Em entrevista ao Bom dia, Ministro, ele reforçou a urgência de acabar com escala que prevê apenas um dia de descanso por semana
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República (SG-PR), Guilherme Boulos, foi o convidado do programa “Bom Dia, Ministro” desta quarta-feira, 21 de janeiro.
Durante a entrevista, ele abordou o debate sobre o fim da escala 6×1 no Brasil. A mudança na jornada de trabalho é uma das prioridades do governo para 2026.
Boulos também apresentou o progresso dos debates sobre a regulação dos aplicativos de entrega, que visa ampliar a proteção social e melhores condições de trabalho para entregadores, bem como a proposta de participação popular no orçamento federal, a iniciativa Orçamento do Povo.
Escala 6×1
O ministro atualizou o andamento da discussão em torno da revisão da escala 6×1, que prevê apenas um dia de descanso por semana.
“Está avançando muito bem o diálogo com os setores do Congresso. Estive com o presidente da Câmara, Hugo Motta, na semana passada, junto com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e fizemos uma conversa sobre o fim da 6×1. Há um avanço na discussão para que a gente vote ainda neste semestre o fim da escala e consiga dar essa resposta aos trabalhadores”, disse Boulos.
O tema integra a lista de objetivos assumidos pelo Governo do Brasil para melhorar a qualidade de vida e as condições laborais dos trabalhadores brasileiros.
“A proposta que estamos construindo, defendida pelo presidente Lula e pelo nosso governo, é de, no máximo, de 5×2, 40 horas semanais. Hoje o máximo é 44 horas semanais e queremos reduzir para 40, sem redução de salário. Esta é a proposta que está sendo desenhada para todos os setores da economia no Brasil, por uma questão de dignidade dos trabalhadores”, reforçou o ministro.
Produtividade
De acordo com Boulos, o fim da escala 6×1 não significa redução da produtividade dos trabalhadores. Ele apresentou exemplos de outros países que implementaram a redução da jornada e não sofreram com baixa produtividade.
“A Islândia, em 2023, reduziu para 35 horas, com jornada 4×3 e a economia cresceu 5% e a produtividade do trabalho aumentou 1,5%. Nos Estados Unidos, houve uma redução média de 35 minutos de trabalho por dia nos últimos 3 anos e isso aconteceu pela própria dinâmica do mercado e aumentou em média 2% da produtividade. Se você pegar o Japão, no caso da Microsoft do Japão, a 4×3 aumentou em 40% a produtividade individual do trabalhador”, exemplificou.
Ele também observou os impactos positivos da mudança em território nacional. “No Brasil, houve um estudo da Fundação Getúlio Vargas, em 2024, envolvendo 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho. Sabe qual foi o resultado? Em 72% dessas empresas, houve aumento de receita e em 44% delas aumento no cumprimento de prazo. E várias empresas, individualmente, já estão reduzindo”, relatou Boulos.
Desgaste
A jornada é alvo de críticas por provocar desgaste físico e emocional e reduzir o convívio familiar.
“O debate que temos que fazer é o seguinte: uma coisa é você trabalhar para poder viver. Todo mundo precisa. Só bilionário herdeiro que não. Todo mundo precisa. Outra coisa é você viver para trabalhar. Não ter tempo para nada, não ter tempo para ficar com a sua família, para cuidar dos seus filhos. Para fazer, inclusive, um curso de profissionalização, de qualificação, que vai aumentar a sua produtividade como trabalhador”, ressaltou.
“Quando o trabalhador ou trabalhadora está mais descansado, o resultado é que ele vai trabalhar melhor. Qualquer um se coloque na pele dessas pessoas: se você tem um tempo de descanso maior, vai trabalhar melhor. Então, por todas essas razões, o que a gente sustenta, baseado em dados e não em blá blá blá, é que o fim da escala 6×1 vai melhorar, inclusive, a produtividade do trabalho no Brasil, como aconteceu em outros lugares”, defendeu Boulos.
Publicado originalmente pela Agência Gov em 21/01/2026


Kleiton
21/01/2026 - 16h36
Vou loa falando de trabalho ?