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Lula não está “nas cordas” e ainda é o favorito

Sou obrigado a discordar aqui do nosso colunista, o nobre jornalista cearense Gabriel Barbosa, que publicou uma análise política um pouco pessimista a partir dos números da Paraná Pesquisas divulgada hoje. Em primeiro lugar, a própria pesquisa mencionada traz o presidente Lula à frente no primeiro turno, assim como a Atlas Intel também o fazia. […]

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26.02.2026 - Cerimônia de apresentação das taças da Copa do Mundo de 2026 e da Copa do Mundo Feminina de 2027 Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de apresentação das taças da Copa do Mundo de 2026 e da Copa do Mundo Feminina de 2027. Palácio do Planalto, Brasília - DF. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Sou obrigado a discordar aqui do nosso colunista, o nobre jornalista cearense Gabriel Barbosa, que publicou uma análise política um pouco pessimista a partir dos números da Paraná Pesquisas divulgada hoje.

Em primeiro lugar, a própria pesquisa mencionada traz o presidente Lula à frente no primeiro turno, assim como a Atlas Intel também o fazia.

O presidente Lula mantém uma aprovação razoável, suficiente para ser um candidato competitivo e, segundo muitos analistas, favorito.

Os indicadores econômicos permanecem sólidos, e eles valem tão ou mais que pesquisas eleitorais, muito expostas a interesses particulares, oscilações emotivas de curto prazo e margens de erro.

Isso não quer dizer que não teremos uma eleição extremamente acirrada, como venho escrevendo por aqui desde sempre. O resultado é imprevisível.

Pesquisas favoráveis ao candidato progressista devem ser recebidas sem entusiasmo excessivo, assim como as menos favoráveis não devem ser vistas com pessimismo exagerado. Elas ajudam a entender, e devemos respeitar a maioria delas, mas sem nos deixarmos levar por nenhum tipo de emoção.

Na Atlas Intel divulgada nesta semana, Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 39% de Flavio Bolsonaro.

Adivinha quanto Lula e Jair Bolsonaro tinham em maio de 2022, ano da última eleição presidencial, segundo a mesma Atlas Intel?

Lula tinha exatamente 45%, contra 39% de Jair Bolsonaro.

Esses 45% são a base eleitoral de Lula há muito tempo. Mas esse número refere-se sempre aos votos totais. Quando é convertido para válidos, vai para mais de 47%. Entretanto, no momento da eleição, ele sempre tende a crescer por causa da abstenção, o que explica a vitória de Lula em 2022.

Considerando o universo de eleitores registrados no Brasil, que chegaram a 155 milhões segundo a última atualização do TSE, de dezembro de 2025, esses 45% da Atlas Intel correspondem a 70 milhões de eleitores. Como o Lula está 7 pontos à frente de Bolsonaro, segundo a Atlas, e cada ponto percentual equivale a 1,55 milhão de eleitores, Lula teria, hoje, 11 milhões de votos a mais que Flavio Bolsonaro no primeiro turno.

Caso Lula passe para o segundo turno com essa vantagem, será difícil uma virada.

Agora passemos para a Paraná Pesquisas, divulgada hoje. Nela, Lula lidera na espontânea com 26%, contra 14,8% de Flavio Bolsonaro.

Em março de 2022, segundo a mesma Paraná Pesquisas, Lula tinha exatamente 26% na espontânea, contra 21% de Jair Bolsonaro.

Lidera também na estimulada, com 39,6% dos votos, 4 pontos à frente de Flavio Bolsonaro. O percentual de Lula corresponderia a 61,53 milhões de eleitores, 7 milhões de eleitores a mais que o segundo colocado.

Repare que Lula vem se mantendo estável ao longo dos últimos meses, tendo inclusive crescido em relação aos 36%-37% que apresentava nos últimos meses de 2025.

Adivinha quantos por cento Lula tinha, em março de 2022, segundo a mesma Paraná Pesquisas? Ele tinha exatamente 38,9%, virtualmente o mesmo que tem hoje, contra 31% de Jair Bolsonaro.

Ou seja, não há razão para nenhum tipo de desespero. Lula mantém uma base sólida de eleitores, suficiente para ganhar. Com uma vantagem sobre 2022, que é poder fazer uma campanha mostrando o que realizou ao longo de seu mandato.

Entretanto, um número tão ou mais importante que pesquisas eleitorais é a inflação de alimentos, e temos hoje a novidade divulgada pelo IBGE. O instituto liberou hoje o IPCA-15, que é o indicador de inflação que antecipa o IPCA oficial, e os números de fevereiro mostram mais queda no custo dos alimentos consumidos em domicílio.

Segundo o IBGE, a inflação de alimentos no Brasil caiu para 0,49% em fevereiro, no acumulado de 12 meses, o que é um dos menores números da história do país.

Naturalmente, Lula não pode errar. Ninguém pode subir no salto alto. A comunicação precisa sempre melhorar. E, reiteramos, o resultado que sairá das urnas em outubro é imprevisível.

Há motivos, porém, para permanecermos confiantes e otimistas de que o Brasil não escolherá o caminho do retrocesso.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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Fernando Vugman

27/02/2026 - 16h43

Numa entrevista recente, Marcos Coimbra (Vox Populi), afirmou que pesquisas feitas com tamanha antecedência nunca se confirmaram nas urnas. Lembrou da importância de se ter a máquina pública, num bom governo. Observou que mesmo com uma administração horrível como a de Bolsonaro, este teve votação expressiva, muito acima da avaliação de seu governo, simplesmente por dominar a máquina pública. Observou a insignificância política do Flávio rachadinha, quando comparado ao pai. Afirmou que sua expectativa é Lula em primeiro turno.


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