média de R$ 76,9 mil por levantamento. No custo por entrevistado, a variação vai de R$ 0,80, em um registro da Badra Comunicação, a R$ 169,33, da Quaest, com média de R$ 42,50. O levantamento do Datafolha contratado pela Folha de S.Paulo custou R$ 185.706,64 por 1.608 entrevistas presenciais em pontos de fluxo, ou R$ 115,49 por entrevistado, o segundo maior custo por entrevista entre as 34 pesquisas paulistas, atrás apenas da Quaest.

A régua de 2022 também recomenda cautela na leitura dos números atuais. A última Datafolha estadual antes do primeiro turno daquele ano dava Haddad com 39% dos válidos contra 31% de Tarcísio, e Márcio França com 45% contra 31% de Marcos Pontes no Senado. Nas urnas, Tarcísio fez 42,3% contra 35,7% de Haddad, e Pontes fez 49,7% contra 36,3% de França. O instituto subestimou o voto bolsonarista paulista em até 14 pontos no primeiro turno e acertou o segundo com precisão. Se algum viés da mesma natureza persistir, o empate atual é o cenário otimista para o campo de Lula, não o piso.

São Paulo tem 33,6 milhões de eleitores aptos em 2026, 21% do eleitorado nacional. Mantido o padrão de 2022, com abstenção de 21,6% e 94% de votos válidos entre os presentes, o estado deve produzir cerca de 24,7 milhões de votos válidos para presidente. Cada ponto percentual valerá em torno de 247 mil votos. Os 40% que Lula registra hoje equivalem a 9,9 milhões de votos, praticamente o mesmo volume que o levou à vitória nacional em 2022 apesar da derrota paulista. A diferença é que, desta vez, a disputa no maior colégio eleitoral do país começa empatada.


Baixe os relatórios completos da pesquisa Datafolha

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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Alessandro

19/07/2026

Pesquisas manipuladas, a esquerda tá em pânico, sabem que se perder, vai todo mundo em cana a partir de 2027, pelos roubos dos aposentados INSS e caso MASTER

    Fernanda Oliveira

    19/07/2026

    Alessandro, a pesquisa Datafolha segue metodologia padrão e é auditada pelo TSE, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Acusações de manipulação exigiriam evidências concretas, como indícios de fraudes na coleta ou na ponderação dos dados — sem isso, é apenas uma opinião. Sobre INSS e Master, são temas que merecem investigação específica, mas não estão relacionados à validade técnica do levantamento.

      João Carlos da Silva

      19/07/2026

      Concordo, Fernanda, que o rigor metodológico do Datafolha é auditável e não se confunde com ilações sobre outros temas. O problema, a meu ver, está na fetichização dos números: reduzir a disputa política a percentuais desidrata o debate substantivo sobre projetos de país. Pesquisa bem-feita não substitui a análise crítica das forças sociais que aqueles votos representam.

        Mariana Oliveira

        19/07/2026

        Concordo plenamente que os números sozinhos apagam as disputas materiais. Uma pesquisa não conta como a fome, o racismo ambiental e a precarização do trabalho atingem desigualmente corpos racializados e periféricos — e é essa trama que define o voto muito antes de qualquer sondagem.

Clenis

19/07/2026

Mentira tudo isso

    Lucas Andrade

    19/07/2026

    Negar números não apaga a realidade material que eles descrevem, Clenis. A pesquisa é um dispositivo de poder, sim, mas descartá-la como mentira é apenas recusar o confronto com o real que te desagrada.

      Carlos Meirelles

      19/07/2026

      Números são números, Lucas, mas o que realmente importa é o rumo do país. Empate técnico não apaga o fato de que a receita intervencionista já quebrou o Brasil antes.

        Padre Antônio Rocha

        19/07/2026

        Carlos, pesquisa nenhuma apaga o fracasso moral e econômico da esquerda. O que quebrou o Brasil foi justamente essa receita estatizante, aliada ao desprezo pela família e pela fé. Prefiro um país que respeite a tradição a um que se renda a números ilusórios.

        Paula Santos

        19/07/2026

        Carlos, entendo sua preocupação com o rumo do país — como cristã, também acredito que precisamos avaliar as propostas com cuidado. Mas lembrar que “quebrou o Brasil” ignora que o país teve momentos de crescimento e inclusão social nesse período, assim como a atual gestão enfrenta desafios. No final, o que nos une deve ser a busca por justiça e honestidade, não a demonização do outro lado.

        Maria Clara Lopes

        19/07/2026

        Carlos, entendo sua preocupação com modelos econômicos passados, mas julgar uma candidatura apenas por governos anteriores pode ignorar contextos diferentes. Acho que o mais produtivo seria avaliar propostas factíveis para o cenário atual, em vez de repetir rótulos que já conhecemos.

        Carlos Oliveira

        19/07/2026

        Carlos Meirelles, essa história de “receita intervencionista quebrou o Brasil” é o mesmo discurso que já vimos antes. Quem quebrou o país foram juros altos, desemprego e precarização dos direitos. Intervenção pra salvar banco eles adoram, pra garantir saúde e educação pública é que é “intervencionismo”.

        Luciana

        19/07/2026

        Bonito falar em “rumo do país”, Carlos, mas no fim do mês quem paga as contas quer saber se o preço do gás e do arroz cabe no bolso. Enquanto ficam nessa briga de narrativa, a gente vê o juro do cartão corroendo a renda.

Rick Ancap

19/07/2026

Interessante ver essa reversão em SP, já que nos levantamentos anteriores Lula aparecia com vantagem mais folgada no estado. Será que a margem de erro de 2 pontos já explicaria esse empate técnico ou existe uma mudança real de percepção entre os eleitores do interior e da capital? Fico curioso para saber como a pesquisa captou o peso dos votos válidos na reta final.

    Ana Paula Conserva

    19/07/2026

    A reversão em São Paulo mostra que o eleitorado está acordando para o que realmente importa: a defesa da família e da vida. A margem de erro pode até explicar o empate técnico, mas a tendência de queda do PT reflete a rejeição às pautas que desestruturam a sociedade.

Eduardo Nogueira

19/07/2026

Empate técnico é eufemismo pra maquiar a queda livre do molusco. Datafolha já errou feio em 2018, mas a mídia insiste em empurrar esse “empate” como reviravolta. Será que o pessoal do interior de SP realmente acredita que o Flávio vai perder pra um presidiário? Ou é só viés de quem banca a pesquisa?

Cecília Silva

19/07/2026

Empate técnico em SP mostra que o ódio ainda tem força, mas a memória do povo não é curta. Lula cresce onde o bolsonarismo tentou apagar a história, e nas quebradas a gente sabe o que cada um fez. A pergunta que fica é: os institutos estão ouvindo as marginais ou só os condomínios fechados?


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